Colheita 2016

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Unindo os pontos (decorando para o reveillon)

Quase todos nós, durante a nossa alfabetização, fizemos o exercício (e muitas vezes a brincadeira) de unir os pontos. Útil para desenvolver a atenção, a coordenação motora e, obviamente, a capacidade de perceber quais os pontos que devem ser ligados para formar a letra ou o desenho que lá está.
Receber em casa é como um jogo de unir os pontos: limpar, arrumar, escolher, selecionar, preparar.
Mas muita gente pensa que deve ter sempre coisas novas, louça, vinhos, receitas, pois não consegue "ver o desenho final" com aqueles 'pontos' que já tem em casa.
A festa da passagem de ano é, para a maioria das pessoas, uma festa menos formal do que a do Natal. Até porque um enorme número de brasileiros vai para as praias nessa época, e a praia não é, normalmente, um lugar formal.
Eu penso um pouco diferente. Acho que a descontração natural do dia 31 de dezembro pode ser bem casada com uma mesa elegante, um cardápio leve e refinado e excelentes vinhos, mesmo que você esteja na praia.
No entanto, para isso é necessário um bom planejamento: quantas pessoas virão? Haverá crianças e adolescentes (eles podem precisar de um cantinho só para eles e muitas crianças precisarão dormir antes da festa), que tipo de comida servir? Quais bebidas?
Uma vez tomadas as decisões básicas (número de pessoas e alimentos) comece a olhar à sua volta e pensar qual o clima você quer proporcionar aos seus convidados.
Se houver espaço, livre-se dos excessos da casa (móveis pequenos, decorações que ficam pelo chão) e tire o máximo de enfeites dos armários e aparadores. Quanto à decoração de Natal, pode ser até interessante já desmontar uma parte dela.
Depois, faça escolhas que sejam complementares: louça lisa para toalha estampada e louça estampada com toalha lisa. Mas brinque com os estilos e se não houver louça igual para todos, não se preocupe, ao contrário, faça disso uma brincadeira e use, por exemplo, para 12 pessoas três pratos de cada uma das estampas, isso vai parecer proposital, ao invés de três pratos de outra estampa para completar os 15 que seriam necessários.
Mas principalmente, abra seus armários, procure aquela travessa ou aquele jogo de travessas que uma tia deu e você nunca usou, transforme bules floridos em vasos com mini-flores e saladeiras enormes em baldes para garrafas ou latinhas de refrigerante.
Selecionar é, nesse momento, o mais importante. Pense em flores frescas e não em flores de pano ou plástico que - por mais bonitas que sejam - não estão vivas e esse é um dia de celebrar com coisas vivas.
Pegue todos aqueles vasinhos que ficam no beiral da janela, lave-os bem e coloque flores novas neles (existem hoje nos supermercados vasinhos de flores que custam R$ 1,50 cada) e faça um centro de mesa florido, com as fitas que sobraram do Natal e algumas bolas.
Quer uma ideia genial? Que tal pedir a boa sorte com vasinhos de trevo?
Não tem taças para todo mundo? Ora, quem tem? Somente os restaurantes e é bem provável que você repare mais nisso do que seus convidados. Novamente é hora de fazer o avesso ficar certo: encontre uma linda bandeja perdida, se for de prata, decorada, daquelas que dão trabalho para limpar, melhor ainda. Limpe-a e enquanto faz isso aproveite para meditar. Coloque sobre ela uma toalhinha de bandeja, daquelas que todo mundo tem e quase nunca usa, e sobre ela as taças, o mais descoordenadas possível. Cores, tamanhos, formas, tudo misturado.
É bacana separar um canto para as bebidas (e bem ao lado dele deixar um pano de chão bonitinho, quase novo, dobrado para dar aquela limpadinha na água que pinga, antes de tudo virar uma lambança), com balde de gelo (coloque um prato embaixo do balde com um guardanapo de pano, isso evita que a água que derreteu molhe seu móvel), a bandeja com os copos, bebidas sem gelo para quem precisar, um abridor guardado estrategicamente e, se seus convidados forem do tipo que sabem usar, porta copos. Vale deixar uma boa quantidade de guardanapos de papel numa cestinha junto (ou num vasinho que sobrou daquela limpeza que você fez na janela).
Para quem estiver na praia o tema náutico é quase irresistível e aqui fica uma dica linda para a garrafa de vinho rosé: o 'balde' de gelo com conchas dentro. Feito com dois recipientes encaixados e as conchas colocadas na água aos poucos - para que não vão todas para o fundo - dá um pouco de trabalho mas fica lindo e útil.
E vale uma observação que muita gente não faz: por que essas mesas ficam tão mais bonitas que as nossas? O que elas têm em comum, ou melhor, não têm?
Olhe mais uma vez para as fotos que estão aqui e veja se você encontra alguma marca, alguma garrafa de coca-cola, algum vidro de azeite andorinha, algum pacote de pão pullmann. Não, elas não tem nada disso, todos os produtos estão em recipientes neutros e por isso não chamam mais atenção na mesa do que a decoração. As embalagens coloridas são feitas para chamar nossa atenção, para facilitar a compra. Mas raramente são bonitas, mesmo quando práticas e não foram feitas para decorar.
Por isso, limpe a sua mesa das marcas e você vai notar uma diferença imensa.
 Reparem só nesses exemplos: as louças nem sempre são todas iguais, alguns detalhes de Natal ainda estão aqui e ali e as flores parecem ter sido tiradas do próprio jardim. Mas há transparência dos vidros, que realçam a beleza dos alimentos, há misturas eficientes de estampas e existe luz (natural, de velas, de lâmpadas, de luzinhas de Natal) envolvendo o ambiente e criando sombras intrigantes.



