Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Com quantos Bettús se faz um bom vinho?

Que eu sou fã da inteligência e do trabalho de Orgalindo Bettú (enólogo da Villa Francioni em SC), não é novidade para ninguém.
Ele está na foto abaixo, mostrando o vinhedo da empresa, três anos atrás, quando eu o conheci. É daquelas pessoas que são um presente para os jornalistas, tudo o que ele fala parece publicável e interessante.


Mas faltava eu conhecer o irmão mais velho de Orgalindo, Vilmar, que vive na antiga propriedade da família, numa zona quase rural da cidade gaúcha de Garibaldi (foto abaixo, de uma parte da propriedade).


Da mesma forma que dizem que toda vinícola tem seu fantasma, todo país que produz vinhos tem seus personagens míticos, seus 'não-conformistas', que dão um tempero diferente ao mosto. Vilmar Bettú é um deles.
Há anos venho escutando 'estórias' que afirmam até, que se você marcar com ele, chegar lá e ele olhar para sua cara e não for com ela, ele fechará a porta sem dizer sequer um bom dia...
Convenhamos, não há coisa pior do que isso para um jornalista: porta fechada na cara.
Bah!
Mas felizmente, eu tenho amigos! Com o auxílio do próprio Orgalindo, do Celito e da Eliane, consegui o telefone e um encontro.
Claro que como tantas coisas 'míticas' a realidade não era exatamente o que a ficção pregava.
Fui recebida por um Vilmar simpático, atento, esperto de verdade. Aquilo que aqui no interior de São Paulo chamamos de matuto.
Ele logo apresentou uma parte dos espaços que fizeram sua fama, a pequena área onde são feitos seus vinhos, as salas subterrâneas onde guarda os garrafões (!!!) de varietais e começou a contar um pouco de sua história.



Formando em engenharia mecânica, trabalhou por um bom tempo na Mitsubishi. Morou em outras cidades, casou, criou filhas, mudou de emprego, aposentou e resolveu dar aulas de física para a garotada numa das escolas da cidade de Garibaldi.
Os vinhos sempre fizeram parte do dia-a-dia da família, o pai - com mais de 90 anos - vive na casa que fica acima da 'cave' de Bettú, e cultivava uvas, mas não apenas as americanas, por lá já existiam Peverella, Malvasia, Trebbiano, entre outras.
Há pouco mais de dez anos, Vilmar resolveu fazer seus próprios vinhos. Em princípio Orgalindo ajudava, mas o trabalho na Villa Francioni o afastou da lida em Garibaldi e Vilmar continuou fazendo os vinhos da maneira que quer.
E é aí que as coisas ficam realmente interessantes. 
Como não tem o 'comércio' dos vinhos como objetivo de vida, Vilmar faz o que quer, da maneira que quer.
Compra as uvas que acha que estão boas, de produtores que ele vigia como ave de rapina para saber se o que vai chegar na cantina é mesmo de qualidade, pisa as uvas em lagares de madeira, se recusa a prensar o bagaço pois acha isso uma ofensa aos bons frutos, vinifica em pequenos (mesmo) tanques e depois coloca alguns dos vinhos em garrafões ou em barricas novas ou de segundo e terceiro uso.



Quando resolve 'misturar', pega os garrafões e compõe seus vinhos.
Simples não é?
Claro que não. 
Com garrafas que podem chegar a custar 700 reais (isso mesmo, setecentos), seus vinhos são tudo, menos simples.
As uvas podem ser Merlot, Chardonnay, Tannat. Mas também podem ser Rebbo, Pinotage, Teroldego, Alicante Bouschet entre outras pouco comuns aos brasileiros.
Seu estilo é marcadamente do Velho Mundo, com potência onde ela precisa estar e delicadeza onde ela é necessária.
Ele me serviu um rosé encantador (tive que comprar uma garrafa), um espumante de Chardonnay sem degórgement (sem tirar a levedura e complementar com o licor de expedição), dois tintos excelentes (um corte bordalês de 2001 e um Tannat 2003/2004) e uma enorme dose daquilo que os jornalistas vêm buscar: um pouco de poesia, um pouco de ciência e um pouco de caricatura.


