Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sou Grata!



Por favor não estranhem o título e muito menos a imagem dos Budas acima.
Há alguns anos venho tentando seguir a filosofia budista. Isso tem se mostrado o maior desafio que já tive que enfrentar. Não vou entrar em detalhes pois este não é o espaço para isso.
Mas escrevo este post depois de muitos questionamentos internos à luz do budismo que tento internalizar.
Este é um post de agradecimento à três pessoas em particular e aos leitores em geral. Danilo Ucha, Caren Muraro e Daniel Arraspide, que fizeram comentários muito elogiosos sobre este blog no blog do Ucha e que alegraram meu dia e minha alma.
A vaidade é, na grande maioria das vezes, prejudicial. 
Mas um elogio sincero e desinteressado "eleva a mente e acalma o coração, fazendo o elogiado viver um momento de alegria, pois vê conformado que sua contribuição para este mundo foi notada e valorizada. Somos todos seres sociais" escreve o Mestre budista Hsing Yün no livro 'Cultivando o Bem'.
Por isso, agredeço aos três e aos demais leitores que empenham seu tempo em ler este blog, mesmo com tanta informação disponível na internet e fora dela.
Continuarei fazendo o meu melhor para informá-los e entretê-los da maneira mais honesta e verdadeira possível.
Namastê!
Sílvia



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cresce a venda de vinhos brasileiros

É muito difícil precisar a quantidade de vinho que o brasileiro toma. Os dados oficiais dão conta de que são menos de dois litros por pessoa por ano (1.8 litros).
Muitas pessoas do setor dizem que isso não é mais real, que essa estatística está defasada e coisa e tal, e que o número estaria já na casa dos 2,3 litros. Acreditem-me, parece pouco, mas não é. Se for multiplicado pelo número de habitantes do país esse pequeno aumento faz uma diferença imensa em nossa indústria.
Sempre que me deparo com um especialista eu questiono esse número, e no começo deste ano - por conta de uma matéria que estava escrevendo - tive que obter dados mais bem explicados, por assim dizer. Foi o especialista em estatística da Embrapa quem me explicou o por quê desse consumo não parecer nunca aumentar: a população brasileira vem crescendo mais rápido que o consumo. Simples assim.
Mas existe, afinal, um número positivo que, se ainda não é capaz de subir o ponteiro da estatística oficial, ao menos é capaz de deixar os produtores - e gente como eu que torce pela indústria nacional - mais otimistas.
A venda de vinhos elaborados no Rio Grande do Sul, estado responsável por mais de 80% da produção brasileira, cresceu em 3,66% no primeiro quadrimestre deste ano em relação a 2009. O melhor desse número é que essa é uma época de vendas fracas, tradicionalmente. Chega depois das festas de fim de ano e antes do inverno.
Mas a melhor notícia agregada à essa estatística nova, divulgada pela assessoria de imprensa do Ibravin, é que a venda dos espumantes gaúchos subiu 29,5% no mesmo período. “Cada vez mais os consumidores estão reconhecendo os investimentos feitos pelas vinícolas em qualidade”, destaca Júlio Fante, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, em release da instituição.
O Ibravin projeta, para este ano, um crescimento de 10 a 12% na venda de vinhos, semelhante ao obtido no ano passado em relação a 2008.
São boas novas para todos nós, que poderão ser brindadas com o vinho que aparece na foto, o assemblage Décima, da vinícola Piagentini, ao lado de um prato de queijo de leite de ovelha, na frente da lareira do hotel Dall'Onder, em Bento Gonçalves.

domingo, 27 de junho de 2010

Bons Brindes e Muitos Gols!

Os espumantes brasileiros também estão em Joanesburgo, em alguns eventos que celebram o que o Brasil tem de bom além de futebol.
Assim, com o desejo de que a partida de segunda-feira contra nossos 'quase-vizinhos' do Chile (irmãos em taças) seja limpa, disputada e bonita de ver, fica uma foto de uma sul-africana servindo nossos espumantes em Joanesburgo, nesta semana.



Sterkte Brasilië! (Boa sorte Brasil em africâner)!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entristeça ou ria de si mesmo...


