Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ANIMAL!

Dizem que a gente precisa fazer uma loucura uma vez ou outra na vida, para que as coisas não fiquem tão assentadas como batina de padre em Roma, certo?
A minha foi ontem, largando o trabalho por quase 3 horas e indo para o centro da cidade conhecer um lugar que há muito pedia uma visita, o Bar da Dona Onça.



A 'Dona Onça' do nome é Janaína Rueda, uma linda morena de olhos azuis, que eu conheci no mundo do vinho há anos, quando ela trabalhava como sommelier da Pernod Ricard. Ela foi, naqueles tempos, minha avaliadora na prova prática do curso de sommelier.
Mas isso são 'àguas de macarrão' passadas.
Janaína casou-se com um dos grandes chefs de cozinha de SP, o Jefferson Rueda (que fez a fama do Pomodori), virou dona de bar, cozinheira e mãe de dois filhos, tudo isso em uns 6/7 anos apenas!
Continua linda e estava lá, dando expediente no domingo. Atenta ao movimento, tirando coisas das mesas, dando ordens com seu sorriso suave e, principalmente, comandando uma casa que é a cara de São Paulo.
A começar pelo fato de que fica no centro da cidade, bem perto da Praça da República, depois que está em um dos prédios-símbolo da cidade, o Edifício Copan e tem uma decoração externa e interna que - afora alguns toques mais contemporâneos - reflete uma São Paulo que eu considerava perdida para sempre: vidros grandes, lambris de madeira nas paredes, cadeiras escuras, bar espelhado e de teto baixo.
Logo ao entrar tive uma sensação boa de estar em lugar que sabe o que é, e não precisa ser pretensioso.
O cardápio é outra homenagem à cozinha que todos nós daqui conhecemos: picadinho com ovo, bife de porco à milanesa, frango com quiabo, caldeirada, peixe frito e até couve-flor à milanesa...sem medo de ser feliz! Na foto abaixo ela está acompanhada de outro 'clássico' paulistano: Caju Amigo, só que preparado com Vodca ao invés de Gim, como era feito no Pandoro na década de 1960/1970.


Movimentada todos os dias, a casa tem vários cardápios, incluindo os pratos do dia, que são servidos no almoço durante a semana, escritos no painéis das paredes, abaixo da cozinha ou nos espelhos que revestem as colunas largas.



Meu marido escolheu comer o picadinho de filé com ovo frito caipira e tartar de banana, acompanhado de farofa e creme de feijão. Tudo saboroso, cada bocado com um temperinho que mostrava que alguém por lá sabia o que fazia.


Sobre a mesa, uma seleção de temperos bem legal: flor de sal, três estilos e intensidades de molhos de pimenta, azeite e uma cumbuca com farinha de madioca.


Eu resolvi pedir um desses pratos que são tudo ou nada, ou estão perfeitos ou você se arrepende amargamente: um steak tartar, que para quem não sabe, é carne crua, magra, picada com duas facas afiadas e temperada no momento de servir, para não escurecer. É um clássico francês (vindo da tradição russa, onde era servido com um ovo cru), que lá foi servido com chips de mandioca super crocantes e salada verde mista. Tão bom, mas tão bom que ao escrever agora já tenho vontade de comê-lo novamente.
Eu sou assim, passo dias sem comer carne alguma e, no dia da loucura, caio de boca num steak tartar. Que para ser ainda mais sério, foi servido com um pote de mostarda forte de Dijon.


E como se tudo isso fosse pouco, a refeição majestosa foi completada com mini-churros com doce de leite cremoso e um trio de brasilidades (pudim de leite, brigadeiro de colher e mini-quindim) e mais café expresso bem tirado como raramente se vê nos restaurantes de São Paulo.



