Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Se a vida lhe der uma chita...faça um belo vestido!

Dia cheio, com mais compromissos do que as horas acomodam, onde a gente tem que selecionar aquilo que parece mais imediato algumas vezes em detrimento do mais importante.
Vamos lá: selecionei para começar o dia uma entrevista na Universidade de São Caetano do Sul para saber da possibilidade de iniciar um (há muito) adiado mestrado.
Marquei 10h30 da manhã, já prevendo o trânsito.
Consultei mapas pela internet, acordei cedo para ver o 'Radar SP' na Globo e saber onde estava a encrenca e escolhi um caminho. Mais de uma hora depois de sair de casa ainda estava no bairro de Pinheiros, nem na metade do caminho.
Com um peso no coração, dei meia volta. Era tarde demais para ir em frente e cedo demais para o compromisso das 12h30. Com aquele trânsito não valia a pena voltar para casa.
Fui ao shopping pensando "Tem coisa mais chata do que ir ao shopping sem propósito específico e sem dinheiro para gastar?". Ainda mais o Shopping Iguatemi, um dos lugares mais caros de SP.
Mas andando por lá me deparei com uma mini-exposição de vestidos de divas de Hollywood. Perguntei se poderia fotografar e o segurança disse que sim. Então aqui estão o veludo de "E o Vento Levou" e a seda de "Os homens preferem as loiras", além de uma geral do local.






Claro que depois de um pouco de beleza sem custo, o dia começou a se ajeitar. Nada de trânsito para ir ao próximo compromisso (afinal eu não estava mais atrasada, certo?). Bom almoço, companhias agradáveis e inteligentes e, sobretudo, bons vinhos com o serviço tremendamente atencioso do sommelier André do Ráscal. Todos tintos: Prelúdio 2007 (Vinha Solo - RS), Terragnolo Reserva Merlot 2007 (Vale dos Vinhedos - RS), Máximus (Panizzon - RS), Luiz Argenta Gran Reserva Merlot 2005 (Flores da Cunha - RS) e Inominable Lote III (Villaggio Grando - SC).
Entre os vinhos, minha supresa ficou com o terceiro, da Panizzon, que eu não conhecia. Sem safra e sem contar a combinação das uvas, mas delicioso de beber. Rótulo antiquado - não faz sentido com a qualidade do líquido.
Finalizamos em grande estilo, com um vinho de sobremesa oferecido pelo sommelier, o Château Ramon 2006, importado pela Decanter, feito com as uvas Semillon, Muscadelle e Sauvignon Blanc. Com um pedaço de abacaxi fresco com pimenta rosa, fez o dia que começou errado ficar perfeito.
C'est sont les choses de la vie mon choux!


Lançamento dos Vinhos do Galvão Bueno/Miolo



segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Feliz Semana!


Bons Brindes à Todos nesta nova Semana!

Ontem em um delicioso almoço na casa de meus pais (filé mignon à parmegiana com TUDO feito em casa, acompanhado de salada de agrião e arroz com funghi), ouvimos alguns discos antigos. Isso mesmo, 'discos', lp's (long players para quem nunca soube o que a sigla significava) de Dionne Warwick, Romanticos de Cuba e até algumas miscelâneas populares nos anos 1970.
Para quem aprecia, segue um link do youtube para um vídeo da Dionne Warwick e sua voz maravilhosa, o vídeo não é de boa qualidade, mas mistura duas lindas músicas (What the World Needs Now is Love e Alfie) tocadas por seu compositor, o incrível Burt Bacharach.
Enjoy!



domingo, 15 de agosto de 2010

Vinho e Saúde - coisa séria!