As 'meninas' de mais de 40 anos como eu provavelmente vão se lembrar do bonitão da foto ao lado. Sim respeitáveis senhoras, é o inglês David Coverdale, vocalista da banda Whitesnake. E sim, mais uma vez, a foto é recente e - guardadas as devidas proporções - até que o sujeito envelheceu bem para um cantor de hard rock dos tempos do LSD. Afinal, ele vai fazer 59 anos em setembro próximo - nascemos no mesmo dia - para meu desespero ele continua tendo o cabelo mais bonito do que o meu!
Mas confesso que não deixei de ficar chocada quando essa imagem chegou em minha caixa postal. Fazia muitos anos que eu não pensava no começo dos anos 80, quando eu era tão fã do sujeito a ponto de ter posteres no quarto e de guardar a mesada para comprar revistas estrangeiras que tivessem ele na capa.
Dói só de contar...(risos) e mesmo a música que eu mais adorava (e que ainda me pego cantarolando às vezes) perdeu todo o sentido quando a adolescência passou. 
O refrão dizia assim "And here I go again on my owm/ Going down the only road I've ever known/ Like a drifter I was born to walk alone/ But I've made up my mind/ I ain't wasting no more time/ Here I go again/ Here I go again..." 
Pertence ao álbun Saints an' Sinners de 1982 e foi uma das músicas mais cantadas no primeiro Rock in Rio (junto com Love Ain't no Stranger)... dá vontade de chorar (ou de rir histericamente). 
Nessa altura vocês devem estar se perguntando o por quê da seção 'querido diário' ter reaparecido no blog. Ocorre que recebi essa imagem junto de uma notícia - que fui checar para confirmar - de que a banda Whitesnake está lançando um vinho. Um 'celebrity wine' como são chamados lá fora os vinhos que recebem o nome de esportistas, atores e atrizes duvidosos ou não, músicos em meio ou fim de carreira, coisas assim.
O fato é que é verdade. Vai ser lançado no dia 1o de julho o Whitesnake Zinfandel 2008 (mais ou menos 30 dólares cada garrafa), feito pela vinícola californiana De la Montanya, que no passado já fez também um vinho para a banda Journey. Será que alguém aí além de mim lembra da música Don't Stop Believin' que eles cantavam? Voltou às paradas em 2009 por ter aparecido em um dos primeiros episódios do seriado americano Glee da Fox. 
Não consigo deixar de pensar na piada de que esses vinhos foram feitos nos anos 80, bebidos em doidas tournês em ônibus pintados com chamas e outros quetais do hard rock, e as garrafas que sobraram ficaram envelhecendo até agora, quando os 'tiozinhos' resolveram lançá-los para fazer um caixa extra. Não são 'celebrity wines', são vinhos do rock pré-geriátrico... 
Verdade seja dita, me diverti lembrando dessas coisas do passado e buscando (que maravilha achar algumas coisas na internet) os vídeos dessas músicas. Estão todos lá no YouTube para quem, como eu, ficou com saudade da voz poderosa do David Coverdale e do tipinho mirrado que cantava no Journey (Steve Perry).
Bons goles neste final de semana, sempre lembrando que os vinhos ficam ainda melhores celebrando bons momentos, mesmo que seja "down on the memory lane".
Here I go again...
http://www.youtube.com/watch?v=N_zPzJFonS4 (versão de 2006, mas existe também o original, ainda mais poderoso)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Os três mosqueteiros (que eram 4)

Enólogo, enófilo e sommelier, você conhece as diferenças?

Não passa uma semana sem que alguém me pergunte se sou enóloga (não sou). A confusão é tão comum que até a revista VEJA já apresentou como enólogo quem não é, em sua edição eletrônica. Pega mal para um veículo tão importante que as pessoas não chequem as informações antes de divulgá-las.
Mas, vamos começar pequeno e tentar explicar aqui, pois ninguém nasce sabendo. Em um país que consome pouco vinho como o nosso, mas cujo interesse vem escalando nos últimos anos, informação de qualidade vale ouro e diferencia quem é sério de quem não é.
Enólogo é, no Brasil e em alguns outros países que seguem a mesma legislação da OIV - Organização Internacional da Uva e do Vinho - o profissional com curso superior específico que é o responsável técnico pelos vinhos que faz. E 'fazer' o vinho significa muitas coisas: 1- orientar e discutir junto ao agrônomo ou viticultor como a parreira deve ser plantada, conduzida, podada e tratada, 2- decidir o momento da colheita das uvas, 3- orientar a seleção delas para a cantina e todos os processos daí em diante, incluindo maceração, fermentação, filtragem etc, 4- fazer os cortes (assemblages) dos vinhos, 5- pesquisar, conhecer e avaliar os componentes bioquímicos de cada produto, 6- atuar nas áreas de turismo ou marketing recebendo e orientando clientes, imprensa e fornecedores, 7- ser responsável pelo cumprimento da legislação local e internacional (em casos de exportação) e colocar seu número de registro no Conselho Regional de Química em cada garrafa. Isso entre tantas outras atribuições importantes que acontecem em meio a todo esse processo, seja na vinícola ou fora dela. O Brasil tem, inclusive, uma Associação Brasileira de Enologia (ABE) em Bento Gonçalves (RS) que existe há quase 40 anos, presidida por Christian Bernardi (enólogo da Tecnovin/Winepark) e que reúne mais de 350 profissionais.
Portanto, poucas pessoas no Brasil podem ser chamadas de enólogos, certificados, registrados e, principalmente, atuantes (nas fotos abaixo dois enólogos de verdade! Adriano Miolo em roupas de cantina e Edegar Scotergagna (Vinícola Luiz Argenta).


