Colheita 2016

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Jornalismo de Cozinha e Taça


Existe no jornalismo uma prática chamada 'cozinhar a notícia', que significa que você pegou uma informação que outro jornalista deu (ou mesmo apenas um release de uma assessoria de imprensa), modificou um pouco o texto e publicou como coisa nova. Não checou informações, não fez entrevistas e não buscou ampliar o assunto.
Isso já era comum no passado, entre os jornalistas preguiçosos e entre os muito atarefados, mas hoje virou (mantendo a metáfora na cozinha) 'carne de vaca'. Até porque todo mundo (e qualquer um) pode ser jornalista e as informações (verdadeiras e falsas) estão na internet à disposição de qualquer um.
Nos blogs então, é o ganha-pão de muita gente, pois para muitos 'patrocinadores' o simples fato de alguém ter publicado uma informação de sua empresa já é motivo para se dar um dinheirinho ou um agradinho para a pessoa.
Por conta disso, é que me dá uma enorme satisfação fazer parte de um projeto que, mesmo totalmente temperado por metáforas de cozinha - que são sua essência e razão de ser - nada tem dessa prática jornalística bastante lamentável, que se vale da confiança do leitor/ouvinte/telespectador.


Fui convidada pelo editor de gastronomia de VEJA São Paulo, Arnaldo Lorençato, para fazer a seção de Vinhos do especial Comer & Beber 2011/2012, uma edição de 612 páginas com o que há de melhor em Bares, Restaurantes, Comidinhas e, é claro, Vinhos, na capital brasileira da gastronomia.
Minha missão era visitar lojas, importadoras e supermercados por toda a cidade e conhecer seus estoques, seus produtos exclusivos, sua estrutura e os preços praticados. Meses de trabalho depois, são publicados 80 endereços, dos quase 100 que eu apurei.
Minha limitação (fácil de cumprir para quem respeita o que faz e o leitor que é nossa razão de ser): não ter nenhum vínculo com nenhuma empresa que faça ou venda vinhos, não aceitar brindes ou presentes de nenhum tipo e não vincular esse trabalho a nenhum outro que eu esteja fazendo no momento.
Ontem, em uma enorme e concorrida festa, a revista foi lançada e foram premiados os melhores em 43 categorias entre os 1.320 estabelecimentos avaliados pela equipe da revista e por jurados convidados.



 A festa aconteceu no espaço HSBC Brasil e foi apresentada pela atriz Claudia Raia, com um vestido de seda verde pepino e com um coque que parecia um brioche. Poderosa, linda, alta e impecável nas mais de 2 horas em que passou apresentando todas as categorias, ela estava em um palco todo enfeitado com taças de vinho (foto mais azulada, acima).
O mundo da gastronomia paulistana estava lá, e alguns dos premiados estavam realmente emocionados, como a chef Janaína Rueda (do Bar da Dona Onça que vocês já viram por aqui) e o sommelier Tiago Locatelli, do Varanda Grill.
Na saída do evento, um bem montado café e uma saborosa mesa de doces aguardavam os convidados que, finalmente, puderam receber a edição deste ano que pesa mais de 900 gramas.
Os assinantes de VEJA irão receber a revista amanhã em suas casas, mas o público paulistano poderá comprar nas bancas da cidade e em algumas do interior.
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Aproveito também para falar do Guia ADEGA de Vinhos do Brasil que (não existem coincidências) chegou às minhas mãos no mesmo dia da publicação da VEJA SP.


Quero destacar uma frase do Editorial que está na foto acima: "Decidimos fazê-lo como aqueles que desbravam novos terroirs, sem qualquer preconceito, plantando sem alarde e investindo, independentemente do resultado, em nossa crença de gerar um produto independente editorialmente, capaz de capturar corações e contribuir para o desenvolvimento da vitivinicultura em nosso país".
Não fui eu quem a escreveu, obviamente, mas assino embaixo com convicção, pois é nisso que acredito. É com respeito ao leitor que os bons produtos são feitos e são capazes de sobreviver ao teste das safras.


Ao final desses dois trabalhos que foram bastante longos e por vezes cansativos, quero agradecer algumas pessoas sem as quais a vida teria sido mais difícil e outras cujas informações fizeram parte dos trabalhos, embora seus nomes não sejam mencionados nas edições:
São eles: Cristiano Rosa, Isabel e Etore Mascella, Juliana Reis, Arnaldo Grizzo, Lucinara Masiero, Associação Brasileira de Enologia (em especial Christian Bernardi e Daniel dalla Valle), Embrapa Uva e Vinho (em especial os drs Jorge Tonietto e Celito Guerra) e aos mentores Arnaldo Lorençato e Christian Burgos.

Excelentes e honestos brindes, desejando um bom final de semana!





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GUIA DE VINHOS DO BRASIL

Caros leitores do blog Vinho Verde Amarelo, é com muito prazer que posso - finalmente - contar para vocês uma das coisas que estive fazendo nos últimos meses em prol dos vinhos brasileiros: o Guia ADEGA Vinhos do Brasil.
A ideia estava na cabeça dos editores da Inner (o publisher Christian Burgos e o editor Arnaldo Grizzo) há mais de um ano. Mas a empresa teve o prazer de poder fazer a edição brasileira do guia Descorchados (do chileno Patricio Tapia), que foi lançado na última Expovinis, e isso tomou bastante tempo.
Com o Descorchados entregue (para quem não sabe o guia é um sucesso editorial em muitos países, com várias centenas de vinhos chilenos e argentinos degustados, pontuados e comentados), o guia brasileiro começou a ser feito.
Isso tudo aconteceu há vários meses e de lá para cá estivemos degustando, pesquisando e escrevendo essa primeira edição que mostra, mais do que tudo, a diversidade da produção nacional e o patamar de qualidade que muitos produtos já alcançaram.
Como colaboradora da revista ADEGA há quatro anos, dedicada na maior parte do tempo aos vinhos nacionais, ainda assim me surpreendi com vários produtos que eu não conhecia (entre vinícolas novas e antigas) e fiquei muito feliz ao notar quão poucos vinhos ficaram de fora por problemas de qualidade.
Tenho certeza que uma degustação como essa não poderia ter sido feita 10 anos atrás, pois os vinhos brasileiros evoluiram muito nesse curto espaço de tempo.

Os 275 vinhos degustados (isso mesmo pessoal!) foram provados às cegas por mim e pelo enófilo e colega editor de ADEGA Eduardo Milan (foto abaixo), em várias etapas, todas com o apoio da equipe do restaurante Praça São Lourenço em São Paulo e do sommelier Nei.
Claro que alguns produtos ficaram de fora, pois não tínhamos como receber toda a produção nacional sem chamarmos a atenção para o projeto que, ao menos nesse primeiro momento, deveria ser secreto para garantir que não nos fossem enviadas garrafas 'especiais', só para serem degustadas para um guia.
Assim, os produtores nacionais (algumas vezes através de associações e entidades) foram convidados a enviar os produtos que quisessem, desde que ainda estivessem em comercialização no mercado e, preferencialmente com safra de 2008 em diante.
Confesso que nem eu mesma sei todas as amostras que chegaram, pois para garantir a integridade da degustação, enós degustadores não podíamos saber o que já estava na redação e o que não estava.

O fato é que, 100 dias depois de nossa primeira degustação, o Guia ficou pronto!
Acredito que os enófilos vão encontrar muitas informações úteis e uma outra facilidade: a compra em bancas de jornal por um tempo determinado e também no site www.lojaadega.com.br O preço está por volta de R$ 25,00.
Bons (e brasileiríssimos) goles!