Mas por trás disso tudo, Vilmar me pareceu ser um homem daqueles que tem a rara possibilidade de fazerem o que apreciam. Um autodidata que não precisa prestar contas para ninguém, e que se vale um pouco do misticismo que o envolveu ao longo dos anos para seguir trabalhando e vendendo.
Onde isso fica claro? Sua cabeça de engenheiro é excepionalmente racional, sua 'aparente' desorganização é um pouco estilo e um pouco fachada, pois seu estoque de vinhos já engarrafados é precisamente organizado, mantido em temperatura controlada e todo numerado.
Para completar o quadro, sua filha é enóloga e trabalha para uma importante empresa do Vale dos Vinhedos.
De minha parte, continuo achando que os Bettú nasceram para fazer grandes vinhos (e ao que parece, cobrar caro por eles é de família também), são homens de rara inteligência, mal disfarçados em 'gente do campo'.
Descobrí-los é abrir uma porta muito interessante e peculiar na história (e na realidade) do vinho brasileiro.
Obrigado Vilmar, por ter me recebido em sua casa!




domingo, 5 de junho de 2011

Mensagem de Junho!

"Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma - which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of other’s opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary". (Steve Jobs)




"O seu tempo é limitado, assim, não o perca vivendo a vida de outra pessoa. Não seja enganado pelo dogma - ou seja, não viva de acordo com os pensamentos e ideias de outras pessoas. Não permita que o ruído das opiniões alheias encubra sua própria voz interior. E o mais importante, tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles, de alguma forma, já sabem aquilo que você verdadeiramente quer ser. Todo o resto é secundário" (Steve Jobs)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comida de novo...

Tenho entrado no assunto das comidas com certa frequência pois são realmente poucas as ocasiões nas quais podemos beber sem comer.
Aliás, de minha parte, sugiro que nunca façam isso, principalmente aqueles que tem mais de 30 anos (risos).
Enfim, vinho e comida andam juntos pelo mundo, e fiquei sabendo (na semana passada) que minha querida Bruna Cristófoli começou a servir alguns paninis em seu espaço, lá no distrito de Faria Lemos (Bento Gonçalves), onde fica a vinícola Cristófoli.
Ela me enviou a foto abaixo que publico com muito gosto e fome!


A porção tem três opções. Ela me contou os detalhes assim:

"Um é de copa, pepino e o molho é de mostarda (daquelas boas, com um pouquinho de maionese pra não ficar fortão.) Outro é de salame, queijo e o mesmo molho, e o terceiro é sem carne, requeijão (mas damos preferência para usar 'puína' um derivado do leite, feito quando se faz queijo, que compramos de uma senhora daqui, parece queijo cottage) com um pouquinho de maionese e ervas frescas da horta, e tomate. Só isso. O pão é a minha mãe quem faz, sovado à mão. Os embutidos são do frigorífico Gasperin, daqui de Bento Gonçalves, que faz produtos muito típicos e bons"

Os três paninis mais uma taça de vinho (sugiro o tinto da uva Sangiovese, feito pela Bruna) vão custar R$ 15,00 (sim, pessoal, quinze reais) e estão sendo lançados em comemoração ao Dia Estadual do Vinho.
Se as pessoas gostarem, devem ficar como 'assinatura' da casa, que tem o mesmo charme das propriedades dedicadas ao agriturismo na Itália.
Quem ajudou a desenvolver o tamanho do pão e os variados recheios (existem outros, mas por enquanto esses estarão sendo oferecidos) foi o chef Laércio, que eu conheço de longa data, dos muitos anos que trabalhou na Valduga. Lembro-me que ele viajava todos os anos para a Itália, para um curso novo de gastronomia, e voltava cheio de novidades.
O espaço onde serão servidas essas delícias está nas fotos abaixo. Vejam que charme!



As comemorações do Dia Estadual do Vinho começaram dia 27 de maio e vão até dia 5 de junho, ocorrendo em vários municípios e com uma enormidade de atividades, descontos em compras, visitas etc.
Se estiverem pelo Rio Grande do Sul no próximo final de semana e quiserem saber um pouco mais, visitem o site: http://www.diadovinho.com.br/evento#conteudo

Bons goles e Bom apetite!