Enófilo é a pessoa que não somente gosta de beber vinhos como estuda o assunto, se aprofunda em cursos e visitas nacionais e internacionais e, em muitos casos, escreve livros, apresenta palestras, dá cursos de degustação. Mas ainda assim não FAZ vinhos, embora conheça profundamente sobre eles.
Existe um grande número de enófilos que atuam como se fossem jornalistas, escrevendo sobre vinhos em publicações especializadas ou não e assim ficam conhecidos no mercado. Na foto abaixo estão dois enófilos brasileiros, atuantes, conhecedores e participativos (e principalmente a meu ver sem preconceitos com relação aos vinhos brasileiros), à esquerda Renato Frascino e o último homem à direita é Didú Russo, entre eles há somente uma enóloga, a morena alta quase no meio da foto, Gabriela Jornada da Miolo que atua no marketing da empresa, e os outros são jornalistas especializados e administradores do mundo do vinho (entre eles o CEO da Miolo).


Sommelier é o profissional encarregado do serviço do vinho, da harmonização entre alimentos e bebidas, da composição das cartas em restaurantes, do atendimento direto ao cliente em bares e hotéis, do controle de adegas e lojas.
Aqui é onde mora a maior confusão. Originalmente o sommelier é o 'garçon de vinhos', não necessariamente um enófilo (mas em geral sim, pois esse tipo de especialização requer que se tenha afinidade com o produto) e mais raramente um enólogo.
Para o sommelier de verdade sobra muito do 'trabalho pesado', isto é: limpar e cuidar das taças, zelar pela conservação e temperatura dos variados tipos de vinhos, carregar caixas, treinar a brigada do restaurante, organizar a adega, controlar preços e a entrada e saída de mercadorias em estoque. 
Então, sobra pouco tempo para o trabalho mais delicado, que é o de provar os vinhos, buscar as harmonizações ideais com cada cardápio, fazer um bom serviço de vinhos na mesa do cliente conhecendo as suas preferências (e o seu bolso) e menos tempo ainda para viagens técnicas, passeios, confrarias e aulas.
Daí que fica estranho como uma porção de gente que jamais carregou uma caixa de vinhos na vida, para organizar uma adega, ou passou horas tirando batom de taças, quer se apresentar como sommelier.
Um dos motivos, acredito, é que a profissão não é regulamentada aqui (**), e como o mundo dos vinhos é razoavelmente novo neste país, uma das poucas opções de estudo para os enófilos de antanho eram os cursos livres de sommelier. Óbvio que isso precisa mudar, com urgência.
Na foto abaixo um sommelier de verdade, mezzo paulistano mezzo gaúcho Vinícius Santiago, da Salton.
(**) atualiazação: em julho de 2011 foi aprovada a regulamentação da profissão de sommelier, mas ainda não existem as definições corretas para ela.

 

Outros nomes que são sommeliers de verdade (que já suportaram chatices várias de chefs de cozinha, clientes, vendedores etc e que passaram noites de sábado abrindo garrafas e explicando os vinhos) são Manoel Beato (o responsável por colocar o nome dos sommeliers na mídia, com seu trabalho incansável no Fasano), Eliana Araújo, Carina Cooper, André Cavalcante, Tiago Locatelli, Deise Novakoski, Alexandra Corvo, Dionísio Chaves entre tantos outros que tentam combinar conhecimento com trabalho árduo.

O quarto mosqueteiro: no Brasil existem os técnicos em enologia, que são formados no ensino médio da escolas especializadas. A grande maioria deles segue para o curso superior, outros vão estudar na Argentina, no Chile, na França etc. Hoje em dia são encarregados de boa parte do trabalho do dia-a-dia dentro de uma cantina. Enlouquecem durante a colheita, carregando caixas, selecionando uvas, cuidando de processos produtivos importantes, sob a supervisão de um enólogo. Alguns deles vão para as áreas comerciais, onde podem utilizar seus conhecimentos de vitivinicultura e trabalhar na venda e no marketing do vinho. Na foto abaixo, técnicos da Miolo recebem uvas na época da colheita.




