Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Gente do Vinho

Volta e meia não resisto a fazer uma seção 'Caras' por aqui. Mas desta vez é apenas com gente do mundo do vinho.
Vamos lá: vou começar pelas 'meninas' que estavam na gravação do programa 'E por falar em vinho', que vai ao ar no Canal Rural. Se vocês não as conhecem, devem ao menos conhecer os vinhos que elas fazem que são, antes de mais nada, espumantes impecáveis, entre outros.
Na foto estão: Taline de Nardi (Vinícola Santa Augusta-SC), Beatriz Dreher Giovanini (Vinícola Dom Giovanni-RS) e Hortência Ayub (Vinícola Campos de Cima-RS).
Alguns dos vinhos que suas famílias produzem são o Espumante Brut e um branco doce de Moscato Giallo da Santa Augusta em Videira (da Taline, a de branco), os elegantíssimos espumantes da Don Giovanni de Pinto Bandeira (da Beatriz, a de vermelho) e o espumante brut e o Ruby Cabernet da Campos de Cima de Itaquí, na Campanha (da Hortência, a de preto). Se não tiverem oportunidade de conhecer essas três mulheres interessantíssimas (e lindas, não?), ao menos conheçam seus vinhos.
Na foto abaixo, feita no último final de semana no Chile (no bar de vinhos da Casas del Bosque no vale de Casablanca), estão o enólogo Meinard Bloem e o winemaker/empresário David Giacomini, dividindo um vinho e muitas histórias.
O enólogo Meinard trabalha para o braço chileno da Bodega O.Fournier e faz saborosos Sauvignon Blanc e alguns cortes tintos deliciosos. David é brasileiro, mas tem um pé 'plantado' no Chile, onde possui um vinhedo que produz uva Sauvignon Blanc para nada mais nada menos que a Viu Manent (se você não conhece os vinhos dessa vinícola, deveria conhecer!). Em comum esses dois têm a paixão pelos vinhos brancos.
Não tive tempo de mostrar antes, mas mostro agora uma foto (não muito boa pela falta de luz do local), do dia em que a Miolo fez a apresentação de alguns de seus novos vinhos e seus projetos, com a presença do enólogo consultor, o francês Michel Rolland. Na foto estão Fábio Miolo, a jornalista Liane Szabo e Michel Rolland, numa noite cheia de bons vinhos e boas conversas.
Logo no dia seguinte desse evento tivemos uma agradável degustação dos vinhos franceses da Mas de Daumas Gassac, oferecida pela importadora Mistral.
Na foto abaixo, com os dentes ainda brancos, estão Didú Russo (de amarelo) e Eduardo Milan, duas boas companhias para qualquer degustação.
Ontem, como disse aqui, estive em dois eventos que aproximaram o Rio Tejo do Rio Douro de forma nunca antes imaginada. Um estava no restaurante Praça São Lourenço e o outro no Baby Beef Rubayat, com apenas 2,5km de distância um do outro. Coisas de São Paulo.
No evento do Tejo conheci Luisa (foto abaixo), da casa Agrícola Paciência, que veio mostrar um vinho branco delicioso, o Ping'amor, uma combinação inusitada das castas brancas Fernão Pires e Chardonnay, com um ligeiro toque frisante. Divertido que só. Vejam o rótulo na outra foto.

Quem está olhando para a garrafa com curiosidade é a Alessandra, nossa querida assessora de imprensa, cujo filhote ainda no ventre já deve saber a diferença de aroma entre um Touriga Nacional e um Tinta Roriz!
E no último evento do dia, a dupla Cristiano Van Zeller e João Roquette, em um momento que mostrou o nível de descontração da apresentaçnao de algumas jóias da vinicultura do Douro.
Portugal, com toda sua história e conhecimento sobre vinhos, tem encontrado espaço em seus corações e taças para se renovar, de forma genial, e reconquistar mercados que já foram estratégicos para eles e que andavam perdidos para chilenos e argentinos.
Ontem, Tomás Roquette, da Quinta do Crasto, contou que o Brasil voltou a ser, em 2010, o mercado exportador número um para sua empresa, o que não é pouca coisa para uma empresa poderosa e importante como a deles.
O que me chamou mais a atenção, novamente falando de 'pessoas', foi o fato de que ao final da longa degustação (mais de 20 rótulos), foram apresentados três Portos Vintage. Quase ninguém usou as cuspideiras disponíveis. Ou seja, mesmo depois de muitos (e bons vinhos) pois a enorme maioria tinha estado presente ao evento do Tejo também, os vinhos do Porto apresentados não podiam ser desperdiçados.
Grande vinhos, grandes pessoas, muitos bons brindes!




