Colheita 2016

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Tudo pode Mudar! - Parte 2


Vou tentar resumir.
Em 1930 a família Piagentini (que chegara em São Paulo poucos anos antes vinda da Itália) importava vinhos a granel e os engarrafava aqui. Um dos mais famosos desde aqueles tempos é aquele da garrafa bojuda, revestida de palha, pendurado em 9 entre 10 cantinas paulistanas.
Na década de 1950 uma parte da empresa foi para Andradas em MG e no começo da década de 1970 também ficaram pés em Caxias do Sul (foto acima).
Hoje, a Vinícola Piagentini é uma empresa grande, diversificada entre bebidas quentes (destilados), frias (vinhos, sidras etc) e alguns produtos com base de vinho utilizados na culinária. Aos 70 anos, tal qual um ser humano bem vivido, a empresa já viu altos e baixos em sua história e teve que se reinventar algumas vezes.
A última vez, há quase 10 anos, veio pelas mãos de Flávio Piagentini, 3a geração da família, e direcionou esforços e recursos para duas linhas de vinhos finos dentro da empresa, famosa por seus vinhos comuns.
Para auxiliá-los, a empresa foi buscar no Uruguai o talentoso e jovem enólogo Alejandro Cardozo, na foto abaixo durante nossa breve degustação na última 6a feira. Com uma enorme responsabilidade como proposta de trabalho, Alejandro recebeu carta branca da empresa para fazer as modificações necessárias  e conseguir compor uma linha de vinhos capaz de trazer a empresa para o século XXI.
Conseguiu. A linha 'Boutique' é ágil e a linha 'Décima' é elegante e inovadora.
Ainda restam muitos desafios e a empresa está investindo pesado em renovação física neste e no próximo ano. Leva a sério suas linhas de grande volume e permite ao enólogo algumas ousadias, como a de trabalhar sem vinhedos próprios.
Meu convite para aqueles que se permitirem mudar um pouco é: provem o espumante rosé brut Décima Pinot Noir, o Brut Gran Reserva (Chardonnay e Viognier) e o tinto Gran Reserva 2005 (uma combinação de cinco uvas que leva até Pinotage). E se quiserem começar pelo bom e barato, procurem o Prosecco Brut da linha Boutique, e depois de beber me contem.
Bons goles!

Tudo pode Mudar! - Parte 1

Aqueles que me conhecem (ou quem já leu algumas das minhas reportagens) sabem o que eu tenho 'contra' os vinhos que não são feitos com uvas viníferas.
Acredito que todo e qualquer vinho deve ser feito com o maior padrão de qualidade possível (e até isso parece ser difícil em algumas indústrias de vinhos comuns - como eles são chamados no meio do vinho), pois enganar o consumidor de qualquer maneira é muito mesquinho e, por que não, criminoso em alguns aspectos, quando por exemplo, se comercializa com o nome de vinho uma mistura de corantes, aromatizantes e álcool de cereais.
Na minha opinião, o paladar de todos nós está em constante evolução e uma dessas escalas evolutivas é precisamente a mudança do vinho comum para o de uvas viníferas. Jamais vi alguém exposto a essa mudança que tivesse voltado atrás.
Assim, não vejo outra resposta ao argumento daqueles que fazem somente vinhos comuns e são categóricos ao dizer que esse tipo de vinho jamais vai deixar de ser consumido, senão a de que estão confortáveis ganhando muito dinheiro e não se preocupando com o paladar do consumidor.
Mas uma significativa parte das empresas que foram, por muito anos, dedicadas a fazer vinhos comuns (alguns até bem feitos guardadas suas limitações) vem colocando em seus portfolios ao menos uma linha de vinhos finos.
O mais incrível é que muitas delas que afirmavam que não precisavam fazer mais nada pois o consumidor não quer mudar, deixam de usar o nome pelo qual são conhecidas do grande público para apresentar novas linhas ligadas a 'nova fase' da empresa. Se elas ganham dinheiro há tanto tempo assim, por que elas têm vergonha do nome que fez sua fortuna?
Claro que o marketing explica isso, e muito bem, mas fica para outra postagem isso.
Só para dar nomes ao garrafões, aqui estão algumas empresas importantes que vem mudando seus perfis significativamente nos últimos anos: Aurora, Salton, Piagentinni, Casa Motter (Don Guerino na foto abaixo) e Perini (leia-se Jota Pê).
Mais sobre isso na parte 2.