Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Seriedade do Vinho

Meu pai me ensinou que vinho é coisa séria.
Que beber bebidas alcóolicas é coisa séria.
Até hoje (e degusto profissionalmente há quase 17 anos), meu pai se preocupa se eu tenho "cuspido" o suficiente!
Meu pai me ensinou que não devo falar daquilo que desconheço, que devo dar tempo para as coisas e as pessoas (e os vinhos se revelarem) e não julgar tudo pela primeira impressão, mas ele também me ensinou a não deixar que as pessoas me tratem mal apenas por eu não saber algo que elas sabem.
Meu pai me ensinou muitas, muitas coisas.
Me ensina até hoje, com sua alegria, seu gosto pela celebração, sua disciplina, seu cuidado com as pessoas que lhe são caras e seus respeito pelas que não são.
Meu pai me ensinou que vinho é coisa séria, que deve ser consumida apenas em momentos de alegria, de compartilhamento, de aprendizado.
Mas meu pai, verdade seja dita, não é tão sério assim como pode parecer. Meu pai sabe que as coisas passam depressa demais e que muita seriedade não leva à nada.
Meu pai faz 70 anos hoje e por isso este brinde é para ele!
Saúde PAI! Muito vinho, muita alegria, muita saúde para não levar a vida tão à sério!
Obrigado pelas lições de hoje e de sempre e brindemos, para que nunca nos falte!


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Mãos Dadas

" Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o meu futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles,considero a enorme realidade.
O presente é tão grande,não nos afastemos.
Não nos afastemos muito,vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher,de uma história,
não direi suspiros ao anoitecer,a paisagem vista da janela,não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicidas,não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é minha matéria,o tempo presente,os homens presentes,a vida presente. "
(Carlos Drummond de Andrade)


O poema acima, do poeta cujas palavras eu mais aprecio entre toda a língua portuguesa, serve de consolo para mim, pois abaixo reproduzo a notícia publicada na edição online do jornal Valor Econômico no começo desta semana. É uma triste notícia para mim, testemunha frequente dos esforços feitos por nossa indústria vitivinícola para ganhar consumidores e respeito.
Mas enfim, os números mentem menos do que outras fontes e pela correção com a qual sempre pretendo levar este blog, decidi publicá-la:

Vinhos e Espumantes Brasileiros Perdem Participação no Semestre
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo IBRAVIN



Prejudicados pela valorização do real, os vinhos finos e espumantes brasileiros perderam espaço no mercado doméstico para os importados no primeiro semestre. Enquanto as vendas do vinho nacional permaneceram praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2010, com 8,513 milhões de litros (alta de 0,11%), os estrangeiros cresceram 2,37%, para 27,015 milhões de litros, e ampliaram a participação no setor de 75,63% para 76,04%.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). No segmento de espumantes, o volume de importados cresceu 15,12% no semestre, para 1,499 milhão de litros, e a venda do produto nacional teve ligeira queda de 0,08%, para 3,265 milhões de litros, segundo o Ibravin. Segundo o Ibravin, as importações aceleraram em junho, pois até maio o volume de vinhos estrangeiros vendidos no mercado interno era menor do que no mesmo intervalo de 2010.
Os países que registraram as maiores altas nas vendas para o Brasil foram França, Portugal e Itália, enquanto os maiores fornecedores externos do Brasil - Chile e Argentina - tiveram desempenho negativo. Nos vinhos de mesa nacionais (feitos com uvas comuns), a alta nas vendas foi de 8,5%, para 103,978 milhões de litros. Ao mesmo tempo, a comercialização de suco de uva natural pronto para consumo aumentou 33,19%, para 21,464 milhões de litros.
O Ibravin informou ainda que as exportações de vinhos finos das vinícolas participantes do projeto setorial "Wines from Brazil", realizado em parceria com a Agência Brasileira de Exportações (Apex), somaram US$ 1,2 milhão no semestre, com crescimento de 40,7% sobre o mesmo intervalo de 2010. Onze vinícolas participam do projeto, que reponde por praticamente a totalidade dos embarques do setor, conforme o instituto.
Segundo a gerente de promoção comercial do "Wines from Brazil", Andreia Milan, a previsão para todo o ano é exportar o equivalente a US$ 4 milhões, ante US$ 2,3 milhões em 2010. Os principais destinos do produto brasileiro de janeiro a junho foram Reino Unido, Colômbia, Holanda, Estados Unidos e Alemanha.