Melhor do que isso? Só trabalhar bastante para ganhar dinheiro e poder voltar e provar mais coisas do cardápio, como as receitas de carne de porco preto, e as massas artesanais do chef Jefferson Rueda, que está 'roubando minhas panelas' como disse a Janaína, enquanto sua nova casa não fica pronta.
E como dizia a banda Premeditando o Breque: "É sempre lindo andar, na cidade de São Paulo, o clima engana, a vida é grana, em São Paulo (...) Pra quebrar a rotina, num fim de semana, em São Paulo, lavar o carro comendo um churro, é bom pra burro!".
Para quem nunca ouviu essa música (e acha que São Paulo é apenas 'Sampa' do Caetano) segue aqui o link da música do Premê: http://youtu.be/GccpL1-Oah0

Boa semana para todos!




domingo, 10 de julho de 2011

10 de julho - Dia da Pizza!

Em São Paulo todo dia é dia de pizza! Apenas a cidade de Nova York tem consumo maior de pizzas do que a cidade de São Paulo. E não sei se vocês já repararam nos filmes, mas as pizzas americanas são aquelas que ao pegar uma fatia com a mão, a massa é tão densa que o pedaço nem se curva, uma coisa triste.
Claro que existe isso por aqui também, pois são 700 pizzarias na cidade - isso sem contar os estabelecimentos que só tem entrega e não tem salão - em todos os estilos possíveis.
Algumas (poucas) dedicam-se a fazer as pizzas de uma maneira mais aproximada da tradição italiana que é, na verdade, a pizza napolitana que leva apenas massa, molho, queijo mussarella e manjericão, sem firulas, sem frescuras que, como todo bom chef sabe, são as coisas mais difíceis de se conseguir.
A boa pizza é uma sinfonia bem conduzida de bons ingredientes: farinha de qualidade, azeite extra-virgem, fermento que tem tempo e tempetaura correta para se desenvolver, tomates sem acidez e com tempero justo e queijo de excelente qualidade. Isso sem contar a mão humana, para abrir, cobrir e assar em um forno à lenha, com perfeição de quem sopra cristal.
Sou uma apaixonada? Sim, claro, principalmente se eu disser que até os 18 anos eu não comia nenhuma pizza que levasse queijo...e hoje sou daquelas (chatas) capazes de perceber a qualidade da mussarela com uma única garfada.
O fato de ter trabalhado por dois anos em uma das melhores pizzarias da cidade ajudou, claro, ao lado de um chefe que respeitava os ingredientes acima de tudo.
Mas resolvi colocar essa postagem aqui hoje para falar de uma outra casa, a pizzaria mais antiga de São Paulo, a Castelões.


Fundada em 1924 - sim pessoal, 1924 - fica no Brás, em uma ruazinha estreita e feia, com fachada e interior simples, com garçons que parecem estar lá desde o início da casa (vá lá, é exagero, mas que todos são da terceira idade, isso sim). A casa não tem website, não aceita cartões e praticamente não se rendeu à 'modernidade' da rúcula com tomate seco. Praticamente pois, agora que até em Xiririca da Serra já fazem essa cobertura de pizza, eles a colocaram no cardápio.

