Colheita 2016

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Marketing que funciona com jornalista!

Recebi, na semana passada, dois "presentes" ligados ao vinho brasileiro.
Na verdade um marketing muito bem posicionado, coisa que nem sempre acontece no mundo do vinho (muitas vezes por conta das próprias pessoas que recebem o presente).
Da Vinícola Pericó de Santa Catarina eu recebi três garrafas dos primeiros vinhos que ficaram prontos neste ano, ainda sem rótulo, ainda sem previsão de lançamento. Mas com um cartão escrito à mão pelo proprietário. Nestes tempos de comunicação eletrônica, no qual se defende que os alunos não precisam mais saber escrever à mão, isso é uma delicadeza maior ainda.
As garrafas são uma prévia do que virá por aí. Tem coisa que jornalista gosta (e precisa) mais do que isso (informação em primeira mão)? Claro que não.
Sei que o presente foi enviado para algumas pessoas e assim gera um interesse, uma curiosidade em saber como vão ficar esses vinhos quando chegarem ao mercado e, principalmente, para aqueles que degustam conhecimento além de aromas e sabores, é uma oportunidade de conhecer a evolução de um produto. Ajuda a poder fazer críticas melhores, mais bem embasadas do que aquelas do tipo: "provei uma vez e não gostei".
Grande sacada!


O outro presente foi da simpática Vinícola Courmayeur (sim, o nome é complicado, mas os espumantes deles são muito fáceis de beber) de Garibaldi. Na foto abaixo está a entrada da vinícola, com uma porção de convidados, em uma visita que fiz no ano passado.


Eles enviaram uma pequena caixa, com o nome 'Retrato' na tampa. Ao abrir, como um porta-retrato, um forro dourado e sobre ele um saquinho com terra. Terra não, solo. Uma amostra do solo franco-argiloso onde são plantadas as videiras da empresa, com dados impressos como profundidade, altitude, latitude e longitude. 
É nesse solo que as plantas se desenvolverão para gerar os frutos, que se tornaram algumas das muitas garrafas de espumante deles (foto abaixo).


Presente bacana é outra coisa não?
Bons goles e feliz outubro, que chegou tão rápido que nem tive tempo de falar sobre isso.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Era uma vez...

...uma vinícola chamada "Companhia Vinícola Riograndense", da cidade de Flores da Cunha (RS).
Ela foi muito grande para os padrões brasileiros do começo do século passado. Chegou a ser a maior do país.
Segundo o livro "Presença do Vinho no Brasil", do mestre Carlos Cabral, em 1938 eles lançaram os primeiros vinhos com as variedades das uvas no rótulo, criando nos brasileiros o hábito de pedir vinhos pela cepa.
A marca desses vinhos? Granja União. Na foto ao lado estão as terras dos antigos vinhedos da empresa, que se desfez na década de 1990.
Os vinhedos ficaram com a vinícola Luiz Argenta, que recuperou o solo, a casa antiga e construiu a mais moderna e inovadora vinícola do país. Já falei deles aqui, por isso não vou me alongar nessa parte.
As terras, como disse, ficaram com a Luiz Argenta, mas a marca foi parar no Vale dos Vinhedos, na Vinícola Cordelier. É uma propriedade impressionante, logo na entrada do Vale dos Vinhedos, lembrando à todos que estamos em 'terras de imigrantes' com sua arquitetura à la Toscana (foto abaixo).


Os vinhos da Cordelier são bastante premiados, seus espumantes de alta qualidade e seu tinto Equilibrium, são legítimos representantes do que o Brasil faz bem, pelas mãos do enólogo Dario Crespi.
A linha Granja União permanece firme, com muitos varietais.
Nesse mesmo prédio que se vê acima, fica a loja e um restaurante muito diferenciado, o Don Ziero (foto abaixo) onde já estive várias vezes e sempre saí satisfeita, seja com o atendimento, com o ambiente e com a comida. 


Mas agora, tudo muda de mãos. O proprietário da Cordelier (Lídio Ziero) vendeu a marca Granja União para a Cooperativa Vinícola Garibaldi e vendeu as instalações da empresa para uma fábrica de destilados de uma cidade próxima. A marca Cordelier, no entanto, permanece em seu poder, mas ainda não se sabe o que será feito dela.
Há algum tempo vinham circulando rumores de que a vinícola não ia bem. Mas rumores devem ser escutados com muito cuidado, pois podem ser enganosos. Que a vinícola estava à venda, isso eu já sabia há algum tempo, mas não imaginei que fosse ser loteada, com as marcas para vários lados e a estrutura para outro.
É triste.
No entanto, toda história tem mais de um lado, e esta tem o lado de quem comprou a marca Granja União. Um lado bem mais feliz. Na foto abaixo está Oscar Ló, presidente da Cooperativa Garibaldi, a nova proprietária da marca.


A Garibaldi tem vários motivos para comemorar, pois amanhã celebrará 80 anos de fundação, com uma festança para seus quase 340 associados, e planeja dobrar a venda de vinhos finos com a entrada da Granja União em seu portfolio. 
Em 2010 a empresa comercializou 280 mil garrafas de vinhos finos, o que já representava um acréscimo de 45% em relação à 2009, segundo dados informados pela própria empresa.
Quanto às mudanças que serão feitas na nova aquisição, elas serão muito pequenas, segundo afirma Oscar Ló: "Só iremos acrescentar um moscatel e mudaremos o espumante brut, mas permaneceremos com o riesling, malvasia, merlot, cabernet franc, cabernet sauvignon e tannat”, revela Oscar, “Não tem por que modificar um produto plenamente aprovado pelo consumidor”.

Agora, só resta saber no que se transformará a bela estrutura da Cordelier, o seu agradável restaurante e para onde irão funcionários que há décadas se dedicam aos bons vinhos brasileiros.
Rei Morto, Rei Posto.