Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

sábado, 5 de março de 2011

BOM CARNAVAL!

Beba com moderação, ame com segurança e divirta-se MUITO!




"Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...
A gente se embala
Se embora, se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e "Champagne"..."



(Caetano Veloso - Samba, Suor e Cerveja)

sexta-feira, 4 de março de 2011

San Domenico Ristorante em Imola - Itália

Muita gente já ouviu falar do Guia Michelin, que começou como um guia de estradas, depois passou a incluir os restaurantes dos caminhos dos viajantes e, há algumas décadas, é uma das referências mundias em termos de avaliação de qualidade de enogastronomia e serviço para os restaurantes.
No domingo, dia 20 de fevereiro, como parte dos eventos para os quais fui convidada na Itália, fui a um jantar dos produtores de vinhos da DOC Sangiovese di Romagna, no Ristorante San Domenico, que ostenta duas, das três estrelas possíveis do guia Michelin.
O local, aberto há 41 anos, é famoso por praticar a cozinha caseira, o que eu diria que é de uma modéstia absurda, pois nem minha avó, minha mãe e minha tia juntas cozinham com tanto primor (e olha que são minhas referências de qualidade e bom sabor em termos de culinária caseira).
O fato é que o local, que do lado de fora parece uma casa e por dentro é dividido em vários pequenos ambientes, que realmente parecem mais com uma residência adaptada do que com um restaurante, tem um 'quê' de cozinha caseira. Mas para por aí!
Quando o grupo chegou, um dos donos, um senhor de bastante idade e com aquela elegância típica dos italianos que amam o que fazem, foi salutando todos e nos dirigindo para uma estreita escada, que leva ao subsolo da casa.
Por uma série de intrincadas passagens chega-se à adega do restaurante, considerada uma das mais belas e completas de toda a Europa. Nesse cenário inacreditável, fomos recebidos para um coquetel, à luz de velas e pequenas lâmpadas colocadas estrategicamente para iluminar alguns rótulos, que dispensam apresentação para qualquer apreciador de vinhos.




Na foto acima, já na sala reservada para o nosso jantar, uma cômoda abrigava os vinhos tintos escolhidos para acompanhar o jantar (tivemos também uns 8 brancos secos e vinhos de sobremesa). Era assim, para cada um dos pratos eram sugeridos quatro vinhos e o convidado escolhia qual queria provar (um ou todos). As taças eram esvaziadas pelo próprio comensal em um balde de prata colocado no meio da mesa.
A mesa, a propósito, aparece abaixo. Sentado, à esquerda da foto, está o represantante de Robert Parker na Itália, um sujeito apagado e beirando o mal educado, enquanto todas as outras pessoas circularam nos microônibus cedidos pelo grupo de produtores que nos convidou, ele ia atrás em seu carro, sozinho.
Teve a capacidade de ficar sem falar com praticamente ninguém durante o animado jantar que durou quase 3 horas. Jantar no qual estavam importantes produtores, Master of Wines e jornalistas do mundo todo.
Dizem que as pessoas ficam sós quando chegam ao topo. Ficam ou se colocam?


Infelizmente não sei onde coloquei o cardápio impresso que recebemos, e que aparece nas fotos abaixo acima dos pratos, então não consigo dizer exatamente quais eram os ingredientes de todos dos pratos. Mas vou tentar.
A entrada, abaixo, era um patê de fígado de ganso maturado no tartufo negro, servido dentro de um brioche (o quadrado parecendo um travesseiro) com purê de mel e gelatina de vinho do porto (os cubinhos pequenos).


O primeiro prato eram caudas de lagosta sobre purê de grão de bico e salsa de pimentão amarelo.



O segundo prato (e para mim o grande prato da noite) era um raviolone com uma gema de ovo dentro, que cozinha parcialmente quando o ravioli é aquecido, coberto com manteiga e parmesão dolci (como eles chamam) e trufas negras. Um desafio de harmonização, que nos colocou (eu, um sueco, um canadense, meu amigo brasileiro e uma Master of Wine inglesa) em um feroz debate, sobre qual dos vinhos alí presentes mais casava com aquele prato encantador.