 Tem tudo o que se espera de uma cantina/pizzaria: toalha xadrez, linguiças frescas penduradas no teto (são vendidas em porções e também usadas nas pizzas, preparadas especialmente para a casa), antigas garrafas de vinho Chianti, daqueles com a cestinha de palha em volta, e mesa de antepastos com 'cara' de cozinha da mamma!
Aliás um parêntese, uma vez que este é um blog de vinhos: a cestinha de palha era usada nas garrafas de Chianti para garantir que ela chegasse sem quebrar aos seus distantes destinos, em uma época em que o vidro era de baixa qualidade, mas o líquido já agradava paladares longínquos. Ficou tão característica que agora que isso não é mais necessário, a garrafa foi mantida por uma questão de marketing, mesmo que o vinho que hoje guarda já não seja de melhor qualidade.
Os pratos são bem ao estilo de cantina do sul da Itália, onde a culinária é mais 'quente' e mediterrânea, com massas frescas, tomates, berinjelas, abobrinhas, pimentas e pimentões, anchovas e muitas ervas.
Mas o que interessa hoje é a pizza, e pedimos o que havia de mais tradicional: Marguerita, que lá leva uma suave camada de molho de tomate sobre o queijo também. A massa, de borda mais espessa e assada com precisão, vai ficando mais fina em direção ao centro, o queijo é produzido em pequena escala por uma apaixonado pelo assunto, o Roni, que atende apenas as melhores casas de São Paulo com sua produção quase artesanal.
A pizza de calabreza leva a linguiça corretamente assada, sem excesso de gordura para não estragar a massa, e uma mistura de cebola e salsinha picadas que dão frescor e um ligeiro ardidinho.
Por fim, nossa concessão à modernidade foi a pizza de berinjela, com finas fatias do legume em conserva de azeite, desta vez sem nenhum queijo.
O vinho que acompanhou tudo isso foi um rosé nacional de Santa Catarina, que não estava na carta da pizzaria (sim, eles têm uma carta que beira o lamentável pela quase exclusiva presença de rótulos argentinos e chilenos de baixa qualidade, os 'reservados', que eu costumo dizer que são 'reservados para trouxas'), mas paguei a taxa de rolha que me pareceu justa e pudemos degustar nosso rosé devidamente colocado em um balde de gelo e servido em taças de vidro enormes...divertidas até.
Vocês devem estar se perguntando se não valeria a pena alguém ir fazer um trabalho sério de vinhos lá. E eu digo que acho que não. Esse time está ganhando desde 1924, e o fato de não aceitarem cartões dificulta o consumo de vinhos diferenciados e (claro) mais caros. Escolha da casa, de administração familiar e  um tanto antiquada, mas que guarda uma resquício da memória paulistana, tão perdida em meio a modismos e influências várias de todos os povos que nos últimos 100 anos compuseram nossa diversidade.
Ficamos com o fato de que eles cobram pouco pela taxa de rolha e com a verdade de que a pizza lá é o centro das atenções, e não o vinho, que deve apenas ser um correto acompanhamento.



Boas garfadas, bons goles e feliz dia da pizza!


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sommelier agora é 'quase' profissão!

A CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado brasileiro aprovou, ontem, por unanimidade e em caráter terminativo, a regulamentação da profissão de Sommelier.
A matéria segue, agora, para a sanção da Presidente Dilma Rousseff.
O texto aprovado, de autoria do deputado Eduardo Cunha, que tramitava desde 2008, afirma que o Sommelier é o profissional que "executa o serviço especializado de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados e enotecas, e em comissaria de companhias aéreas e marítimas".
O projeto também prevê que esse profissional seja formando em cursos específicos, seja no Brasil ou no exterior, ou exerça a profissão de forma regular há pelo menos três anos na data da aprovação da lei.
Pessoalmente eu creio que essa regulamentação chega em boa hora, pois tira da margem aqueles que decidiram (muitas vezes por investimento do próprio bolso e outras vezes com a ajuda de seus empregadores), trilhar o caminho do estudo, degustação, serviço e conhecimento dos vinhos para melhor atender aos seus clientes.
Em tempos de preparação para Copa do Mundo e Olimpídas, e em um momento no qual a indústria vitivinícola brasileira cresce e tenta se afirmar como séria, a profissionalização é muito bem vinda.
Ela, também, abrirá caminho para a formação de um sindicato de profissionais e para que as escolas que oferecem cursos nessa área passem a separar aqueles que realmente estão dispostos a carregar caixas, controlar adegas, trabalhar em pé por longas horas e finais de semana, degustar vinhos corretos e não corretos e depois disso tudo oferecer o melhor atendimento cortês e ético para seus clientes, daqueles que apenas querem ostentar mais um título em seu cartão de visitas.
Boas novas para todos os profissionais sérios e éticos!



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Para pensar!