Imagino que isso seja alimento para muitas discussões, pesquisa e ações, não apenas dos orgãos competentes, mas de cada vinícola que busca seu espaço.
Torço para que tenhamos ações efetivas (e honestas) para conquistar o mercado com bons produtos. Como sempre digo, não vou deixar de beber vinhos importados, mas acredito que nosso produtos merecem ser vendidos a preços mais competitivos e merecem ter mais espaço.
O que realmente me assusta nessa notícia é o fato da venda de vinhos de mesa ter crescido 8,5%. Isso para mim é aviltante e pura falta de conhecimento.





quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Frio e as parreiras!



Antes de mais nada, preciso dizer que a imagem que vocês vêem acima, foi gentilmente feita pela minha amiga Italia, na madrugada do dia 4 de agosto em São Joaquim, Santa Catarina. Ela e o marido estavam saindo da casa de amigos e encontraram o carro com essa camada espessa de gelo.
Obrigado Italia! Vai ficar no blog até o inverno passar (que aí em São Joaquim deve ser mais ou menos em novembro certo?). E não querendo copiar o Sr. Wandér, é quase o blog do vinho 'do gelo' verde amarelo.

Mas o frio não é mau para as videiras nesta época, faz parte do ciclo vegetativo das plantas e auxilia em vários aspectos que vão contribuir para um fruto que poderá transferir cor e várias substâncias importantes para o vinho. É neste momento que muitos produtores fazem a chamda 'poda seca'.
Quando começa o outono e as plantas deixaram de produzir frutos, os produtores deixam que a natureza tome seu rumo sem nada fazer. As folhas deixam os galhos pois a planta está se preparando para o frio, com menos luminosidade disponível e assim com menos seiva percorrendo os galhos. É um processo absolutamente natural e que todas as plantas com ciclo vegetativo semelhante fazem.
Quando o inverno já começou (ou neste caso vai pela metade), é momento de podar os galhos, já determinando aí os brotos para a próxima safra. É um processo longo de explicar, no qual eu não vou entrar em detalhes aqui para não entediar os leitores que preferem beber a estudar (risos, nada contra!).
Como tenho falado bastante da Campanha Gaúcha nas últimas postagens, resolvi colocar um mapa aqui para dar uma localizada nas coisas. Infelizmente, nesse mapa não aparece Bento Gonçalves, para que vocês possam ver como as duas regiões produtoras são distantes uma da outra, mas aparece Caxias do Sul, e assim é só pensar que Bento fica um pouquinho mais a noroeste no mapa (para os curiosos de plantão, São Joaquim também não aparece, mas fica no meio da diagonal que une Lages a Criciúma, ambas no mapa).


Nesta semana falei da loja que abriu em Santana do Livramento, cidade que é divisa com Rivera, já na Uruguai. Dom Pedrito e Bagé juntam-se a ela como importantes áreas produtoras de uvas e hoje com algumas vinícolas também. Mas a cidade marcada no mapa com a letra 'A' é Itaquí, quase na divisa com a Argentina e é lá que está a vinícola Campos de Cima (os vinhedos ficam em Maçambará).
É um projeto de Hortência e José Ayub (junto de suas filhas), gaúchos que resolveram investir no potencial para boas uvas dessa região, nas terras de uma fazenda centenária. Há alguns anos eles vem cuidando da terra (são 15 hectares) pesquisando junto com a Embrapa de Bento Gonçalves, e estudando para conseguir alguns vinhos diferenciados por lá.
Conheci o casal na Expovinis do ano passado, quando estavam lançando seus vinhos no mercado e fiquei muito impressionada com o espumante brut e com o Ruby Cabernet, um cruzamento das uvas Carignan e Cabernet Sauvignon, desenvolvido nos anos 1940 por um enólogo/pesquisador da Universidade de Davis, nos EUA.
Aqui no Brasil quem sugeriu essa cultivar para os donos da vinícola foi o Dr. Celito Guerra, da Embrapa, um especialista no potencial das regiões brasileiras para cada tipo de uva. Em uma entrevista no ano passado, Celito me contou: "É uma região ímpar, de solos profundos, noites frias e os verões mais quentes da Campanha, realmente um lugar privilegiado".
Neste ano provei também o Viognier que em chamou a atenção de forma muito positiva e, como é uma região fronteiriça, creio que o Tannat há de se revelar em breve, com todo seu potencial.
A assessoria de imprensa da vinícola enviou fotos feitas nesta semana dos vinhedos cobertos de geada, assim como o início da poda seca, que estão abaixo.