segunda-feira, 25 de julho de 2011

Herança

Quantos de vocês já pararam para pensar de onde viemos?
Não é uma questão metafísica, que questiona o universo e nem tão pouco a existência de Deus.
É apenas a percepção de que a nação brasileira, submetida a tantas influências, tem uma herança primordial, a portuguesa.
Quase nunca pensamos nisso, quase nunca falamos disso e é bem verdade que, em 1808, quando a família real veio (fugida de Napoleão) para o Brasil, nós passamos a ser 'Europa', ou seja, a sede do reinado era aqui.
Lembrei-me disso por dois motivos. Um deles é que conversei recentemente com um tradicional produtor de vinhos italianos que encontrei em Bento Gonçalves e depois aqui em São Paulo e ele me perguntou o por quê de termos, com a tradição vitivinicultora herdada dos italianos que ocuparam o sul, um estilo de vinificação tão francês.
Eu, a princípio, fiquei sem saber o que responder, mas pensando bem me dei conta de que os franceses foram muito melhores do que qualquer outra nação produtora de vinhos para disseminar sua cultura. E não interessava que os locais onde ela iria ser implantada não tivessem nada em comum com a terra de onde vinha a tecnologia, o 'know how'.
Os portugueses deixaram aqui os vinhos, por motivos vários que entram na seara da política e da economia, e por muitos anos tudo o que bebemos de 'estrangeiro' por aqui foram vinhos portugueses e alguns poucos italianos.
Argentina e Chile, hoje tão populares aqui no Brasil, beberam na fonte francesa também. Embora o Chile, mais adaptável e rico, tenha sofrido muitas influências e algumas delas do moderno mundo do vinho, onde a Austrália saiu na frente. Assim, essas influências se misturaram e casaram-se em várias garrafas, hoje quase indefiníveis em estilo.
Os europeus ainda conseguem "se ver" como criadores de estilos únicos, em geral por conta de uvas autóctones e de estilos de vinificação criados muito mais pela necessidade do que pela técnica adequada, mas o Novo Mundo do vinho bebeu em muitas fontes, assim as influências se misturaram de uma forma sem volta.
O Brasil é, hoje, uma combinação de cultura ítaloportuguesa, com estilo de vinificação francesa que, em muitas vinícolas, ainda quer copiar a potência dos vinhos 'bomba de frutas' do Novo Mundo.
Mas a outra coisa que me fez pensar em herança foi o fato de que hoje vou a dois eventos de produtores portugueses. O primeiro é do TEJO, que resolveu se 'rebatizar' para conseguir uma diferenciação em um mercado onde a marca tem tanto poder quanto o produto.
Fizeram muito bem, pois são grandes vinhos que precisavam de uma 'coletividade' para poderem trabalhar em prol do bem comum, e controlar melhor os vinhos produzidos na região.
Provavelmente amanhã trarei novidades sobre isso.
O outro evento será a reunião de cinco 'jovens senhores' produtores de grandes vinhos da região do Douro. Eles, numa divertida cartada de marketing, adotaram o nome de 'Douro Boys' e rodam o mundo apresentando seus vinhos e a região com um olhar menos sisudo sobre vinhos muito tradicionais.
Coisa boas para provar e escutar.
O divertido release enviado pela assessoria diz o seguinte:

Os “Douro Boys” não são uma banda de música pop, como o nome pode parecer, mas um grupo de amigos e familiares proprietários de cinco prestigiadas vinícolas do Douro: Quinta do Vallado, Niepoort, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão. Em 2002, eles decidiram se associar informalmente para promover a região, seus vinhos de alta qualidade e, claro, para se divertirem.