terça-feira, 31 de maio de 2011

Sabores da Serra


Estava frio lá pela Serra Gaúcha, especialmente no sábado quando fomos ao distrito de Pinto Bandeira. Por lá é sempre um pouco mais frio, e nem o sol que deixava o céu muito azul era forte o suficiente para aquecer.
Felizmente, preparados como são para os rigores invernais, os gaúchos fazem com que o frio esteja limitado somente às àreas livres.
São lareiras, aquecedores, salamandras e fogões à lenha que aquecem todos os lugaresm e ainda acrescentam charme.
Mas o mais bacana é que nesta viagem provei uma porção de sabores novos. Na quinta-feira, pouco depois de chegarmos, fomos com o Diego Bertolini e a Andréia Gentilini Milan do Ibravin, para um agradável jantar no CantaMaria. É sempre bom comer lá, pois mesmo sendo parada obrigatória para turistas, também é frequentado pela massa crítica local, o que obriga o ambiente a estar sempre bem cuidado e a cozinha atenta.


Nessa foto acima está a mesa de saladas de um local que eu não conhecia (embora tenha passado em frente inúmeras vezes), é o Sapori & Piaceri, ao qual fomos com o Vinícius da Salton. 
Uma casa antiga, remodelada e decorada para ser um 'histórico chique'. E funcionou muito bem. É um buffet de saladas (tem sempre uma sopa para aquecer a boca ao chegar) com opções bem cuidadas e apresentação mais contemporânea.
Depois é servido um prato quente do dia que, na sexta-feira, era bacalhau desfiado cremoso e gratinado, acompanhado de arroz integral com grãos (foto abaixo). Delicioso e substancioso, caiu muito bem acompanhado de uma taça de Chardonnay Volpi!


No jantar tivemos o prazer de estar em um dos restaurantes que conheço bem, na Casa Valduga.
O que é interessante por lá é que, embora esse seja o restaurante mais antigo da Casa - apenas dentro do complexo de pousadas da vinícola são três restaurantes - o cardápio foi renovado pelo chef Daian, assim provamos uma sopa creme de cenoura com gengibre e mel (estava deliciosa!), um prato de massa que faço questão de mostrar aqui (foto abaixo), que é o mesmo capeletti que vai na sopa, só que para esse prato é feito um pouquinho maior, com creme de queijo, lâminas de amêndoas e sálvia. Uma forma criativa e saborosa de 'revisitar um clássico', como se diz no mundo da gastronomia.


Depois da massa, comemos um filé ao ponto, com molho reduzido de vinho tinto, acompanhado de purê de abóbora, que aqueceu o paladar.
No dia seguinte fomos recebidos para almoçar pela família Giovaninni, naquele que - para mim - é um pedaço da Toscana brasileira. Toda vez que vou até a Pousada e vinícola Don Giovanni volto com duas dúzias de fotos. Desta vez fotografei um carramanchão de kiwis, bem em frente da pousada, e o André Giovaninni me explicou que eles não amadurecem no pé, precisam ser colhidos em um ponto ideal e deixados para amadurecer. 


Antes do almoço fomos levados para uma visita às caves e também aos vinhedos e depois de chegarmos ao mirante um de nossos anfritiões apareceu com um balde, espumante rosé e taças e brindamos entre os parreirais, na linda (e fria!) manhã de sábado.


Quando voltamos para a sede, a mesa no restaurante do subsolo da pousada estava quase pronta. Dona Beatriz, a matriarca do Giovaninni, é uma conhecedora de alcachofras e há muitas plantas em sua propriedade. Ela nos contou que colheu 20 mil kg no ano passado e que congela uma boa parte para continuar servindo seus pratos mais típicos, como a salada com fundo de alcachofra e o risotto que foi preparado para nós com os pedaços saborosos e firmes, como se tivessem sido colhidos ontem.


Partilhamos da refeição com a família e ainda provamos a cassata com calda de espumante e com calda de vinho tinto, que aparece na foto abaixo (acreditem, essa luz é natural, e vinha de um raio de sol que passava pelo vitral da janela ao lado), acompanhada de uma taça de espumante DG Nature.



Os gaúchos da serra, como bons descendentes de italianos que são, adoram uma pizza. Embora muitos deles tenham o costume 'meio carioca' de estragar a pizza com catchup e mostarda.
Mas os amigos com os quais eu fui jantar eram "meio" paulistas (uma de Campinas e outro daqui da capital, mas que vive em Bento Gonçalves há mais de 4 anos), assim nossa pizza era muito tradicional: 1/3 com presunto tipo Parma, 1/3 portuguesa e 1/3 atum. Tudo devidamente comido com bons goles de Pinot Grigio da campanha gaúcha.
Infelizmente, como a fome era grande, a foto mostra apenas o final da pizza...