Tire os guardanapos de pano da gaveta, use-os antes que as traças os comam (depois é só colocar na máquina de lavar) e veja a delicadeza da decoraçao acima: seixos e flores de anis na mesa, um pote com sal grosso e uma vela azul mais as conchas. E na foto mais ao alto, nem a toalha rústica e nem os copos sem pé deixam a mesa menos atraente.
Para os chineses, que não celebram o Natal e cujo Ano-Novo muda de dia sempre por conta do calendário lunar, o vermelho e o dourado são cores especiais para a boa sorte do ano que se inicia, portanto pense nessa ideia. Para eles a tradição manda oferecer mexiricas (bergamota ou ponkan), sementes de abóbora e moedinhas de chocolate para os convidados. Que tal acrescentar essas tradições às nossas?
 Se você ainda tiver alguma disposição e um pouquinho de dinheiro no bolso, uma visita a um centro de compras popular (como a 25 de março aqui em SP) poderá resultar na compra desses confetis estilosos que apareceram agora, com formatos e cores diferentes, além de chapéus, óculos e boas para os amigos celebrarem.
No entando, aqui vai um aviso: se você tem animais de estimação (cão, gato, ferret) cuidado com os confetis metalizados, eles poderão comê-los e isso pode dar muito errado. Cuidado também com os rojões, fogos e bombas. Os ouvidos dos animaizinhos são muito sensíveis e eles ficam com muito medo nessa época, assim não colabore com esse tipo de barulho.
Quanto às bebidas, fica tudo fácil: independentemente de qual seja o seu cardápio escolhido, água, suco de uva e espumante do começo ao fim da festa. Que tal uma sangria ou um ponche de frutas para deixar tudo mais fresco e leve? Amanhã prometo dar uma receita infalível de ponche que vai agradar uma porção de gente!
Se a sua escolha for por uma mesa elegante e por um jantar com todo mundo sentado junto, essa dica é especial para você: a Casa Valduga já colocou no mercado seus sucos de Cabernet e Moscatel. 100% naturais, sem álcool e sem açúcar, eles vem em garrafas lindas, longas e delicadas que - apesar de terem rótulo - serão discretos em sua mesa, ou poderão ficar com as outras garrafas dentro do balde, no aparador.
Para a refeição, comece com espumante da uva glera (Prosecco) pois são mais leves e costumam ter aromas mais cítricos, depois passe para os brut de método Charmat e quando estiverem nos pratos mais encorpados, sirva brut de método tradicional. Para finalizar, um adocicado e fresco Moscatel, com os doces e frutas.

