Colheita 2016

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Boas novidades vindas de Santa Catarina!

Da seção "não me inveje, trabalhe" existe gente fazendo acontecer enquanto outros passam os dias reclamando e fomentando a discórdia.
Me faz lembrar daquele desenho animado da Hanna Barbera que tinha uma hiena depressiva, chamada Hardy, que dizia: "Oh vida, oh azar".

Que bom que o mundo não é ocupado apenas por essas hienas depressivas que - na natureza - adoram se alimentar da carcaça já meio comida que outros animais (mais fortes e corajosos) já abandonaram. É uma boa figura de linguagem, e bem apropriada para o momento!
Mas vamos às novidades!
 A charmosa cidade litorânea de São Francisco do Sul (em Santa Catarina, a 52km de Joinville) é uma das vilas mais antigas do Brasil e abriga um casario colonial invejável. E é precisamente numa dessas charmosas casas coloniais que a importadora Porto Mediterrâneo inaugurou, no último dia 10 de março, a sua primeira loja de vinhos: "Porto Mediterrâno Wine Store e Delicatessen".
Além dos 250 rótulos que já pertenciam ao portfólio da importadora, a loja tem um diferencial que me deixa particularmente feliz: 100 rótulos de vinhos feitos no estado de Santa Catarina.
Como eu já havia falado aqui, uma das falhas mais graves para a comercialização dos vinhos nacionais é a distribuição (sem contar os preços muitas vezes elevados, claro), que é um problema tão sério que afeta não apenas os consumidores como também os próprios produtores.
Assim, a iniciativa da Porto Mediterrâneo de fazer de sua loja um local que favorece a diversidade de rótulos não apenas estrangeiros como também brasileiros, merece aplausos.

O diretor da empresa, Julio Cesar Schimitt Neto, declarou para a imprensa durante a inauguração o seguinte: “São Francisco do Sul é uma cidade linda. Possui um centro histórico muito bem preservado e ótimos restaurantes, além de praias fantásticas e forte atividade econômica. Encontramos aqui, em um casarão com mais de 200 anos, o ambiente ideal para trabalhar a cultura, os aromas e sabores dos vinhos do mundo e do Brasil”.
Para quem não sabe, a Porto Mediterrâneo que é catarinense, está há mais de quatro anos no mercado e comercializa mais de 270 rótulos de sete países. Sua iniciativa de montar as lojas (que congregam produtos gourmet, vinhos e chocolates, não se restringe à cidade de São Francisco o Sul. 
Amanhã (dia 20) uma filial da loja será inaugurada no Espaço Viapiana, da vinícola de mesmo nome em Flores da Cunha (RS) e no final do mês a terceira loja será aberta em Palhoça, dentro do Shopping Center Via Catarina, a 57km de Florianópolis.
As duas fotos acima foram feitas pelo jornalista Janquiel Mesturini.


Por absoluta falta de tempo eu não pude estar na abertura oficial da vindima em Santa Catarina, que ocorreu no último sábado, dia 17 de março, nas depedências da Quinta Santa Maria, em São Joaquim. Na foto ao lado (feita pela Acavitis) vocês vêem de camiseta verde o agrônomo Nazário dos Santos (da Quinta Santa Maria), de camiseta amarela o governador do estado de SC Raimundo Colombo e de boné laranja o presidente da Acavitis, o médico e viticultor Leônidas Ferraz (vinícola Monte Agudo).
As terras altas e frias de Santa Catarina, responsáveis por vários vinhos de grande qualidade e muito diferenciados dos outros vinhos brasileiros vem chamando a atenção há alguns anos.
Hoje a Acavitis (Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude) já conta com 28 associados, dos quais 18 já tem seus produtos no mercado, somando mais de 150 rótulos com produção anual que chega perto de 1 milhões de garrafas. 
Como região alta e fria que é, as uvas de destaque são a Cabernet Sauvignon e a Pinot Noir entre as tintas e a Chardonnay e a Sauvignon Blanc entre as brancas. Mas o que mais me chama a atenção em alguns vinhos da região é o seu potencial de guarda e sua elegância. Quem nunca provou, precisa conhecer. 
Por fim, recebi a foto acima do enólogo Jefferson Sancineto Nunes, do ENOLAB de Flores da Cunha, mostrando a evolução dos vinhedos da vinícola Santa Augusta, em Videira (SC), um dos raros vinhedos biodinâmicos do Brasil. A foto foi feita na última quarta-feira.
Segundo conta Jefferson, as uvas tintas (Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc) estão amadurecendo lenta e delicadamente e neste momento a Franc é a que apresenta o mais alto nível de açúcar, o que - por enquanto - indica que será colhida primeiro. 
Mas como em Santa Catarina as coisas andam em outro ritmo (por conta das diferenças de temperatura e altitude), é esperar para ver.
Boa semana para todos e bons goles!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Neve em São Joaquim!

