Colheita 2016

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Comendo por aí (Itália)

Por falta de tempo de fazer as postagens de cada lugar maravilhoso que conheci enquanto estive no norte da Itália (e para contentar meus amigos chefs de cozinha também), resolvi selecionar algumas fotos das refeições que fiz por lá.
Começo pela cidade de Alba, onde fiquei quase metade do tempo.
 Acima o bacalhau mantecato e abaixo o ovo com aspargos frescos, típico da primavera. Quando chega o outono (e com ele o tartufo) os aspargos se vão e o ovo ganha as preciosas lâminas de tartufo.
Ambas as entradas são do restaurante Trattoria Dell'Arco.
 Abaixo o talharine a bolonhesa do Vino Café. O talharine no Piemonte é mais amarelo e um pouco mais cozido do que no restante da Italia. Sobre o molho, nem vou comentar...
 Almoço rápido em uma 'tavola freda', restaurante que serve apenas pratos frios. Escolhi essa salada abaixo, de folhas, frios e mussarela de búfala.
 Entrada muito, mas MUITO boa na Osteria dei Sognatori, com aliche e salsa verde. Nada em excesso, nem sal, nem pimenta, nem salsa. Uma perfeição.
 Sobremesa no Enoclub, uma torta de avelãs com creme zabaione, acompanhada de uma taça de Barolo. Como dizia um editor amigo: "esforço de reportagem".
 No último dia por lá, me lembrei de não ter tomado nenhum sorvete na terra do pistache e da gianduia. Consequência? Fechei a mala mais cedo, larguei tudo na portaria do hotel e fui até uma sorveteria próxima, reparar o erro, como vocês podem ver abaixo.
Chegando na região do Veneto, tudo muda e entram em cena os peixes, o frutos do mar e os legumes acompanhando massas mais leves. Abaixo uma entrada de cortesia, servida numa Loccanda em Valdobbiadene.
 Durante o festival Vino in Villa, que celebra os espumantes Prosecco, tivemos um jantar preparado por um chef trazido especialmente da Dinamarca. Seus pratos eram únicos em beleza e sabor. Abaixo uma entrada com camarões, ervas do campo (pensem num país que passa meses sob a neve rigorosa, quando as primeiras folhinhas verdes despontam eles já as aproveitam), pepino e pão preto.
 Abaixo, o prato principal do Bistrot de Venise, um restaurante e enoteca super elegante, na beira de um canal em Veneza. Detalhes do prato, o creme de açafrão sob o peixe e o mousse salgado de uvas e alho.

 Na ilha de Mazzorbo, no restaurante Venissa, uma entrada de frutos do mar com salsa de tomates e ervas e uma massa caseira com creme de favas e camarões. Mas reparem nos pães atrás, eu poderia ter comido apenas isso com vinho, de tão bons que eram.
 Já nos últimos dois dias de viagem um café da manhã na estação de trem em Milão, abaixo
E o começo de uma refeição memorável na cantina Il Carpaccio, poucas horas antes de ir para o aeroporto, com salada de pão, tomate cereja, pepino manjericão e azeite, além de frios, melão e uma boa garrafa de Barbaresco!

 Para quem está me invejando e pensando coisas terríveis sobre mim (risos!) devo dizer que o castigo veio em gramas e minhas roupas estão todas apertadas.
Mas encontrei a solução no jardim da vinícola Albino Rocca: uma dieta à base de cerejas frescas. E como elas não estão disponíveis no inverno aqui, vou ter que fechar a boca até o verão chegar...
Boa semana, bom apetite e bons brindes!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cittá di Alba, Cuneo, Piemonte

Passei cinco noites na cidade de Alba, que fica na província de Cuneo, no Piemonte.
Era lá o Palazzo (foto abaixo) Mostre i Congressi onde aconteciam as degustações do Nebbiolo Prima.

A cidade, pequena mas nem tanto, tem um excelente poder aquisitivo, capitaneado pela indústria da enogastronomia. É de lá (e de suas cercanias) que saem Barolos e Barbarescos, as super valorizadas trufas brancas e as avelãs, que combinadas com o chocolate resultam em nada menos do que a Gianduia.
Não por acaso a fábrica da Ferrero Rocher fica na cidade e emprega mais de seis mil pessoas.
Ordenada, limpa, bem cuidada, a cidade é uma delícia para se caminhar pois além de tudo é plana. Por isso cada tempinho livre que eu tinha o meu caminho era o da rua, e isso começou logo no domingo, após o coquetel oficial de abertura do Nebbiolo Prima, no restaurante da praça da matriz  sob os toldos pretos (foto abaixo).
 O final da tarde de domingo ainda é um tanto movimentado para uma cidade tão pequena, pois o comércio abre e quase todos os restaurantes também.

 Quase nove horas da noite (e ainda com luz do dia) eu resolvi parar para jantar neste local que me pareceu simpático. Chama-se Pasta & Pasta e foi uma boa escolha.
 Salada de folhas com bresaola, feijão branco, tomate cereja e cubos de queijo...