Depois desse show de culinária, o prato de carne vermelha me impressionou tão pouco que nem consigo lembrar do que era, sei que a carne vinha sobre uma polenta mole muito saborosa. Felizmente, acho que não era carne de cordeiro, uma mania chata de todo cozinheiro brasileiro agora. Praticamente todo cardápio encomendado em restaurantes aqui, para fazer harmonização com vinhos, tem carne de cordeiro. Parece o creme brulée e a pizza de tomate seco com rúcula de alguns anos atrás, mais fácil de encontrar do que flanelinha em dia de show.
Mas fotografei o prato assim mesmo, enquanto me serviam vinho de uma garrafa jeroboam de Sangiovese di Romagna.


Por fim (sim, ainda teve mais), os doces. Além do crepe recheado acompanhado de sorvete e purê de castanhas, ainda eram colocados sobre a mesa pequenos pratos com docinhos, especialidades da casa, que acompanhavam o vinho doce da uva Albana, muito famoso na região, que tem sua própria DOCG.


Cafezinho para alguém?


P.S.: Em meio a tudo isso, esta jornalista que vos escreve vestia a mesma roupa com a qual havia saido de SP há mais de 48 horas. Por quê? A Alitalia perdeu minha mala, provavelmente no voo de conexão entre Roma e Bologna. Só consegui comprar roupas de baixo, no comércio que estava fechando no sábado à tarde. Aparência realmente importa?





quarta-feira, 2 de março de 2011

Vá Ver as Vinhas!

Carnaval chegando e muitas opções de passeio para casais, famílias e grupos de amigos.
Quem não vai para a folia dos blocos e das escolas de samba, pode optar por caminhar entre os parreirais da Serra Gaúcha e aproveitar algumas das deliciosas hospedagens que a cidade de Bento Gonçalves oferece (é claro que algumas delas têm pacotes especiais que envolvem a folia da época, assim vale consultar os sites).
Desnecessário dizer que em locais como os que aparecem abaixo a gastronomia é parte de experiência e vale a pena deixar a dieta de lado por alguns dias e aproveitar as nossas riquezas de mesa, taça e aconchego!

A primeira opção de hospedagem é também a mais luxuosa. O Hotel e Spa do Vinho fica localizado no coração do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS) e merece uma visita, nem que seja somente para fazer algum tratamento no Spa. Se puder se hospedar, não hesite. Os preços são menos absurdos do que o luxo do hotel dá a entender (a foto abaixo é da sala de estar onde fica a recepção e a de cima é uma vista do vinhedo ao lado do estacionamento do hotel, que dá para a vinícola Miolo).


A Casa Valduga tem um complexo enoturístico que inclui pousada (com vários tipos e tamanhos de quartos super confortáveis), restaurantes e a própria vinícola, aberta para visitação. É um local lindo e bem cuidado, com detalhes que brincam entre o tradicional e o inovador, e o restaurante Maria Valduga é imperdível.


Bem perto da Valduga fica uma das hospedagens mais diferenciadas de toda a região, a Pousada Borghetto Sant'anna, da qual já falei aqui. São várias casas (foto abaixo) e quartos com decoração caprichada e diferenciada, todos com a vista maravilhosa do vale. Só é preciso estar atento pois a pousada não tem restaurante.


Ainda dentro do vale fica o Hotel Villa Michelon, ocupando uma belíssima área que inclui atrações essenciais para quem tem filhos, como um bom parque, equipe de recreação, piscina aquecida coberta, lago, animais de pequeno porte que circulam livres e todos os confortos de um hotel bem equipado que os pais também irão apreciar (incluindo aí um vinhedo modelo muito bem cuidado).



O hotel é tão tradicional e respeitado no vale que a Vindima da região sempre começa com uma festa lá, que inclui o autêntico filó italiano (foto abaixo) com comidas, vinhos, jogos e cantoria.
Há, ainda, um delicioso restaurante (Mamma Gemma) que abre para o almoço, sob a tutela do chef Pessali, dono do Primo Camilo na cidade vizinha de Garibaldi.


Saindo do vale dos Vinhedos, mas ainda na estrada que liga Bento Gonçalves a Farroupilha e também a Garibaldi, ficam dois hotéis que precisam ser melhor conhecidos. Um deles, de grande porte e excelente estrutura, é o Farina Park, que conta com a simpatia da proprietária Maria Alice Farina e com um restaurante de primeira (fotos abaixo).


E quase escondido dentro da estrutura de pedra do Castelo Benvenutti fica o legítimo representante da pequena comunidade polonesa na Serra, o Zamek, um hotel boutique com detalhes surpreendentes e decoração caprichada (foto).
No saguão de entrada fica o Vin Caffé, um espaço gostoso e com cardápio plural, onde são encontradas algumas especialidades polonesas. Vale provar!