Eu quis falar desse assunto hoje pois tenho observado com grande interesse a evolução da gastronomia na região. Claro que ainda existe muito galeto, sopa de capelim, salada de radicci e polenta brustolata, e eu nem acho que isso deva sumir, é gostoso e tradicional. Mas como a região começa a atrair ainda mais turistas e já há um bom grupo de pessoas (como eu) que visita a região com frequência, é bom saber que existem opções de qualidade na mesa assim como existem na taça.
Bons bocados e bons goles!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Homens do Vinho

Esta é a tricentésima postagem do blog, então o que era para ser uma coisa mais séria acabou de se transformar em um misto de seriedade e descontração.
Cheguei ontem do sul do país com algumas histórias para contar e várias fotos, mas resolvi separar algumas delas em torno de um assunto diferente.
Eu costumo dizer que, quando um dono de vinícola ou enólogo está abrindo uma garrafa de seu próprio vinho ele deve ser fotografado.
Não chega a ser um momento 'íntimo' no sentido que a maioria das pessoas pensa, mas sim no sentido de que aquele produto - no qual está o trabalho, a crença e a expectativa de um homem/uma família/uma empresa - é sempre uma nova surpresa, uma nova descoberta até mesmo para quem o faz.
Por isso selecionei, entre as fotos que fiz nos últimos dias, as imagens desses homens para compartilhar com vocês.


Na foto acima, está o sommelier Vinícius Santiago na ponta esquerda e o enólogo e diretor da Salton Lucindo Copat na ponta direita. Entre eles estão Juliana Reis (do SENAC) e Fernanda Orellano (diretora  da Escola Argentina de Sommeliers) brindando com o espumante Reserva Ouro.


Acima, o enólogo Flávio Pizzato, na sede da empresa no Vale dos Vinhedos, abrindo uma garrafa de seu Cabernet Sauvignon.


Servindo uma taça de espumante 130 está o enólogo Eduardo Valduga, adivinhem de qual vinícola?


Nascido no Chile  mas convenientemente adotado pelo Brasil, o enólogo Carlos Abarzua aparece no meio da foto, apresentando as instalações da Vinícola Geisse, em Pinto Bandeira. 


André Dreher Giovannini, da Vinícola Don Giovanni, abrindo um espumante rosé no mirante em meio aos vinhedos, em Pinto Bandeira.


Daniel Panizzi, abrindo um Merlot 2006 da Don Giovanni, deixado para mim pelo enólogo Luciano Vian, que estava (mui acertadamente) viajando com a esposa que fazia aniversário.


Vilmar Bettú, um dos personagens míticos da vitivinicultura brasileira, abrindo uma garrafa de seu Chardonnay, em Garibaldi.

As últimas duas fotos não são, obviamente, desta última viagem, mas resolvi colocá-las aqui pois o assunto está em pauta. O personagem da foto abaixo, André Peres, é um jovem e promissor enólogo que tive o enorme prazer de reencontrar neste final de semana, com sua esposa Gisele (também enóloga). Ele trabalha na Vinícola Aurora e na foto está analisando a rolha do vinho tinto comemorativo aos 80 anos da empresa.


Por fim, abaixo está o enólogo Desiderio Bisol, da vinícola Bisol, na região do Vêneto, (Itália) um dos maiores produtores de espumantes Prosecco (a uva agora se chama Glera), que conheci em fevereiro deste ano.


Sei que as mulheres provavelmente vão apreciar mais do que os homens, mas repito que o objetivo não é (apenas) esse. O vinho é um produto que há milênios pertence à história da humanidade, e é um dos poucos que além de alimentar e dar prazer, é capaz de integrar pessoas.
Um enólogo brasileiro muito importante (professor Firmino Splendor) me disse uma vez: "O vinho é um dos poucos produtos que, mesmo depois de ser consumido, muita gente ainda quer saber como ele é feito e, se puder, quer conhecer quem faz e participar do processo". Assim, em homenagem aos homens (e também às muitas mulheres) do vinho, fica aqui esta 300a postagem.
Bons goles e excelente semana para todos!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A caminho de Bento Gonçalves!