Eles representam a modernidade e a revolução na enologia do Douro. Mas "uma revolução tranquila", como costumamjustificar, já que buscam a renovação de vinhos seculares, porém respeitando as características desta tradicional região, a primeira demarcada no mundo. Os Douro Boys trabalham para mostrar, cada vez mais, as potencialidades dos vinhos do Douro e conquistar o lugar que eles merecem estar, entre os vinhos mais reputados do planeta.


Assim, tenho certeza de que voltarei com muitas novidades, mas deixo aqui uma questão, para quem faz vinho, para quem bebe vinho, para quem estuda vinho: ainda precisamos copiar alguma coisa? A tecnologia está disponível para todos (tem preço, claro), as diversidades são apreciadas cada dia mais em um mundo que tende a se padronizar com coisas 'genéricas' e os caminhos, embora tendo sido traçados por nossos antepassados, recebem agora os nossos passos e devem ter a nossa assinatura.
Conhecer de onde viemos nos dá tranquilidade, história, segurança e também a enorme possibilidade de fazer diferente, melhor, único.
Boa semana e EXCELENTES brindes para todos!


terça-feira, 19 de julho de 2011

TEMPO

Caros leitores, sei que as pessoas só retornam a um blog pois ele tem assuntos interessantes e é constantemente atualizado.
No entanto, nesta semana estou impossibilitada de escrever as postagens que quero, por pura falta de tempo.
Peço desculpas e garanto que no próximo final de semana retomarei as postagens.
Obrigado pela compreensão!
Bons brindes!

domingo, 17 de julho de 2011

O Sal


 Estou lendo um livro chamado 'O Banquete', que é o trabalho de um pesquisador inglês que foi diretor de museus importantes como o Victoria & Albert e a National Gallery, em Londres.
Ele analisa, através dos tempos, as mudanças e costumes associados ao hábito de comer coletivamente.
Há muitas coisas interessantes nesse livro, especialmente para alguém como eu que tem imenso interesse em Alimentos e Bebidas, interesse esse que eu adoraria ter a chance de aprofundar em um estudo sócioantropológico. Claro que a minha vida não me permite esse luxo, então vou lendo livros, testando receitas, apurando o senso crítico e estético de forma bastante amadora, mas ainda assim educativa. Foi assim, buscando expandir algumas informações do livro, que cheguei ao texto que reproduzo a seguir, sobre o sal.
Confesso que tenho particular apreciação por esse tempero, que ao meu paladar é muito mais agradável do que o açúcar. Óbvio que tenho que controlar essa apreciação, pois a medicina e a nutrição moderna nos ensinam que o excesso de sal na alimentação causa muitos danos à saúde.
Uma das maneiras que encontrei para controlar a quantidade foi utilizar um sal menos refinado em minha comida. E assim passei a ser fã do sal granulado, um intermediário entre o sal fino e o grosso.
Mas vamos ao texto (que não é meu, e sim de uma empresa que beneficia sal aqui no Brasil):