 Não esqueça que a tradição brasileira pede uvas e romãs na noite da passagem de ano...
 ...e se você quiser utilizar velas (elas deixam a atmosfera toda especial) e não tiver castiçais, utlize taças ou garrafas vazias sem rótulos, com fitas no gargalo.
Mas tome cuidado, se houverem muitas crianças na festa, coloque as velas em lugares inacessíveis à elas, pois crianças e velas são incompatíveis...
Por último, uma dica bem brasileira: pouca gente consegue comer a lentilha que é quase 'obrigatória' nessa data (os grãos da lentilha tem o formato de moedas e por conta disso acredita-se que comê-la nessa noite traz fortuna no ano novo), seja porque já comeu muito, porque é um prato pesado servido com mais carne de porco (linguiça em geral) ou ainda com arroz. Então inove: sirva uma sopa morna de lentilha em potinhos individuais. Na foto abaixo está uma versão com grão-de-bico e especiarias. Saborosa e mais leve.
E agora sem preguiça: selecione as toalhas lindas, os guardanapos, a louça diferente, a seleção musical e as bebidas e tenha uma excelente festa em sua própria casa!
Bons goles e boa festa!



sábado, 18 de dezembro de 2010

Espumantes Brasileiros!

A caixa de vinhos que comprei no RS (via internet) chegou ontem, mas somente hoje tive tempo de fotografar algumas das garrafas para mostrá-las aqui.
Não fotografei os vinhos tintos pois não acredito que neste calor e umidade de final de ano seja a hora adequada de mostrá-los.
Também não aparecem na primeira foto (abaixo) os vinhos que comprei em SP e que são fáceis de encontrar até mesmo em supermercados (marcas importantes como Salton, Miolo, Chandon, etc).
O que quero dizer é que, à exceção de um dos vinhos brancos da foto, nenhuma garrafa custou mais do que R$ 35,00 (já somado nesse valor a divisão do preço do frete).


Nas duas pontas estão os únicos que eu não conheço e comprei para provar, são o Extra Brut da Peruzzo de Bagé e o Chardonnay Antonio Dias da região do alto rio Uruguai. Ao lado do Peruzzo está o único Prosecco do grupo, o Alto Vale da Domno.
Uma das coisas que achei difícil, no site através do qual eu comprei os vinhos e também nos supermercados onde garimpei alguns outros, foi achar vinhos brancos. Eles são raros e quase nunca fogem da uva Chardonnay.
O estado de Santa Catarina, felizmente, tem se mostrado capaz de produzir Sauvignon Blancs interessantes e também Chardonnays mais longevos (comprei em uma loja de Shopping uma garrafa do Chardonnay da Villaggio Grando, que pretendo provar somente no meio do ano que vem). Fora isso temos poucas opções. 
No grupo acima está o Décima Viognier, da Piagentinni, uma das poucas exceções à regra.


Na foto acima estão os espumantes feitos pelo método tradicional (ou Champenoise), no qual a segunda fermentação ocorre na garrafa e o processo todo é mais longo. Infelizmente para nosso bolso, o processo mais longo acaba nos custando mais caro, então nessa imagem nem todos os espumantes estão na faixa dos R$ 35,00.
Da esquerda para a direita temos o Brut Fabian (de Flores da Cunha), o já mencionado Extra Brut Peruzzo (de Bagé), Brut 130 Casa Valduga (do Vale dos Vinhedos), Brut Gran Legado (do Vale dos Vinhedos), Brut Casa Pedrucci (de Garibaldi), LHZanini (do Vale dos Vinhedos) e o Brut Valmarino (de Pinto Bandeira).
Claro que esta postagem não pretende reunir os mais importantes espumantes brasileiros, senão faltariam garrafas e garrafas, muito menos abranger todos os estilos - pois daí nossos importantes moscatéis teriam que entrar também.
Essas são algumas das garrafas com as quais eu terei o prazer de desfrutar o final de 2010 e o verão de 2011, sem nunca deixar de buscar novidades, é claro.