A chef de cozinha Roberta Sudbrack fez - ontem - um workshop para os participantes do reality show Super Chef no programa da Ana Maria Braga, na Globo.
Ela começa sua apresentação dizendo que o chef pode sim ser famoso, mas não deve aparecer mais do que o ingrediente que usa, do que a comida que faz. Ela afirmou, com olhos honestos de quem pratica o que prega, que quando alguém escolhe 'ser cozinheiro', essa pessoa escolhe 'servir', e isso inclui entrar pela porta dos fundos, se trocar no vestiário dos funcionários e trabalhar duro, entre tantas outras coisas.
Confesso que fiquei emocionada, por compartilhar com ela desse pensamento, dessa certeza!
Isso se aplica aos restaurantes, é claro, mas se aplica também à minha profissão primeira, a de jornalista.
Muitas vezes, nas viagens que faço, as pessoas querem tirar fotos minhas e eu costumo dizer que 'jornalista quando sai em foto é má notícia', pois acredito exatamente nisso que disse a chef e tomo a liberdade de parafrasear: o jornalista não deve aparecer mais do que a notícia, ele não é maior e nem mais importante do que ela, ele é - apenas e tão somente - o veículo para que uma informação chegue ao público.
Atualmente, com a falta de exigência de diploma para se exercer a profissão de jornalista, a situação da qualidade da informação piorou ainda mais, complicada pela disperssão dos veículos nas mídias alternativas e nas redes sociais sem controle algum.
É óbvio que não sou ingênua a ponto de acreditar que alguns anos em uma faculdade façam de alguém um profissional, no entanto, um pouco de estudo dedicado e o aprendizado de algumas técnicas específicas fazem de uma pessoa um profissional em formação mais habilitado.
Eu não aprendi sobre vinhos na faculdade, obviamente (até porque jornalistas são bebedores de café e cerveja), mas aprendi onde buscar informações, aprendi como colocá-las em uma ordem que favoreça a leitura para os diferentes públicos e veículos que existem, estudei mais português e técnicas de redação do que, por exemplo, um engenheiro ou um médico, aprendi a pesquisar, a perguntar, a ir atrás de uma informação que comprove outra - ou que a desdiga para garantir que os dois lados de uma questão estejam representados.
Os especialistas sempre existiram e vão existir, mas antigamente estavam restritos aos setores de economia (jornalistas em geral não se sentem à vontade com números), ao esporte e às artes. Mas isso nunca quis dizer que se o colega do futebol tivesse uma dor de barriga, o jornalista que escreve a página de cinema não fosse capaz de 'segurar as pontas'. Por que ele era capaz? Porque conhecia a técnica e sabia onde buscar o que precisava para sair naquele espaço. Não era especialista (esses eram os articulistas, onde entrava a opinião de quem tem fontes privilegiadas e se dedica apenas a um assunto), mas era jornalista. Para o jornalista de verdade não existe 'o que eu penso', existem as fontes, quem disse o quê e quando, quem me deu uma determinada informação. O especialista é quem o jornalista vai buscar para entrevistar, para consultar, não ele mesmo e o que ele leu em algum lugar. O especialista é, apenas, um dos lados da notícia.
Hoje, temos 'jornalistas' de variadas formações. Alguns deles até - acredito - são pessoas que deveriam mesmo ter estudado jornalismo e estavam na profissão errada. Esses serão profissionais da informação um dia, se tiverem um pouco de humildade e atenção. E eu tenho o privilégio de conhecer alguns, felizmente.