O pessoal da Vinícola Pericó acabou de me enviar as imagens abaixo, feitas ao meio-dia de hoje, na cidade de São Joaquim em Santa Catarina, onde estão (além da Pericó) as vinícolas Sanjo, Suzin e Quinta Santa Maria entre outras.
Que bom que neste época as videiras estão dormentes e esse frio intenso e com neve não as afeta.



quarta-feira, 3 de março de 2010

Os Vinhos de Altitude


A foto acima é da propriedade da Vinícola Santo Emílio em Urupema, Santa Catarina. Tudo por lá é lindo, a paisagem, os vinhedos, a casa onde os visitantes são recebidos para almoçar e os proprietários, claro. Os irmãos Binotto, levados ao mundo do vinho pela paixão da irmã Elizabeth, cuidam do negócio com profissionalismo e carinho (combinação que só pode dar certo). Para facilitar, eles têm a consultoria da enóloga argentina Susana Balbo (que dispensa comentários) e o talento da jovem enóloga gaúcha Patrícia Poggere.
Os vinhos são, por enquanto, três: um tinto assemblage chamado Leopoldo e dois espumantes, um rosé brut (Stellato) e um Moscatel (Cellebrato). Só não provei ainda o Moscatel, mas os outros valem o quanto custam.
Elizabeth B. Binotto me avisa que a vindima só deve começar por lá no final de março e que os cachos pesados nas videiras estão muito bonitos!


Acima estão os parreirais da vinícola Suzin, em São Joaquim. Implantados com a dedicação de dois irmãos que já dividiam com o pai o cultivo das terras altas para outras frutas e tubérculos. Everson Suzin foi, inclusive, fazer uma pós-graduação em enologia para poder entender melhor a nova cultivar.
Os resultados estão em dois vinhos tintos varietais, um Cabernet Sauvignon e um Merlot, que dividem atenções, gostos e opiniões aqui em casa. Melhor provar os dois e emitir seu próprio parecer.
(Observação: a Suzin tem também um rosé e um varietal Pinot Noir que eu ainda não provei, mas estão na lista).
Everson avisa que este ano as coisas pareciam mais graves nos vinhedos do que se revelaram na hora da colheita. Muita chuva, muito calor e a impressão de que as perdas seriam grandes. Mas a colheita da Pinot Noir, que terminou ontem, foi bastante satisfatória. Já a Merlot, ainda nas parreiras, está com 21 Brix e sua colheita só está prevista para o final do mês, o que sem dúvida é um bom prognóstico. A Cabernet só virá em abril, para o meio do mês e também vai indo bem. Boas notícias, sem dúvida.

Para finalizar, uma linda imagem do lago na fazenda da vinícola Villaggio Grando ao por do sol, em Herciliópolis, zona central de Santa Catarina. Ainda não sei como estão as coisas por lá, mas tenho aqui o novo espumante da empresa para provar. Espero que sejam bons goles!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Elegância e Simplicidade

Vocês terão que ver as fotos primeiro para depois ler o motivo pelo qual elas estão aqui:
1-Mesa posta para o almoço (quase 4 da tarde) na Vinícola Ventisquero no Chile, a foto seguinte mostra o enólogo Alejandro (criador da linha Ramirana), durante a degustação dos vinhos antes do almoço.

2)Mesa posta para o almoço nos jardins históricos da vinícola Undurraga e mesa posta para o jantar na vinícola Casa Porta, ambas no Chile. A Casa Porta foi a primeira residência oficial de um presidente chileno.

3) Grupo tomando aperitivos antes do almoço nos jardins da vinícola Villaggio Grando em Santa Catarina e o parreiral histórico da Casa Valduga no Vale dos Vinhedos, onde convidados tomam café-da-manhã e jantam no dia da festa da Vindima.