Quem quiser conhecer um pouco mais, o link para o site da vinícola é: http://www.camposdecima.com.br/

Felizes dias de inverno e bons goles para todos!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Loja de Vinhos da Campanha

Volta e meia aparece uma notícia que dá gosto de dar, mesmo que seja longe 'daqui de casa'.
Quando estive na Campanha Gaúcha em março deste ano fiquei sabendo dos planos (já em ação) para uma loja coletiva dos produtores de vinhos finos de lá.
Quem me contou foi a Gabriela, enóloga da Guatambu, cujo pai, Valter Pötter, é vice-presidente da Associação dos Produtores de Vinhos da região.
Pois não é que a loja foi inaugurada na última sexta-feira? Ela ocupa um grande espaço na sede da Associação.
Localizada no centro da cidade de Livramento, a poucos passos da divisa com a cidade uruguaia de Rivera, a loja está no subsolo do Palácio do Comércio e reune mais de 100 rótulos das vinícolas Guatambu, Rio Velho, Almadén, Seival State, Bela Vista State, Cordinheira do Santana, Peruzzo, Rigo, Dunamis, Campos de Cima, Camponogara, Nova Aliança e  Routhier & Darricarrerè.
"Rivera recebe cerca de 40.000 turistas em cada feriadão, e queremos oferecer produtos da região a este público, com preços diferenciados para encarar a competição com os free-shops" afirma Gabriela. 
Na inauguração estavam presentes, entre convidados e produtores, o secretário da agricultura do estado do Rio Grande do Sul, Luiz Fernando Mainardi, o governador Tarso Genro (na foto acima com Isadora e Valter Pötter), o presidente da Associação, o enólogo da Almadén Afrânio de Morais e Roberto Menezes, da vinícola Rio Velho que é o responsável pela loja.
Fico feliz em dar essa notícia pois essa é uma iniciativa sem precedentes no mundo do vinho brasileiro e uma ação efetiva (e conjunta) para colocar produtos nacionais e importados em (quase) pé de igualdade.
Ao menos os gaúchos que frequentam a região saberão onde comprar os vinhos lá produzidos e os turistas terão mais coisas para conhecer. Quem sabe aquele meu sonho de ver algumas enotecas como as italianas e as francesas está mais perto de se concretizar, mesmo que seja na divisa com o Uruguai?
Parabéns e sucesso aos produtores da Campanha Gaúcha!


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Feliz mês de Agosto para todos!


domingo, 31 de julho de 2011

PRECONCEITO - Substantivo Masculino

Segundo o Dicionário Novo Aurélio Século XXI: preconceito  [De pre + conceito] 1. Conceitos ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. 3. Por extensão: Superstição, crendice; prejuízo. 4. Por extensão: Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões etc.