Se a fome apertar para valer, o restaurante Di Paolo, que fica na outra ponta do Castelo Benvenutti, não deixa nenhum paladar infeliz. É, há anos, o melhor galeto de toda a serra e tem uma carta de vinhos brasileiros de fazer inveja. 
Dentro da cidade de Bento Gonçalves é a tradição do grupo Dall'Onder que domina a hospedagem.
Quem prefere um estilo mais executivo e ágil encontra destino certo no Dall'Onder Vittoria, um moderno prédio bem em frente do pequeno shopping da cidade. Competente e agradável, é uma boa opção.



Mas se a ideia é estar onde as coisas acontecem, o Grande Hotel Dall'Onder (foto acima) é a escolha certa. Na avenida que reúne os principais restaurantes e bares da cidade, é um hotelzão de estilo bonachão. 
Eu, que venho me hospedando lá desde a década de 1990, posso dizer que os quartos reformados são confortáveis, espaçosos e silenciosos. 
O café-da-manhã é marca registrada, com fartura e qualidade típicas dos bons hotéis brasileiros.
Vale a pena, ainda, jantar na cantina Cabernet do sub-solo (foto), intimista e aconchegante, tem boa comida e serviço delicado.


Assim, duvido que quem se dispuser a ir para o Rio Grande nesse próximo feriado vá ficar mal acomodado. Existem opções para todos os bolsos e gostos, e principalmente, todas regadas aos bons vinhos da Serra e com a simpatia do povo gaúcho.
É para brindar o Carnaval com espumante!
Bom passeio e bons goles!











O Melhor dos dois mundos - parte 2!

Por toda a minha vida...

http://www.youtube.com/watch?v=j8mLGze-hqg&feature=related

Ornella Vanoni e Jovanetti, com a música e a letra de Jobim e Vinícius, in italiano, grazie!



terça-feira, 1 de março de 2011

Bologna la Bella! - Parte 2

Vocês provavelmente se lembram de uma das minhas últimas postagens, dizendo que eu tiraria um dia na Itália para me sentar em um café e observar a paisagem, acompanhada de uma xícara de capuccino.
Bem, não foi capuccino, mas um chocolate quente, como vocês podem ver abaixo.


Era sábado de manhã e eu estava em um café na Via dell' Independenza, bem no centro de Bologna. Fazia muito frio, o suficiente para uma calorenta como eu usar luvas e cachecol.
Na mesa ao lado da minha, um grupo da terceira idade sorvia machilattones como chamaram (xícaras grandes de café com leite) e conversava animadamente.


Ao contrário de tantas outras cidades italianas, Bologna não é dominada pela terceira idade. O que acontece é que a cidade é grande, com indústrias poderosas e, acima de tudo, uma enorme universidade (a mais antiga da Itália e talvez a mais antiga do mundo), que oferece até cursos superiores em inglês. Isso faz com que a cidade seja vibrante, jovem, movimentada.


A foto acima é de uma das laterais da Piazza Maggiore, referência e ponto de encontro de toda gente. Naquela manhã, acontecia um pequeno protesto (pacífico, claro) pedindo paz na Líbia. Os italianos são muito dependentes do petróleo da Líbia e mantêm algumas relações comerciais com o país que permitem a entrada de pessoas. Isso quer dizer que estão preocupados com uma possível fuga em massa da população para seu país.
Sábado também é dia de mercatto (um equivalente de nossa feira, mas somente com roupas, calçados e artigos para casa, desde decoração até higiene). Ocupa um enorme espaço, é 'quase' silencioso, bastante lotado e bem ordenado. A enorme diferença é que se estende até o final da tarde.



Andar pelas ruas de uma cidade famosa pela cor de sua arquitetura (a bem da verdade quase tudo tem cor de mortadela - que os americanos chamam de bologna) e pelas arcadas que cobrem a grande maioria das calçadas, é um convite para parar e fotografar a cada 100 metros.


Em um dos caminhos me deparei com a parte de trás de uma igreja (foto abaixo), que não seria nada diferente do restante da paisagem se não fossem as tumbas suspensas, deixadas ao ar livre. Bem, não se pode dizer que estejam exatamente 'em solo sagrado' pois não estão nem enterradas e muito menos no chão. Mas não tive tempo de parar para investigar mais.