Por fim, na foto acima estão alguns dos espumantes feitos no método Charmat, onde a segunda fermentação ocorre em tanques de aço inoxidável capazes de suportar a pressão formada. Esses espumantes são, em sua maioria, mais frutados e leves e muitas vezes custam menos também.
Da esquerda para a direita estão o Brut Do Lugar (de Faria Lemos), o Fausto Brut Pizzato (do Vale dos Vinhedos), o Aurora Brut Pinot Noir (de Bento Gonçalves), o Brut Chardonnay (de Garibaldi) e o Brut Rosé Adolfo Lona (de Garibaldi).
Outra dificuldade encontrada foi para comprar vinhos de Santa Catarina. Vou ressaltar o fato de que não há nenhum deles aí. E vejam que os espumantes da Pericó e da Santo Emílio estão entre os excelentes nomes do mercado - se vocês os encontrar, claro.
Bem, ficam algumas sugestões que não vão fazer feio na mesa festiva de ninguém e muito menos no bolso.
BONS GOLES!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Champagne! Espumante!



Com a chegada do dia dos namorados muita gente que quase nunca toma espumante resolve que esse é o dia.
É mais ou menos como noiva. A mulher passa a vida de cabelão comprido, horas de chapinha e um monte de produtos para deixar os cabelos lisos como crina de puro-sangue. Daí, no dia do casamento essa mesma moça resolve que, para suportar todos os enfeites que lhe vão na cabeça, ela precisa prender todo o cabelo, com gel e uma centena de grampos. Consequência? O pobre do noivo olha de lá do altar e nem reconhece aquela sujeita de cabelo preso, coroa, véu, maquiagem etc...
Então em relação aos espumantes, vale falar que como tudo na vida, é bom começar devagar. É bem diferente de entrar em uma piscina gelada, quando é mais fácil pular de uma vez.
O paladar da gente aprimora, mas não de uma hora para outra.
Se você está acostumado com os sabores mais cítricos, picantes e nervosos da maioria dos Champagnes, sorte sua. Se o bolso permite o consumo e o parceiro também vai apreciar, mande ver e aproveite.
Existem boas opções no mercado embora com preços muitas vezes impeditivos e, como diz um jornalista amigo meu apaixonado por Champagne, infelizmente aqui no Brasil chegam pouquíssimos rótulos diferenciados e safras especiais. Para conhecê-los é necessário ir mesmo à França.
Uma sugestão deliciosa que conheci na Expovinhoff no final de abril foi a da pequena importadora La Cave Jado, daqui de São Paulo. Eles trazem o Champagne Millésime 2004 do Domaine Louise Brison (foto ao lado), que custa R$ 170,00 para o consumidor final. É muito raro encontrar um bom Champagne (principalmente um Millésime) por esse preço. Dê uma olhada no site deles: www.cavejado.com.br
Na importadora Mistral o Champagne de melhor preço é o Brut Ayala, que custa R$ 208,00. O produtor é conceituado e o produto é acima de qualquer suspeita.
Vale procurar por preços mais interessantes se a vontade é mesmo tomar o verdadeiro Champagne, mas cuidado com prateleiras empoeiradas e rótulos em mau estado.
As temperaturas médias brasileiras não são ideais para a conservação desse diferenciado líquido, que aprecia lugares sem luz direta e temperatura controlada tendendo a baixa. Então, se o preço estiver tentador demais, desconfie. Pode se tornar uma grande decepção naquela hora importante.
Para não desperdiçar dinheiro aposte nos espumantes brasileiros. A qualidade média é bem alta (o que equivale a dizer que uma enormidade de rótulos são ao menos muito bons) e existem muitos tipos, dos mais frutados àqueles que guardam grande semelhança de estilo e sabor com os Champagnes.
Os espumantes da uva Moscatel são muito apreciados por homens e mulheres (embora os homens adorem dizer que só bebem por que as mulheres gostam) que encontram segurança no açúcar residual dessa uva e no discretamente menor teor alcoólico. Vale dizer que são mais indicados para acompanhar as sobremesas, pois seus aromas frutados e seu dulçor no paladar se sobrepõem a um enorme número de pratos salgados.
A escolha mais eficaz, para ficar no meio termo, são os demi-sec e os extra brut, que retêm parte do frutado tanto no aroma quanto no paladar e são um pouco menos secos do que os brut.
Mas não esqueça, somente um bom espumante brut é capaz de acompanhar uma refeição do começo ao fim, como nenhum outro vinho é capaz.
Rótulos não faltam e os preços vão agradar aos bolsos de qualquer um. Portanto, aventure-se nas gôndolas das lojas e dos supermercados e prove um dos excelentes espumantes brasileiros!

A foto acima é de Orestes Andrade Júnior.