E você? Tem preconceitos?
Aposto que vai dizer que não.
Vai dizer que nunca fecha o vidro quando vê pedintes no semáforo ("Não é preconceito, é medo"), que nunca pensou que outros estados brasileiros são mais pobres por conta das pessoas que neles vivem ("É cultural, não vai mudar, é da natureza deles"), que nunca olhou para um gordinho na fila da salada da churrascaria e pensou "ah tá bom que ele come salada", que nunca deixou de comprar uma peça pois embaixo dela estava escrito "Made in China".
Não, você não tem preconceitos, os outros é que têm.
Claro que você nunca foi a um casamento onde estavam servido espumantes brasileiros e pensou "que pobreza, será que não dava para servir um lambrusquinho, um prosequinho", claro que você nunca foi a uma reunião de queijo e vinho na casa de um amigo e deixou de levar aquela garrafa de vinho brasileiro pois "ia pegar mal chegar lá com uma garrafa de vinho brazuca".
É claro que você não é assim. Afinal, se fosse não estaria lendo este blog, certo?
Então você não é preconceituoso, você apenas oculta um pouquinho a verdade quando lhe convêm. Puxa, tudo mundo faz isso certo?
Sim, aparentemente em nossa sociedade todo mundo faz isso. Triste, mas verdadeiro em uma enormidade de casos.
MAS...isso não faz as coisas ficarem certas, isso não auxilia nem conserta nada. Não contribui com nada.
Ontem eu estava assistindo (tentando assistir ao menos) a extremamente tediosa cerimônia de sorteio das chaves da Copa do Mundo de Futebol, que aconteceu na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Puxa como aquilo foi chato! Mas era necessário e foi o primeiro evento oficial, em solo brasileiro, da enorme competição que está por vir.
Não vou entrar no mérito de que vai dar tempo de construir tudo o que tem que ser construído, consertar o que precisa de reparos ou limpar o que está sujo. Muito menos vou falar da qualidade do futebol praticado por jogadores que faturam por mês o mesmo que algumas cidades do interior arrecadam.Deixo isso para os blogueiros do esporte.
No final das contas, até que fiquei contente com a transmissão. Achei as piadinhas dos apresentadores mal ensaiadas mas inofensivas, achei que o palco (meio "cerimônia do Oscar") estava adequado, achei as apresentações musicais ruins (à exceção do neto do Jobim), mas ainda assim corretas para aparecermos no exterior, e fiquei pensando no quanto teremos que lapidar, martelar, dirimir e engolir nossos preconceitos para podermos sediar uma Copa do Mundo.
E aí? Vamos servir Prosecco na Copa? Vamos servir 'reservado' sulamericano, vamos servir 'super toscanos' para provarmos que somos globalizados, que temos dinheiro?
E você? Qual é a imagem do país onde você vive, que você sustenta, que lhe dá o sustento, que lhe dá as raízes, que você vai querer apresentar para o mundo todo que vai estar nos observando e julgando?
Para falar mal ou bem é preciso conhecer, senão fica como a explicação do dicionário "Conceito formado sem maior apreciação ou conhecimento dos fatos", e olha que não vale aquela sua experiência de dez anos atrás, com sua turma, quando todo mundo estava meio bêbado e bebeu a porcaria de vinho de garrafão que estava na frente.
Que fique claro que eu não vou deixar de beber Proseccos, vinhos chilenos, argentinos, italianos, espanhóis, portugueses, australianos, sulafricanos, alemães etc, até que minha saúde assim o permita.
Mas se quando eu vou à Itália sou apresentada aos vinhos italianos (todo mundo sabe que nem tudo o que se faz lá são Proseccos DOCG, grandes Barolos, super toscanos, etc) de todos os estilos e tipos, quando vou ao Chile ou à Argentina acontece a mesma coisa, porque quando vem um estrangeiro ao Brasil eu tenho vergonha, preconceito, ou o que quer que seja de apresentar o que é feito aqui?
Toda caipirinha é boa? Nem todas. Caipirinha é coisa séria e é difícil de fazer. Toda feijoada é gostosa? Nem todas, aliás poucas são realmente boas.
O vinho é sim uma de nossas tradições herdadas, não apenas dos portugueses que nos colonizaram, como dos italianos e espanhóis que vieram habitar em nossas terras há muitos, muitos anos.
Tradição por tradição estaríamos bebendo cauím até hoje e nada mais.
Então, precisamos conhecer mais, saber mais sobre quem somos, sobre o que fazemos. Deixar a arrogância, a soberba, o preconceito de lado por algum tempo e provarmos os vinhos brasileiros de coração aberto. É preciso conhecer para criticar e ouso dizer que também é preciso conhecer para apreciar.
Isso haverá de enriquecer não apenas a nossa forma de receber os estrangeiros, mas a nós mesmos, que poderemos nos orgulhar de nossos produtos, de nossa herança cultural e de nosso aprimoramento tecnológico.
Pense nisso, sem preconceitos, por favor!


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vinho e Fondue

Já pensando no final de semana que se aproxima (o último do mês de julho), resolvi falar sobre vinhos e fondues.
Sim, tudo no plural, pois os fondues de carne, queijo e chocolate não são os únicos que existem.
Aqui pelo Brasil eles são, sim, os mais populares, mas basta ir até nossa vizinha Argentina que nas estações de esqui, e mesmo na cidade de Bariloche por exemplo, é possível comer o fondue chinês (legumes, carnes magras ou frutos do mar) preparados em um saboroso caldo, e lá na Itália existe a bagna cauda, uma espécie de molho, também servido em uma panelinha refratária sobre uma fonte de calor, preparado com azeite, anchovas e alho, que é uma entrada que acompanha legumes crus,  para mergulhar nesse generoso tempero.
O fondue de queijo, talvez o mais conhecido e apreciado por todos, é sempre melhor quando feito em casa, a partir de uma receita suiça muito simples que leva apenas seis ingredientes. Ela está logo abaixo da foto.
Fondue Clássico de Queijo
Para quatro pessoas você vai usar 600g de queijo emmenthal e 600g de queijo gruyére cortados em fatias finas, 1 dente de alho cortado ao meio que será usado apenas para untar o fundo e os lados da panela, 400 ml de vinho branco seco, 1 colher de sopa de amido de milho diluída em 60 ml de kirsch (se não tiver esse destilado de cerejas, use grappa ou outra aguardente de fruta), pimenta do reino moída na hora e uma pitada de noz moscada e pão italiano em cubos para servir.
Diretamente na panela que irá à mesa esfregue o dente de alho e descarte, coloque o vinho branco e deixe ferver em fogo brando por dois minutos. Coloque os queijos de mexa sem parar (não em círculos mas em zigue-zague) até derreter bem. Coloque a pimenta e o destilado com a maisena e misture bem até ficar homogêneo. Sirva imediatamente sobre o réchaud com fogo médio-alto.