O fato é que, como fazia muito tempo que eu não ia para a Itália, estava meio que 'descalibrada' em termos da elegância natural desse povo, de sua rica história e culinária, de seu modo de vida ao mesmo tempo contemplativo e exuberante.




Um bom exemplo é a foto acima. O pallazo é muito, mas muito antigo, mas sob sua arcada que suporta a história de séculos, fica uma galeria de arte moderna e contemporânea, assim, no meio do caminho, como se fosse a coisa mais natural. Como para eles é natural calçar sapatos Gucci e perfumar-se com Prada, sem que isso seja um motivo de briga por conta do orçamento doméstico.
Meu amigo Marcos, que esteve comigo por algumas horas na cidade na 6a feira, comentou que ficou espantado durante os dias em que passou lá trabalhando, com a quantidade de gente comendo e bebendo o tempo todo. Era como se o horário do capuccino con panini da manhã se imiscuisse no horário da taça de vinho com insalatta e pizza do almoço e assim por diante durante todo o dia e em todos os lugares. Eu concordo pois percebi isso também, e ainda comentamos mais uma coisa: como as pessoas são, em geral, magras, mesmo vestidas em suas pesadas roupas de inverno. Acreditamos que alguns dos motivos sejam o fato de que caminham muito (as ruas estão sempre cheias), alimentam-se com menos porcariada americanizada e ainda por cima vivem menos caóticamente.
Para mim, em uma semana naquele lugar, com a 'dieta' deles eu iria virar a 'própria' Bologna, a gorda!


Perto do horário do almoço do sábado, resolvi voltar para a praça Maggiore e sentar-me em um dos cafés sob o sol muito agradável, de frente para a igreja que ficou inacabada quando decidiram que o centro do papado não seria mais lá, mas sim em Roma. A basílica de Bologna, dedicada a São Petrônio, era para ser a sede do Vaticano. Aposto que quase ninguém sabe disso....É a 6a maior igreja do mundo e a 4a da Itália.



Enquanto eu observava as pessoas passeando na praça, turistas e moradores, a artista que apresentava um teatro de bonecos para as crianças que brincavam por lá, os casais sempre enamorados come in Italia sorvendo seus spritzers, pedi uma taça de vinho branco, que, por meros 6 euros, veio com o acompanhamento acima.
Sabem o que pensei? Que é IMPOSSÍVEL fazer semelhante coisa no Brasil. Em lugar algum, nem mesmo em nossas cidades do vinho, podemos sentar num café/bar/restaurante, pedir uma taça de vinho branco (a taça era de cristal), receber um acompanhamento que - naturalmente - fará com que você beba mais e pagar por isso 15 reais com o serviço incluso.
Cultura de vinho pessoal, cultura de vinho!
Domani ché di piú! Saluti!




Março, com Coragem!


Nature loves courage. You make the commitment and nature will respond to that commitment by removing impossible obstacles. Dream the impossible dream and world will not grind you under, it will lift you up. This is the trick. This is what all these teachers and philosophers who really counted, who really touched the alchemical gold, this is what they understood. This is the shamanic dance in the waterfall. This is how magic is done. By hurling yourself into the abyss and discovering its a feather bed.
— Terence McKenna


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Bologna la Bella! - parte 1

São 12h42 do domingo e a foto abaixo foi feita 24 horas atrás, na Enoteca Italiana da Via Marsala, em Bologna - Itália.
Foi a minha última parada para uma taça de vinho (Sangiovese di Romagna feito pela Zerbini) e um panino (pão com mortadela fatiada na hora). Custou 6,50 euros - mais ou menos 15 reais, em um lugar simpático, meio loja, meio bar, meio enoteca. Pede-se no balcão, come-se em pé, com apoio em algumas simples mesas altas de madeira, entre as muitas prateleiras de bebidas e produtos que para nós são gourmet e para eles fazem parte do dia-a-dia.

Enfim, estou de volta de minha breve giornatta pelo norte da Itália. Tenho muito para contar e muito para mostrar.
Por hora, enquanto mato a saudade de minha família e espero que os pés deixem o inchaço das 14 horas em trânsito, deixo mais uma imagem, de uma pequena pizzaria que só serve pizzas em pedaços, no balcão, situada no centro de Bologna desde 1957. Os quadrados de pizza, mornos, macios, saborosos, custam entre um euro e 2,50 dependendo do recheio.

Arrivederci, a domani!
P.S.: Fazia em média 6 graus positivos por lá...aqui faz 29. Madonna!!!