Mas, a enorme maioria é de 'especialistas' em algum outro assunto que obtiveram o espaço em veículos que não querem pagar por um profissional e que não acreditam que isso seja necessário. Eles não tem compromisso com a veracidade das informações que transmitem e muitas vezes são os 'copiadores oficiais' de releases (release é o texto que a assessoria de imprensa de uma pessoa, marca ou produto envia como divulgação), são pessoas que adoram brindes e viagens acima de tudo, e não tem o menor constrangimento em pedí-los, oferecendo um espaço em seus veículos como contrapartida. Comportam-se mal, saindo no meio de entrevistas coletivas, chegando atrasados, querendo se impor entre as fontes de informação pois seu nome é 'mais famoso', deixando eventos para onde foram especificamente convidados para 'ir tomar uma', sem pensar ao menos em dizer isso em voz baixa ou sair discretamente, adoram que seus nomes estejam à frente de quaisquer outra coisa.
Qual o resultado disso tudo? A informação verdadeira fica perdida, as fontes não sabem a quem atender e muito menos "como" tratar com essas pessoas. Os veículos sérios perdem anúncios em favor dos 'vendidos', os profissionais dedicados perdem espaço para muitas pessoas que fazem muito bem uma coisa: marketing pessoal, e vendem opinião como informação.
Mais de uma vez, no meio do vinho, já escutei de produtores: "olha Silvia, quando a gente tiver uma verba a gente fala com você para fazer uma matéria". Ou outra: "ficamos felizes com o veículo de fulano/sicrano/beltrano, pois a gente pagou, mas saiu exatamente o que a gente escreveu e mandou para eles".
Esses são os absurdos da 'imprensa' de hoje. Publicidade é uma coisa, e precisa estar lá para pagar as contas (não dá para viver sem publicidade gente!), mas editorial é outra. O produtor ou o produto, não precisa conhecer 'a Sílvia', mas 'a Sílvia' precisa conhecer os produtos que compõem o expectro do assunto sobre o qual ela trata em suas matérias.
Este ano, fiquei sabendo, que alguns eventos no Brasil tiveram pouca divulgação pois os organizadores não tinham dinheiro para 'pagar' as matérias. O que acontece? É um círculo vicioso pernicioso: o sujeito está começando, quer aparecer, vai lá e fala para o veículo/jornalista: 'olha, me dá uma forcinha neste assunto/evento que eu te mando uma caixa de mexericas'. O cara aceita e divulga. Na próxima vez, de novo a caixa de mexericas e o espaço na página. Mas, a longo prazo, não se paga papel e nem impressão com caixa de mexericas (pois o sujeito não anuncia nunca, só pede favor) e um dia a safra de mexericas quebra, daí o 'jornalista' sem mexericas não escreve nada. Viram? Para tudo. No começo é favor, depois vira obrigação de ambas às partes e um dia dá errado.
Se o evento em questão fosse tratado como o assunto/notícia que é, simplesmente e sem favorecimento, provavelmente teria espaço sempre e, eventualmente, o organizador iria pensar: "Puxa, acho que vale a pena fazer um anúncio lá, eles são sérios e nunca me pediram nada".
Quem ganha nesse caso? Todo mundo, o veículo que poderá pagar um jornalista mais sério (que será questionado e cobrado em suas atribuições pois não trabalha de graça ou por uma caixa de mexericas) e pagar a conta do papel, da tinta, da distribuição, o anunciante/produtor que terá a segurança de que o produto dele foi mencionado por ser importante, não por ser 'pagante' e, acima de tudo pessoal, o LEITOR, a única pessoa que realmente interessa no final disso tudo, aquele para quem pegamos o melhor ingrediente, com a melhor técnica, com o maior cuidado e com toda nossa humildade, e servimos a informação quente, fresca, honesta. E essa informação correta poderá, a longo prazo, vender um produto também honesto e correto.
Pensem nisso ao lerem, ao comprarem, ao anunciarem, ao darem uma entrevista, pensem em quem estão favorecendo a curto, médio e longo prazo. Pensem se vale a pena.
A informação, hoje, parece com o título do livro do Milan Kundera (Marshall Bermann) "Tudo o que é sólido desmancha no ar", mas não é assim. Equívocos se prolongam, corrigir um erro de imagem custa mais caro do que começar certo, mesmo que demore um pouco mais.
Parabéns Roberta Sudbrack, parabéns aos profissionais da informação que, entre as águas turvas e turbulentas que temos navegado, conseguem manter o microfone mais alto, sobre as águas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Degustando!