A foto acima mostra as uvas Fendant, a variação suiça da francesa Chasselas, cultivadas perto de Genebra. Sim, a Suiça tem vinhedos e produz tintos e brancos. Mas o consumo local é grande e a produção não é, portanto é raro vê-los fora do país. Enfim, o vinho branco seco da uva Fendant é o tradicional acompanhamento do fondue de queijo, mas se aqui ele não existe, vale trocar por um Chardonnay sem madeira como o da Pizzato, por um Sauvignon Blanc como o da Sanjo ou com um Pinot Grigio da Miolo (feito na Campanha). 
Mas se você não resiste à tentação de queijo e vinho tinto (e quer arriscar a dor de cabeça que pode acompanhar essa combinação), tente o Pinot Noir da Salton (da linha Volpi), que é mais leve e menos tânico e pode funcionar no prato e no estômago.
 Na foto ao lado está o fondue chinês (ou bouillon), que é um caldo enriquecido onde são cozidos pequenos pedaços de peixe, camarões, frutos do mar e legumes. É delicioso e muito mais leve do que qualquer outro. Para harmonizar, vale continuar nos brancos, mas aqui podem entrar algumas opções até mais aromáticas, como um Viognier.
Também vale provar um bom espumante, que nesse caso pode ser um feito pelo método Charmat ou até mesmo o leve espumante da uva Glera (aqui no Brasil ainda chamada de Prosecco), como o Alto Vale, da Domno.

Para o fondue de carne (ou foundue Bourguignone), o vinho precisa de mais peso e acidez, pois a mistura onde as carnes são fritas é, originalmente, feita com óleo vegetal e manteiga (meio a meio).
Assim vale ficar com um espumante mais encorpado (o Pinot Noir da Aurora por exemplo) ou alguns tintos com boa acidez, como o Cabernet Sauvignon da Casa Venturini, o Rastros do Pampa da Guatambu ou ainda o Mundus Malbec, da Casa Valduga, feito na Argentina.
Aliás, esse último vinho pode ser uma combinação ousada e também muito agradável com o foundue de chocolate que, para sermos bem fiéis aos princípios da harmonização, precisaria de um vinho com açúcar mais alto do que o prato. Claro que os vinhos do Porto são uma excelente escolha (assim como os Madeira), mas a quantidade de álcool nesse vinhos inviabiliza que eles acompanhem todo o prato.
Então, você deve provar, claro, um pouco de Porto com seu fondue de chocolate, (uma opção nacional é o Portento da Quinta Santa Maria) mas deve tentar também o Malbec e, por que não, um fresco espumante da uva Moscatel, como o da Vallontano ou da Garibaldi.
Uma dica importante é pensar na variedade dos acompanhamentos, para que essa refeição comunitária não fique enjoativa. Com o fondue de queijo coloque também alguns legumes cozidos ao dente, pequenas batatas aperiivo e até alguns pedaços de de maçãs verdes.
O mesmo vale para o fondue de carne, que pode ser acompanhado de uma variedade de molhos diferentes e também de alguns legumes e até rodelinhas de linguiça defumada.
Para o fondue de chocolate, a diversidade das frutas frescas é fundamental, mas não esqueça de frutas secas (ameixas, damascos, tâmaras), e pedaços firmes de bolo.
Por fim, segue uma foto  da bagna cauda, que pode ser uma opção para acompanhar o fondue de queijo e o de carne, com seu tempero forte e as muitas opções de legumes (rabanetes em metades, mini-abobrinhas, pimentões em fatias, salsão, erva-doce, cebolinhas, brócolis, couve-flor e couve de bruxelas já escaldados, cenoura e pepino japonês em palitos firmes).
Para fazer essa receita coloque em uma pequena panela 150 ml de azeite, cinco dentes de alho amassados e umas dez ou doze anchovas em azeite. Leve ao fogo baixo até a o alho doure e as anchovas desmanchem. Coloque quatro colheres de sopa de manteiga e deixe derreter devagar. Apague o fogo e coloque mais duas colheres de manteiga, batendo com o garfo para dar uma encorpada. Coloque no rechaud e sirva. 
Não coloque sal nos legumes, mas deixe um potinho com sal gourmet (mais grosso que o refinado) que ele dará um toque aos legumes, uma vez que a bagna cauda já é salgada por conta das anchovas.
A bagna cauda e seus legumes vão muito bem com espumantes secos, com Sauvignon Blanc e com Sangiovese, como o da Cristofoli.
Bons goles e bom apetite!