Colheita 2016

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um enólogo, uma vinícola, um terroir

E aqui novamente, Mario Geisse, em sua propriedade brasileira em Bento Gonçalves.
Mas no Chile, onde passa boa parte do tempo (com a esposa que também é enóloga de uma importante vinícola chilena), Mário trabalha com outro Mário...

Mario Pablo Silva, um dos diretores/donos/herdeiros da Viña Casa Silva que, além de excelentes vinhos, tem uma pousada deliciosa e cultiva várias tradições chilenas.

Uma das entradas da Viña Casa Silva, no Vale de Colchagua

O terroir de Los Lingues, em Colchagua, de onde saem algumas das mais elegantes uvas Carmenére de todo o país, fotografado no final do inverno.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Desde Chile con mucho gusto!

Segunda-feira, dia 6 de setembro, 9 da manhã, Vinícola Santa Ema.


Segunda-feira, 6 de setembro, 13h, vinhedos da Bodega TerraMater.


Segunda-feira, 6 de setembro, 16h30, obra de arte moderna na Bodegas De Martino.
Nada de 'arte moderna', são tanques de aço inoxidável retorcidos pelo terremoto de março deste ano.


              

Terça-feira, 7 de setembro, 8h, Viña Casa Silva




Terça-feira, 7 de setembro, 12h30, recepção e vista da Cordilheira da Bodega Viu Manent.




Terça-feira, 7 de setembro, 17h, vista dos vinhedos desde a casa de hóspedes da Bodega J.F. Lurton, Hacienda Araucano.



Até o momento, 64 vinhos degustados.
O Chile segue lindo!

domingo, 5 de setembro de 2010

Vinho Vermelho, Azul e Branco

Embarco hoje para a cidade de Santiago no Chile.
Viajo a convite do programa Wines of Chile pela segunda vez. A primeira foi em janeiro de 2008, quando visitei mais de 20 vinícolas.
Desta vez serão "somente" 16 em cinco dias e meio.
Meu objetivo, além de conhecer bodegas novas, é ver como a indústria do vinho chilena está se recuperando do terremoto do começo do ano. Vou visitar alguns dos produtores afetados e outros não.
Estou bem feliz, pois o Chile é para mim um país muito simpático. A gentileza de sua gente, a beleza das paisagens extremas (montanhas cobertas de neve, deserto, oceano pacífico, vinhedos imensos, a cordilheira) me encantam tremendamente.
Tudo isso sem falar nos vinhos, claro. E nos frutos do mar.
E embora a Carmenére não esteja entre as minhas 3 cepas tintas preferidas, reconheço que eles fazem bom uso de suas qualidades e conseguem resultados muito agradáveis.
Tudo isso é para dizer que, enquanto este Vinho Verde e Amarelo se transforma (por um breve tempo) em Vinho Vermelho, Azul e Branco, as minhas postagens devem rarear, pois o programa é bastante corrido e nem todas as fazendas/bodegas onde vou me hospedar possuem acesso a internet.
Mas é claro que voltarei com novidades e com muitas fotos.
Tenham uma feliz semana, com trabalho honesto, com família tranquila e com bons brindes para todos!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Chile - para entender melhor