No final de semana passado encerrou-se em Gramado (RS), o Congresso da Sociedade Gaúcha de Cardiologia e, em um jantar que reuniu 150 médicos que presidem associações em todo o Brasil, foram servidos vários vinhos e espumantes nacionais, harmonizados com o cardápio criado pelo chef da Escola de Gastronomia de Flores da Cunha, Franco Gioeli. Os vinhos foram apresentados pelo enólogo Antonio Czarnobay, um dos mais importantes de vinicultura gaúcha e que ainda neste ano deve lançar o primeiro vinho com seu nome (ele trabalhou durante mais de 30 anos na vinícola Aurora).
Obviamente que esse jantar foi um sucesso e que os médicos presentes sabem dos benefícios do consumo moderado e consciente do vinho para a saúde, principalmente seu fator protetivo de algumas moléstias do sistema cardiovascular.
No entanto, esta postagem tem outro objetivo.
Provavelmente os leitores que passam aqui todos os dias sentiram falta de minhas notícias e isso tem duas explicações. Uma delas é prática pois eu estive fora do escritório quase todos os dias da semana e outra é o mote desta mensagem: estou sem beber nada de álcool desde o jantar da última 3a feira com as jornalistas.
Como tenho o privilégio de 'ser paga para beber em serviço' tenho que cuidar de meu corpo muito mais do que as pessoas que bebem 'socialmente' - embora eu conheça algumas pessoas que o 'socialmente' parece profissão, dado o volume que ingerem.
Então, a cada mês que eu sei que terei compromissos demais com o mundo dos vinhos, eu dou ao meu corpo uma merecida (e necessária) folga. Ela começa pela ausência total de álcool - refrigerantes praticamente inexistem em minha vida - e por alguns cuidados reforçados na dieta. Isso inclui comer menos carnes (todas, inclusive aves e peixes), ingerir mais verduras verde escuro e frutas cítricas e reforçar os alimentos hoje conhecidos como 'funcionais', tais como grãos integrais, vegetais com licopeno, azeite de oliva etc.
Sim, sou um pouco freak com alimentação. Sou daquelas pessoas que verificam a quantidade de sódio nos alimentos comprados prontos, que faz o que pode para não consumir nada que tenha glutamato monossódico (o realçador de sabor) e que evita totalmente qualquer espécie de gordura trans.
E ainda assim vivo no mundo da obesidade. Mas como diz minha endocrinologista, sou uma gorda saudável, com todos os indicadores (colesterol, triglicerídeos, glicemia, enzimas de fígado e pressão sanguínea) dentro da normalidade.
Por isso posso continuar bebendo com cuidado.
E aqui que quero frisar bastante: CUIDADO. Vinho é excelente, uma cerveja gelada no ponto certo é uma delícia, um coquetel bem feito é um luxo. Mas todos eles contêm álcool, que em determinada medida é veneno para o corpo.
Aliás, nas palavras de Hipócrates, o pai da Medicina, "Que a Comida seja teu alimento e o Alimento a tua Medicina".
Portanto, não se descuidem. Façam uma visita de 'cortesia' para com vocês mesmos ao seu médico ao menos uma vez ao ano. Controlem a ingestão de bebidas alcoólicas e gaseificadas, não exagerem nos doces e nem no sal, caminhem um pouco regulamente, evitem o cigarro a qualquer custo, convivam com pessoas de bem e afastem-se das pessoas nocivas. Alimentem-se com sabedoria e bebam muita água.
Estar vivo já é um privilégio, mas conservar a saúde é nossa obrigação diária, pois só com ela estamos livres para fazer o que desejamos e o que precisamos. E ademais, alimentar-se bem é mais barato do que comer porcarias, só que exige um pouco de dedicação. Ela não é para mais ninguém senão para você mesmo, e para as pessoas que lhe querem bem e desejam desfrutar de sua companhia com uma boa taça de vinho por muitos anos.
E não se esqueçam: a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose.
Bebam com inteligência!

Sim, taça vazia para em pé!


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Por que as francesas não engordam" ou "Por que só o Clint Eastwood é unanimidade"

Ontem à noite, atendendo a um irrecusável convite da Alessandra Casolato, cinco jornalistas se reuniram no restaurante Allez, Allez! do chef Luiz Emmanuel para uma noite deliciosa!
Éramos duas razoavelmente seguidoras do estilo de vida 'Amy Winehouse', embora sem passagens conhecidas por centros de reabilitação e delegacias, duas vegetarianas disfarçadamente bem comportadas e eu - que bem poderia ser a mamma da Amy Winehouse... sem o prontuário, claro.


Da esquerda para a direita: Alessandra Casolato, Alessandra Kianek, Flávia Marcondes, Joana Cunha e eu.
Nos reunimos pois a proposta era ver se a culinária clássica do chef Luiz pode ser adaptada para duas vegetarianas e acompanhada de vinhos intensos para todas as comensais.
Começamos bem, com um espumante Prosecco da Casa Valduga,  sorvido com a Vichyssoise cremosíssima - fria para umas e quente para outras.
Na sequência provamos mix de cogumelos ao vinho do Porto, acompanhado do perfeito Gran Reserva Extra Brut 2004, também da Casa Valduga.


Alessandra Casolato, que levou os vinhos da Valduga e também da importadora Cantu, apareceu com uma surpresa, o Herú, um Pinot Noir da Ventisquero chilena, da safra 2007. Um vinho delicioso e surpreendente que nos fez pedir o auxílio do sommelier para escolher o prato seguinte.
As vegetarianas ficaram com o trigo bulgur com castanhas, frutas secas e legumes - quase um risotto rústico e nós ficamos com o filé mignon ao poivre com batatas rústicas, mas pedimos também um pouco do trigo sem os legumes, pois achamos que aquela combinação daria boa música.