O sal nos costumes

Na alimentação
O homem pré-histórico obtinha sua dose de sal graças à carne crua de suas caças. Foi a passagem para a agricultura e para uma alimentação à base de grãos que introduziram a necessidade de complemento. O sal teve grande impacto também na história das civilizações: graças ao seu poder de conservar os alimentos facilitou a sobrevivência e a mobilidade das populações. Antes da Idade Média, pescadores holandeses já sabiam salgar o arenque para armazená-lo, tornando o peixe acessível longe do mar e durante o ano inteiro. O bacalhau salgado também é anterior à Idade Média.
No artigo “Na Bahia Colonial”, Taunay descreve o entusiasmo do viajante Pyrard de Laval na Bahia, em 1610. “É impossível terem-se carnes mais gordas, mais tenras e de melhor sabor. (...) Salgam as carnes, cortam-na em pedaços bastante largos, mas pouco espessos (...). Quando estão bem salgadas, tiram-nas sem lavar, pondo-as a secar ao sol; quando bem secas, podem conservar-se por muito tempo.”
Os indígenas brasileiros não conheciam o sal. Era das carnes da caça que vinha a porção de que necessitavam. Seus temperos eram as pimentas, e seu método de conservação era o moqueio – defumação lenta sobre braseiro de folhas e gravetos. O sal foi introduzido no Brasil pelos portugueses e seu emprego como conservante influiu decisivamente na ocupação do território brasileiro. O charque, ou carne-seca, foi a base da alimentação dos boiadeiros do Nordeste, que avançaram pelo interior em direção ao sul, em busca de terras para a pecuária, e dos bandeirantes paulistas, que tomaram o rumo noroeste, em busca de novas riquezas.
Nos rituais
O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Mas talvez nenhuma tradição lhe tenha dado tanto destaque quanto a judaico-cristã. O Antigo Testamento menciona o sal com freqüência, ora no contexto da vida prática, ora simbolicamente. Sal significa, por exemplo, pureza e fidelidade. No Novo testamento, a menção ao sal torna-se mais metafórica. Jesus diz a seus apóstolos - “Vós sois o sal da terra”.
Até o início da industrialização e em diferentes civilizações, o sal na mesa significou prestígio, orgulho, segurança e amizade. A expressão romana para exprimir ser infiel a uma amizade era “trair a promessa e o sal”. Desde aqueles tempos a ausência de um saleiro sobre a mesa representava um presságio, tanto quanto o sal derramado. Ao pintar sua famosa “Santa Ceia” Leonardo da Vinci tratou de colocar diante de Judas um saleiro derramado.
Abolido por Lutero no ritual de batismo da religião protestante ainda no século 16, o uso do sal perdurou no batizado católico até 1973, simbolizando a expulsão do demônio e o sinal de sabedoria sobre o recém-nascido. Ainda hoje, as batatas e ovos cozidos servidos no Pessach, a Páscoa judaica, são regados com água salgada, que simboliza as lágrimas derramadas pelos judeus na travessia do deserto, durante a fuga do Egito.

Nas bruxarias
Nas crenças populares, ele é um ingrediente obrigatório para afastar demônios e feiticeiras. No Brasil, senão uma prática, o banho de sal grosso é uma expressão comum para designar proteção contra o mau-olhado. Recipientes com sal e uma cabeça de alho podem ser vistos com freqüência não apenas em casas, mas também em lojas e escritórios. A final, que las hay, las hay... 
Acredita-se que foi a Igreja que tomou emprestado esse uso para seus rituais, sobretudo os de exorcismo, e não o contrário. A explicação de um demonólogo francês do século 16 para os poderes anti-diabólicos do sal: “ele é a marca da eternidade e da pureza, porque jamais apodrece ou se corrompe. E tudo o que o diabo procura é a corrupção e a dissolução das criaturas, tanto quanto Deus busca a criação. Daí a obrigação, pela lei de Deus, de colocar sal na mesa do santuário...”
Povos antigos atribuíram ao sal poderes afrodisíacos e acreditavam que sua carência reduzia a potência sexual dos homens. Uma gravura satírica francesa do século 16 (abaixo) mostra mulheres de diversas classes sociais numa atividade insólita: debruçadas sobre maridos sem calças, que esperneiam, aprisionados em barris, elas esfregam com sal, vigorosamente, suas partes íntimas.


Para quem, por fim, ficou curioso sobre 'Vinho e Sal', é importante dizer que há apenas um vinho capaz de fazer frente aos alimentos realmente salgados, como alcaparras, presunto cru, azeitonas, aliche etc, o espanhol Jerez, em suas versões mais secas. Uma combinação realmente espetacular.
Boa semana para todos!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Humor Etílico




















quarta-feira, 13 de julho de 2011

384 amostras de 72 vinícolas - ANV 2011


Fico imensamente feliz em dar esta notícia, que recebi ontem da assessoria de imprensa Conceito Comunicação, lá de Bento Gonçalves.
A 19º edição da Avaliação Nacional de Vinhos teve 384 amostras de vinhos inscritas, vindas de 72 vinícolas. Um aumento de 48% em relação ao ano passado, fato esse que mostra dois aspectos importantes, um deles é a qualidade da colheita deste ano (pois todos os vinhos inscritos precisam ser de uvas colhidas em 2011) e o desenvolvimento da indústria do vinho fino no país, representada por 72 empresas de seis estados.