Por último, mas não menos importante, falta ressaltar a presença de engenheiros químicos e agrônomos, que vieram a se especializar em enologia em cursos de mestrado e doutorado (muitos deles antes do curso superior em enologia existir no Brasil). Vários deles trabalham como enólogos nas vinícolas, mas um número significativo atua na pesquisa científica. Na foto abaixo estão três deles, da Embrapa Uva e Vinho: Celito Guerra, Mauro Zanus e Irineo Dall'Agnol.




Enfim, espero que esta longa postagem auxilie àqueles que ainda tinham dúvidas sobre 'quem é quem' nesse mundo do vinho. 
Bons goles de um bom vinho brasileiro feito por um enólogo, servido por um sommelier e degustado por um apreciador.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vinho Quente em semana de São João!


Ontem, dia de jogo do Brasil, resolvi fazer vinho quente - que acabou por ser servido morno por conta dos 24 graus que fazia em São Paulo.
Fui xeterar algumas receitas e acabei por adaptar uma que deu bastante certo e que reproduzo aqui, dá para umas seis pessoas. (A história dessa bebida está ao final)

1 maçã grande firme cortada em cubos sem casca (fuji ou pink lady)
5 damascos turcos fatiados
1/2 limão em fatias finas e o caldo da outra metade
1 xícara de café de passas
6 cravos
1 colher de sobremesa de paus de canela
1 xícara de chá de açúcar
3 xícaras de chá de água
1 garrafa de vinho tinto demi-sec 

Em uma panela de fundo grosso e boca larga misture 1/2 xícara de açúcar e 1/2 xícara de água. Leve ao fogo médio misturando até a calda tomar cor.
Deve ficar um granada pálido. Continue mexendo e coloque as maçãs, os damascos, cravos, canela e as passas. Misture bem e deixe que tomem um pouco mais de cor por uns 3 minutos.
Abaixe o fogo e acrescente a água e o vinho, misture e deixe levantar fervura.
Quando ferver coloque as rodelas de limão e o caldo restante, prove e coloque mais açúcar se for preciso (dependendo do vinho e do doce das frutas pode não ser).
Deixe ferver por mais alguns minutos e desligue. Está pronto para servir e pode ser conservado em geladeira de um dia para o outro.
Qual vinho usar? Por favor, evite os vinhos de garrafão. Não pelo fato de serem feitos de uvas não viníferas, mas sim pelo fato de que a maior parte deles leva mais do que uva e açúcar e isso não combina com o vinho quente, combina com ressaca.
Algumas rótulos que não farão feio, custam barato e são fáceis de achar: Castell Chambert e Chalise da Salton, Saint Germain Merlot ou Cabernet (da Aurora).
Para fazer a versão sem álcool, coloque metade do açúcar e troque o vinho por suco de uva integral. Não deixe ferver muito, pois não há necessidade de evaporar o álcool e pode amargar.
Sirva em uma linda caneca de barro ou louça com uma colherinha para comer as frutas.
Aproveite!

Um gole de história: O nosso vinho quente, assim como o quentão de cachaça, faz parte de uma das divisões da coquetelaria chamada 'grogues'. Os mais famosos são preparados com rum, brandy ou whisky e podem ser servidos em chamas. 
As versões brasileiras disputam a história com os ponches, bebidas mais frutadas onde o álcool é só parte do atrativo e que podem ser servidos quentes ou frios. A história dos ponches começa na Índia, com os chás sendo incrementados com especiarias e frutas e a dos grogues e vinhos quentes tem raiz na Europa, quando os vinhos que já estavam para ficar avinagrados eram fervidos com frutas, mel e especiarias para serem servidos aos soldados.
Até os dias de hoje, nas feiras de Natal em muitas partes da Europa são servidos vinhos cozidos com frutas e especiarias (Gluhwein), muitas vezes com a adição de um destilado de cerejas (foto ao lado no mercado de Dresden e abaixo do mercado de Estrasburgo- ambas as fotos são do arquivo da Latin Stock). 

sábado, 19 de junho de 2010

Humor Gaúcho para o Fim de Semana







Todas as tirinhas são do artista gaúcho Iotti, os personagens são Radicci, Nôno, Guilermino e Genoveva.

Bom descanso e bons goles!