                

Também tínhamos para essa harmonização um dos ícones da Ventisquero, o Vértice 2006, uma combinação potente das uvas Carmenére e Syrah.
Foi aí que os paladares se dividiram e houve quem apreciasse mais o Herú ou o Vértice com o prato.
Como nada naquela mesa era assim tão sério, acabamos por definir que o Pinot Noir era um jovem 'modelo e ator' bonito, leve, sorridente e certamente uma linda companhia. De acordo com as idades das presentes, as identidades desse jovem se dividiram (Rodrigo Santoro, o Jack da série Lost e outros mais). Já o Vértice, mais encorpado e profundo, e ainda assim fresco e potente, foi chamado de um windsurfista quarentão ou cinquentão, experiente e atlético. Mas a identidade dele é que foi difícil de ser definida. Nomes como Brad Pitt, Richard Gere e Antonio Fagundes apareceram. Mas qual não foi a minha surpresa quando a unanimidade ficou por conta do ator e diretor americano Clint Eastwood. 
Gente! O homem está prestes a completar 80 anos... e foi a única unanimidade da mesa. Seja pelo estilo que não leva desaforo para casa (mas fala isso baixinho), pelo jeito de cowboy, pela inteligência ao dirigir filmes difíceis, pela capacidade de capturar a alma dúbia das mulheres bem casadas em "As Pontes do Madison" e por outros tantos motivos, nosso vinho Vértice, acompanhado de batatas rústicas, trigo bulgur com castanhas e o p-e-r-f-e-i-t-o filé ao poivre foi o Clint Eastwood da noite!


       

Para arrematar, como não conseguíssemos definir quais as sobremesas preferidas, pedimos as cinco do cardápio e fomos presenteadas com o Susana Balbo Intenso, um colheita tardia da uva Malbec, que fez bonito principalmente com o gateau de chocolate meio amargo. Todas provamos todas as sobremesas com nosso vinho e esse, doce, feminino, ficou sem identidade artística, coisa que ficará pendente até o próximo evento do clube 'Clint Eastwood de Vinhos'.




Sinceros agradecimentos à equipe do Allez, Allez!, ao chef Luiz e ao sous-chef, ao sommelier e ao maitre e principalmente à Alessandra Casolato por ter nos proporcionado uma noite maravilhosa como essa!
Let the cowboys ride!

É Frio na Videira!

Nas últimas semanas, entrevistando enólogos para algumas matérias da revista ADEGA, acabei perguntando uma coisa que muita gente quer saber e da qual eu só tinha alguma ideia, mas poucas certezas: o inverno rigoroso faz mal para as videiras?
Eu já sabia que mal não faz, pois as videiras são plantas muito resistentes e (como a natureza segue um sábio ciclo) nesta época estão em dormência, guardando energia e aprofundando raízes em busca de nutrientes no solo. Por isso perdem folhas, pois quando a quantidade de sol à qual estão expostas é menor, elas diminuem seus processos e deixam de gastar energia para levar seiva até as folhas, que secam e caem. As fotos abaixo, feitas pela jornalista gaúcha Andréia Debon, mostram algumas vinhas em Flores da Cunha, no mês de julho, em um amanhecer de temperaturas beirando o negativo. Obrigado Andréia, por me permitir usá-las no blog!



Em lugares de frio intenso e contínuo, as videiras podem ficar cobertas de gelo por semanas, sem que isso prejudique a planta.
O que eu não sabia - e quem me contou foi o enólogo chileno radicado no Brasil Carlos Abarzúa - é que esse frio intenso é, na verdade, benéfico para a planta. Ele diminui a possibilidade de pragas causadas pelas mudanças de temperatura e umidade e consequentemente os tratamentos químicos que seriam necessários para as videiras são muito menores - senão inexistentes nessa época, garantindo uma planta muito mais sadia.
A natureza é sábia e precisa, nós é que muitas vezes a alteramos e depois não compreendemos por que os tomates não têm mais gosto de nada, as laranjas são azedas e ressecadas, entre tantos outros produtos sujeitos à sazonalidade mas que nós insistimos em ter em nossas mesas todos os dias.
O frio, em alguns casos, também é um presente incrível para as uvas.
Que o diga a vinícola Pericó, que vai lançar oficialmente no próximo mês de outubro o primeiro Ice Wine brasileiro, obtido com o congelamento das uvas cabernet sauvignon em junho do ano passado, em São Joaquim.
O enólogo Jefferson S. Nunes, proprietário do Enolab de Flores da Cunha, é quem faz esse vinho para a Pericó e me contou há poucos dias que neste ano também conseguiram algumas poucas uvas congeladas e que ele recém iniciou o processo de fazer algumas (muito poucas) garrafas do que seria a segunda safra desse raro vinho. É bem provável que essa safra - de tão pequena - nem seja lançada comercialmente, mas sirva sim como controle e estudo desse diferenciado vinho.
Na foto abaixo, uma parte da colheita das uvas congeladas no ano passado, em São Joaquim (SC).




terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Vida Precisa de Tempero!

As fotos a seguir foram feitas com as ervas que utilizamos como enfeite e para colocar nas pizzas da festa de domingo.
Mas seu conjunto era tão bonito que não resistimos e eu e meu marido fizemos dezenas de fotos.
As mais lindas são da flor da cebolinha (cultivada orgânicamente por meu primo Giulliano).
Vocês também vêem nossa gata xeretando tudo, no último dia em que a casa ficará com os móveis em lugares trocados.
Amanhã tudo volta a ser como era antes.