Dentre todas essas amostras apenas 30 restarão ao final e 16 delas serão apresentadas na degustação coletiva (para mais de 700 pessoas), no último sábado do mês de setembro, no evento mais importante do calendário anual da vitivinicultura brasileira.
Na foto acima (feita pela assessoria de imprensa no ano de 2010) estão os enólogos associados da ABE (Associação Brasileira de Enologia) que não apenas organizam o evento como também vão retirar eles mesmos as amostras nas vinícolas (para que não sejam enviadas amostras "especiais" diferentes da safra em curso), e depois as degustam em grupos.
Esse processo de degustação, seleção e avaliação dura todo o mês de agosto e envolve mais de 100 enólogos, divididos em equipes que degustam às cegas, na sala de Análise Sensorial da Embrapa Uva e Vinho.
O grande objetivo dessa Avaliação não é conceder prêmios, medalhas ou pontos, mas sim mostrar quais foram os vinhos mais representativos da safra e, com isso, passar a compreender como está se comportando nossa indústria, nossas regiões e o trabalho dos homens de campo e de cantina que fazem nossos vinhos.
E, para o público como eu e você, é também uma enorme festa, a mais bem organizada que conheço, onde estão praticamente todos os nomes da indústria do vinho brasileiro, quer eles tenham suas amostras apresentadas quer não, reunidos em torno de um objetivo comum, bem definido pelo 'oráculo': 'Conheça-te a ti mesmo'.
É o que  precisamos fazer a cada dia, para compreender os desafios da técnica e da comercializiação dos vinhos neste país cheio de potencialidades.
Parabéns à ABE e aos 72 produtores que decidiram colocar seus produtos à prova!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tanto há por conhecer...

Volta e meia lembro-me de uma música que a Elis Regina cantava que, não por coincidência, postei aqui há quase exatos 365 dias, quando visitei o Salão do Turismo e me deparei com quão pouco conhecemos nosso próprio país. Os versos dizem: "O Brasil não conhece o Brasil, o Brasil nunca foi ao Brasil..."


E se isso é verdade para nós mesmos, seja em vinho, gastronomia, turismo, música, comportamento, diferenças culturais, literatura, que dirá então do que não conhecemos sobre nossos vizinhos (e quase vizinhos) de língua espanhola?
Fiquei sabendo, através de um amigo chileno no facebook, do assassinato de um cantor, poeta e compositor argentino chamado Facundo Cabral, na Guatemala neste final de semana.
Chamou-me a atenção a comoção que a notícia gerou entre as pessoas na rede social. Fiquei me perguntando quem ele era e estendi a pergunta ao meu amigo, enólogo-chefe da Viña Aresti.
Ele me escreveu não apenas contando um pouco sobre o desapego e lirismo manifestos na vida e obra de Facundo Cabral, como também me enviou hoje o poema que reproduzo a seguir:

Que espera Dios?
que el hombre vuelva a ser un niño
para recibirlo en su seno
perfecto, perfecto

No crezca mi niño, no crezca jamás
los grandes al mundo le hacen mucho mal

El hombre ambiciona cada día mas
y pierde el camino por querer volar

Vuele bajo porque abajo
esta la verdad
esto es algo que los hombres
no aprenden jamás

Por correr el hombre no puede pensar
que ni el mismo sabe para adonde va

Sigue siendo niño y en paz dormirás
sin guerras ni maquinas de calcular

Vuele bajo...

Dios quiera que el hombre pudiera volver
a ser niño un dia para comprender

Que esta equivocado si piensa encontrar
con una escopeta la felicidad

Vuele bajo...
Vuele bajo...

Imagino que entre os estudiosos e apreciadores de música, literatura, filosofia e (provavelmente) política latinoamericana, esse artista seja bem conhecido. Triste de minha parte não ter sabido dele quando em vida, pois nós aqui no Brasil estamos tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo de nossos vizinhos.
Com certeza isso nos faz mais pobres culturalmente, ainda que acreditemos que somos 'globalizados'. É bem provável que a globalização tenha nos atingido muito mais através de produtos de consumo do que de produtos culturais. Que pena, perdemos todos...
Gracias Jon, por ese envío!