 ...meia garrafa de Barbera d'Asti do produtor Damilano da cidade vizinha de Barolo...
 ...e um risotto de radicchio.
 Comida saborosa e ambiente moderno que me fizeram relaxar das mais de 24 horas 'no ar' entre aeroporto-avião-carro-coquetel...
 ...e eu adorei a luminária feita com as pequenas garrafas de Campari.
Do restaurante eu voltei direto para o hotel, pois as forças estavam no fim e a semana que começaria seria longa.
Felizmente a chuva fina e fria desse domingo deu lugar a uma semana linda, de céu azul e temperatura amena (por volta de 22 graus) que facilitou muito o trabalho e as visitas aos produtores.




 Na foto acima está o Bar La Brasilera, que fica na Piazza Savona, uma das mais importantes da cidade. Aliás é bem por ali que estão alguns dos melhores restaurantes de Alba, sobre os quais vou falar em outra postagem.
 Nas fotos acima e abaixo uma rua movimentada do centro, que leva até a catedral. Por lá as pessoas fazem compras, comem e bebem com tranquilidade, bem no meio da rua.
 O aperitivo abaixo era o 'acompanhamento' da taça de vinho branco da uva Arneis que eu pedi no La Brasilera. Custou 4 euros (tudo), aproximadamente 12 reais. Igualzinho ao Brasil, não?
 Na última foto está a Osteria dei Sognatori, um lugar que parecia estar sempre no meu caminho, não importa qual caminho eu fizesse. Assim, acabei parando uma noite. Mas isso é assunto para outra postagem...
Bom final de semana para todos, pois esta postagem me inspirou e estou indo para a cozinha fazer um risoto milanês. O vinho, no entanto, será brasileiríssimo.
Bons brindes!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mamma Itália

Imaginando que tudo tenha ocorrido conforme programado, hoje, segunda-feira 14 de maio, estou na Itália, mais especificamente em Alba, província de Cuneo na região do Piemonte, norte do país.
 

Vim para cá a convite da associação Albeisa, que reune os produtores dos vinhos Barolo, Barbaresco e Roero, para um evento que se chama Nebbiolo Prima, a apresentação das novas safras desses três importantes vinhos italianos.
A programação é intensa e começa no final da tarde de domingo durando até a manhã da sexta-feira. Inclui seminários sobre viticultura, degustações às cegas, visitas a vinícolas e, é claro, uma festa.
Na sexta-feira deixo a região do Piemonte em direção ao Vêneto, para outro evento. Desta vez o Vino in Villa que celebra os espumantes Prosecco Superiore.
Vou ficar hospedada na linda cidade de Conegliano, que muitos de vocês conhecem por fazer par com Valdobbiadene nos rótulos dos Proseccos. Sim, elas são as duas cidades mais importantes dessa DOCG.
A foto acima - que eu fiz no inverno do ano passado - mostra uma parte de um dos mais importantes vinhedos da região, o de Cartizze, a área mais nobre para produção das uvas para os espumantes que levam a denominação de origem no rótulo.
Agora, que é primavera, imagino que verei as plantas já brotadas e cobrindo os vales vertiginosos de verde intenso.
Por aqui a programação também inclui degustações e visitas, além de uma boa festa num castelo da região.
Na segunda-feira de manhã, dia 21, eu partirei na direção de Veneza, que fica apenas a uma hora de trem de Conegliano, para o último compromisso da viagem.
 Fui convidada pela vinícola Bisol (na foto acima o enólogo e um dos herdeiros Desiderio Bisol), empresa mundialmente conhecida por seus Proseccos, para conhecer um novo projeto deles, na ilha de Mazzorbo, que vocês podem ver na foto abaixo.
Essa ilha fica na mesma laguna onde fica Veneza, no entanto está a 30 minutos de barco da cidade famosa. Na foto vocês podem ver duas ilhas, a que está ao fundo - na parte de cima da foto - é Burano, ilha famosa pelas rendas delicadas, feitas por suas moradoras.
 Em Mazzorbo, aqui vista mais de perto, fica um vinhedo da uva Dorona, uma uva branca que - acredita-se - seja cultivada na região desde os anos 1400 e que parecia perdida para o mundo do vinho. A Bisol a encontrou, recuperou o vinhedo e lançou neste ano a primeira safra desse vinho, com uvas vindas de apenas um hectare de terras, que eles chamam de Venissa. Junto ao vinhedo há uma hospedaria e um restaurante onde a chef recria pratos típicos venezianos que se harmonizam não apenas com os vinhos brancos, rosés e espumantes da Bisol, mas com variados tintos italianos também.
 Imagino que essa será uma visita cheia de surpresas e prometo tirar muitas fotos e trazer muitas novidades.
 Duas fotos dos canais que atravessam a ilha de Burano (não confundam com Murano, ilha próxima de Veneza, famosa pelos cristais que produz), que eu pretendo conhecer ainda que rapidamente.
Estarei de volta no dia 25 de maio, com muitas novidades.
Bons brindes e excelente semana para todos!
Ciao!