O que todas essas imagens têm em comum? São bonitas, claro, mas mostram algo que nossos amigos latino-americanos já fazem com razoável facilidade e que no Brasil ainda é raro. 
Eles recebem as pessoas em suas vinícolas mostrando o que há de mais belo, juntando seus vinhos, a natureza, a boa culinária e uma coisa que quanto mais simples, mais difícil é de alcançar: elegância.
Tenho grande respeito por algumas coisas da cultura norte-americana, como sua capacidade de mobilização para catástrofes e festas, seu respeito pelo dinheiro e sua rapidez em transformar fatos em marketing. No entanto, tudo isso tem um 'down side' que se revela na massificação, bem clara nos restaurantes e hotéis de rede, onde se pode dormir na China e no Peru com os mesmos lençois da Sears.
O mundo do vinho vem sofrendo com isso também, já é visível como parte do processo de 'parkerização'. Não tenho nada específico contra o crítico americano, até porque sei o quão difícil é emitir uma opinião pública e manter-se firme em relação à ela (é sempre mais fácil criticar os críticos, sendo que não é a 'sua' opinião que está sendo julgada). Mas observo que algumas vinícolas tendem a abandonar os detalhes que a transformam em algo único em favor de um mercado mais abrangente. É importante fazer com que as duas coisas convivam em harmonia, essa é uma das características da elegância.
O aviso que quero deixar é para que as vinícolas nacionais não se esqueçam de que nós brasileiros somos um povo carinhoso, que gosta de aconchego e atenção. Então, antes de formar imensos grupos de enófilos e jornalistas e colocá-los em uma churrascaria rodízio, pensem - por exemplo - em armar mesinhas no jardim de suas vinícolas (afinal deveria ser o que de mais belo vocês têm para mostrar). 
Antes de transformarem suas lojas de varejo em supermercados, ajeitem alguns lugares na varanda, para aqueles consumidores que já compram seus vinhos em suas residências, mas querem aproveitar aquele clima de vinícola, aquele ar puro por mais alguns instantes.
Cresçam, mas sem perder de vista de onde tudo isso vem: da natureza, das mãos humanas transformadoras, da persistência e do talento.
Bons Goles e bom final de semana! 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mais Sauvignon Blanc em Santa Catarina

Veja só que linda foto, feita no dia 5 de fevereiro, pelo enólogo Jefferson S. Nunes, diretor do Enolab de Flores da Cunha, nas terras altas catarinenses da Vinícola Pericó, sua cliente no estado.
As uvas da casta Sauvignon Blanc, que tradicionalmente vão muito bem no Chile, na Austrália e na Nova Zelândia, parecem gostar mais das terras altas e frias de Santa Catarina do que do Rio Grande do Sul. Claro que alguns exemplares gaúchos apresentam bons resultados,  mas se nos focarmos no quesito 'tipicidade', as de Santa Catarina são mais intensas e mais representativas da casta.
O primeiro grande resultado dessas uvas por lá foi do excelente Núbio, da Sanjo, da safra 2008. Até o momento um varietal insuperável, daqueles para se comprar uma caixa e beber sem pensar demais.
Temos ainda com muito boa qualidade o da Villaggio Grando, mais delicado e mineral, vindo de um terroir já diferente do de São Joaquim.
Agora, resta-nos saber se a bela foto acima, com uvas ainda um pouco longes da colheita, poderá ser transformado em mais um varietal elegante, intenso e fresco de São Joaquim. O enólogo afirmou, na época da foto, que as bagas já começavam a mudar de coloração, afirmar sua doçura e já prenunciavam um suave aroma de maracujá.
Jefferson é o responsável técnico pelo grande sucesso dos espumantes da Pericó (que ganham prêmios desde o lançamento) e pelo rosé de Cabernet Sauvignon, mais afinado na segunda safra (de 2009) do que na primeira de 2008. Um feito e tanto, que me faz esperar ansiosamente para ver o que virá por aí.
Ah! Tudo isso sem esquecer que no ano passado foram colhidas uvas com as primeiras geadas do ano, que foram transformadas no primeiríssimo Ice Wine brasileiro, com lançamento previsto para 10/10/2010, às 10h10. Os números não foram escolhidos ao acaso, claro. Mas para saber o porque, é necessário perguntar ao proprietário da Vinícola Pericó, o empresário catarinense Wandér Weege.
Mais sobre Ice Wines (para aqueles que não o conhecem) em um próximo post.
Bons Goles de verão! Ah lá la ôôôô!!!