Faz pouco mais de três meses que estive lá pela última vez, mas confesso que já estou com saudade de Bento Gonçalves e vou aplacá-la um pouco a partir de hoje.
Sigo para Porto Alegre na hora do almoço (se tudo der certo com avião, aeroporto e nevoeiro) e de lá subo para a serra.
Ficarei até a manhã de domingo, trabalhando ao lado de pessoas amigas, o que é uma sorte e um privilégio!
Claro que voltarei com notícias fresquinhas, pois vou visitar sete vinícolas, uma das quais eu não conheço e duas que faz muito tempo que não visito.
Deixo aqui uma foto linda do gaúcho Gilmar Gomes, que mostra o outono nas parreiras do Vale dos Vinhedos.
Bons Goles e até a volta!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Locanda da Lino - Solighetto (Treviso) - Itália


Para aqueles que me perguntaram qual era o restaurante na Itália com aquele atrativo prato de antepastos, aqui estão algumas fotos e informações.
A foto acima não é minha, pois estive lá no inverno e esse lindo jardim externo só funciona na primavera e no verão.
Chama-se 'Locanda da Lino' e fica na estrada do Prosecco, saindo da cidade de Conegliano com destino a Brennero, no pequeno vilarejo de Soligheto. Tudo isso fica na região de Treviso, no que eles chamam de 'sopé dos Alpes', bem embaixo das montanhas Dolomitas.
É uma 'Locanda' pois se pode comer e dormir. São vários ambientes, como uma enorme casa que foi se expandindo e acomodando cada vez mais espaços. Pequenas salas para refeições mais privativas, salões para festas, uma incrível adega subterrânea (que pode ser fechada para um evento) e vários quartos na frente, cada um com uma decoração diferente e rebuscada, alguns até com pequenas cozinhas e sala de jantar, onde o hóspede pode receber amigos com o serviço do restaurante e toda a discreção de estar em uma casa.
Sinto que minhas fotos não são muito boas, pois era noite e eu havia viajado muito naquele dia, além do ambiente ser bastante rebuscado. Mas vou colocá-las assim mesmo:

A entrada

Um dos salões principais acima e abaixo (são caldeirões de cobre pendurados por todo o teto)


Parede-vitrine que divide espaços e guarda uma parte da coleção de cristais e vidros

Uma das salas de refeição fica dentro da cozinha, onde há o 'menarosto', grill giratório à carvão também utilizado em algumas de nossas cidades do sul, como em Flores da Cunha

Parte da adega subterrânea, onde ficam os vinhos que saem mais - por isso as garrafas em pé

O prato de antepastos. Foi pedido assim: uma seleção do que estivesse disponível naquele dia em pequenas porções. Estávamos em cinco pessoas e vieram sete pratos diferentes, cada um com uma quantidade suficiente para ser dividida entre todos e mais uma bela cesta de pães

O prato quente também foi escolhido entre os que estavam disponíveis no dia, sem olhar cardápio nem nada e para 'me agradar' de certa forma, pois eu disse que desejava comer o que fosse mais típico. Assim foi servida uma longa travessa com frango ao menarosto (um assador lento), pedaços de costela de vaca, polenta mole branca, feijões brancos em molho de tomate, pequenas batatas jovens sautês e escarola refogada.


A sobremesa foi diferente para cada pessoa. A minha era um sorvete de pistache, cuja foto ficou realmente impublicável, desculpem-me.
Tudo isso foi acompanhado de espumante Prosecco Superiore, duas garrafas diferentes, o primeiro um pouco mais frutado e o segundo mais seco. Infelizmente nenhuma das duas marcas é comercializada no Brasil.
Óbvio que não sei quanto custou esse jantar, pois eu estava acompanhada pelo diretor do Consorcio de Produtores de Prosecco, entre outras pessoas.
Eles estão na foto abaixo.


Completando o que escrevi ontem, acredito que abundância é, como dizia minha família, quando não há falta e não quando há excesso. Quando existe equilíbrio entre o que precisamos e o que apreciamos, quando existe disposição para aproveitar o que a vida lhe dá de bom, pois de nada adianta ter muito e não usar, ser mesquinho ou viver com medo de perder.
E mencionando uma música infantil do desenho Mogli na versão da Disney: "Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais! Eu uso, o necessário, somente o necessário, por isso é que essa vida eu vivo me paz!"
Bons goles!