Nos últimos dias algumas pessoas têm me perguntado o que aconteceu de verdade com as vinícolas chilenas por conta do terremoto do último sábado.
Procurei imagens atuais, mas não encontrei nada relacionado com vinícolas. Então vou tentar explicar com fotos onde tudo estava bem e numa época do ano bem próxima desta.
A informação oficial que recebi ontem - com o primeiro levantamento feito pelas vinícolas - dá conta de perdas no valor de 250 milhões de dólares (125 milhões de litros), compilados pela associação' Vinhos do Chile'.
Vamos começar pelas videiras, possivelmente as menos afetadas pela catástrofe. Olhem a foto ao lado: a planta, apesar de forte e bem enraigada, é sustentada na conduação espaldeira por vigas de madeira ou concreto e vários níves de amarrações de arame. Tudo isso pode ser abalado durante um terremoto. E mais, perto do solo é possível ver uma cânula preta, utilizada para irrigação uma vez que o Chile é um país onde chove pouquíssimo. Esse sistema de irrigação é, em geral, controlado à custa de energia elétrica, uma das primeiras coisas que para quando há um evento como o sismo de sábado  último. Isso sem contar com a possibilidade desses finos canos arrebentarem no caminho.
Vamos para mais uma imagem, desta vez de um laboratório de análises, que todas as vinícolas têm em maior ou menor escala. A vinícola O.Fournier declarou em um comunicado para a imprensa que seu laboratório foi completamente destruído e eles nem estão muito próximos do epicentro do tremor. A foto ao lado não é da vinícola em questão, mas ajuda a ver o que pode ter acontecido.
Não sei o que aconteceu nesta vinícola, mas só de olhar a foto me dá um arrepio. O laboratório deles fica suspenso sobre os tanques, acessível por uma estreita escada de metal.
O Chile é um país que conserva muito suas tradições e como tem recursos para isso, as construções são bem preservadas e normalmente mantidas abertas e com função real para serem visitadas. Isso é bom e mau, pois mantêm construções por vezes mais delicadas expostas. Por outro lado, caves como a subterrânea da vinícola Concha y Toro, que declarou que sofreu perdas consideráveis, ficou intacta. A foto mostra o local original da cave conhecida como Casillero del Diablo, onde hoje não estão mais os vinhos com esse nome, mas sim a linha mais especial e cara da vinícola. Subterránea, seu piso é de terra, molhada todos os dias para manter a temperatura estável e não comprometer as preciosas barricas que lá descansam à luz muito baixa. Felizmente esse local escapou de qualquer dano.
Mas muitas vinícolas, tal qual a Concha y Toro, produzem uma quantidade muito grande de vinhos e boa parte deles passam por um amadurecimento em barricas de madeira e o espaço físico é limitado. Então, tentem imaginar o que é um terremoto em um local como a vinícola da foto ao lado.
Existem outras com uma terceira camada de barricas empilhadas. Dói só de pensar...
E por último, as garrafas, não somente de vinhos especiais, armazenadas em locais geralmente mais estreitos e talvez até mais protegidos. Mas aquelas garrafas de vinhos praticamente prontos, engarrafados e aguardando na linha para serem rotulados, encaixotados e despachados para seus países compradores. A última foto mostra uma grande vinícola que fica bem próxima da área mais afetada. E nela seus enormes estoques de caixas plásticas que contêm centenas de garrafas dentro.Tentei contato com duas pessoas conhecidas de lá, mas até agora não sei de nenhuma notícia deles. Confesso que é preocupante.
Enfim, espero que essas imagens sejam capazes de dar uma nova perspectiva ao que aconteceu por lá, nessa que é a terceira indústria mais importante do Chile.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Elegância e Simplicidade

Vocês terão que ver as fotos primeiro para depois ler o motivo pelo qual elas estão aqui:
1-Mesa posta para o almoço (quase 4 da tarde) na Vinícola Ventisquero no Chile, a foto seguinte mostra o enólogo Alejandro (criador da linha Ramirana), durante a degustação dos vinhos antes do almoço.

2)Mesa posta para o almoço nos jardins históricos da vinícola Undurraga e mesa posta para o jantar na vinícola Casa Porta, ambas no Chile. A Casa Porta foi a primeira residência oficial de um presidente chileno.

3) Grupo tomando aperitivos antes do almoço nos jardins da vinícola Villaggio Grando em Santa Catarina e o parreiral histórico da Casa Valduga no Vale dos Vinhedos, onde convidados tomam café-da-manhã e jantam no dia da festa da Vindima.

O que todas essas imagens têm em comum? São bonitas, claro, mas mostram algo que nossos amigos latino-americanos já fazem com razoável facilidade e que no Brasil ainda é raro. 
Eles recebem as pessoas em suas vinícolas mostrando o que há de mais belo, juntando seus vinhos, a natureza, a boa culinária e uma coisa que quanto mais simples, mais difícil é de alcançar: elegância.
Tenho grande respeito por algumas coisas da cultura norte-americana, como sua capacidade de mobilização para catástrofes e festas, seu respeito pelo dinheiro e sua rapidez em transformar fatos em marketing. No entanto, tudo isso tem um 'down side' que se revela na massificação, bem clara nos restaurantes e hotéis de rede, onde se pode dormir na China e no Peru com os mesmos lençois da Sears.
O mundo do vinho vem sofrendo com isso também, já é visível como parte do processo de 'parkerização'. Não tenho nada específico contra o crítico americano, até porque sei o quão difícil é emitir uma opinião pública e manter-se firme em relação à ela (é sempre mais fácil criticar os críticos, sendo que não é a 'sua' opinião que está sendo julgada). Mas observo que algumas vinícolas tendem a abandonar os detalhes que a transformam em algo único em favor de um mercado mais abrangente. É importante fazer com que as duas coisas convivam em harmonia, essa é uma das características da elegância.
O aviso que quero deixar é para que as vinícolas nacionais não se esqueçam de que nós brasileiros somos um povo carinhoso, que gosta de aconchego e atenção. Então, antes de formar imensos grupos de enófilos e jornalistas e colocá-los em uma churrascaria rodízio, pensem - por exemplo - em armar mesinhas no jardim de suas vinícolas (afinal deveria ser o que de mais belo vocês têm para mostrar). 
Antes de transformarem suas lojas de varejo em supermercados, ajeitem alguns lugares na varanda, para aqueles consumidores que já compram seus vinhos em suas residências, mas querem aproveitar aquele clima de vinícola, aquele ar puro por mais alguns instantes.
Cresçam, mas sem perder de vista de onde tudo isso vem: da natureza, das mãos humanas transformadoras, da persistência e do talento.
Bons Goles e bom final de semana!