Nas últimas semanas venho degustando mais vinhos do que o normal, e acabo me lembrando do nome brincalhão que o jornalista Roberto Gerosa dá para seu grupo de degustadores: "os homens que cospem vinho"!
É assim que tenho me sentido às vezes, cuspindo mais do que fazendo qualquer outra coisa.
No entanto, preciso dizer que tenho tido muito mais agradáveis surpresas do que decepções, entre as centenas de garrafas de vinhos brasileiros que passaram por minha taça nos últimos tempos.
Vinícolas das quais eu nunca havia ouvido falar (ignorância minha, com certeza), dos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, causaram grande comoção em nossa equipe de degustadores, pela excepcional qualidade dos produtos que apresentaram.
Um detalhe: tudo, absolutamente tudo, degustado às cegas, sem sabermos o que estava naquelas taças, com uma simples ordenação feita pelo sommelier que nos atende, para  facilitar nossa vida de cuspidores de vinhos.
Que ordem é essa afinal?
Pois bem, essa também é uma das atribuições de um sommelier bem treinado: organizar degustações, e não apenas deixar as taças limpas, as cuspideiras com um guardanapo de papel dentro, a sala sem nenhum aroma estranho, as bebidas na temperatura correta. Além de tudo isso ele deve ser capaz de avaliar aquelas amostras e separá-las.
Vou dar um exemplo fácil: entre os espumantes, em primeiro lugar sempre os Nature ou Extra Brut, depois os Brut, os Demi-Sec e os Moscatéis. Por que? O açúcar residual, nesse caso específico, tem enorme efeito na percepção do vinho, então começamos sempre pela menor quantidade de açúcar e vamos até a maior. Um bom sommelier precisa saber fazer isso.
Quem nos atende é o competente Ney (na foto ao lado), da Praça São Lourenço que fica na Vila Olímpia, em São Paulo.
Além de boa gente, ele é aquilo que se espera de um sommelier: interessando, organizado, tranquilo mesmo que a degustação esteja lhe tomando um precioso tempo de descanso, e tem bom paladar, sem preconceitos. Também gostamos de consultá-lo quando estamos em dúvida a respeito de um vinho que não parece aquilo que deveria ser.
O trabalho do sommelier é complicado, não apenas pelo fato da profissão ainda não ser tão levada à serio como deveria neste país (quantas outras profissões afinal também passam por isso?), mas também pelo fato de que muita gente que trabalha com vinhos não tem seriedade no que faz. Aproveita o assédio dos produtores e/ou importadores para conseguir amostras, viagens, e - muitas vezes - dinheiro que não deveria chegar até seu bolso dessa forma. Alguns donos do restaurante, por sua vez, fazem vista grossa para essas práticas pois acreditam que isso enriquece o sommelier e (melhor de tudo para ele), é um dinheiro que não tem que sair de seus próprios bolsos.
No entanto, muitas vezes a casa (restaurante) acaba sofrendo com isso, pois vinhos que não seriam ideais para os pratos da casa, entram na carta pelo viés do ganho extra do sommelier.
Por isso é legal observar quem parece trabalhar com mais afinco e seriedade, como lá na Praça.
Em todas as profissões existem desafios, problemas que temos que contornar às vezes com um jeitinho que não gostaríamos de dar, mas aquelas que atendem o público diretamente estão ainda mais expostas às críticas e às práticas duvidosas que podem parecer não comprometer logo de cara, mas o fazem a longo prazo.
Talvez sejamos menos ricos finaceiramente trabalhando com seriedade e respeito ao próximo, mas com certeza a nossa consciência está mais tranquila, nosso sono é mais apaziguado e nunca irá nos faltar nada, nem vinho!
www.pracasaolourenco.com.br
Bons goles e boa semana de frio!

sábado, 2 de julho de 2011

Vinho Monegasco OU Casamento é tudo igual!

Gente, momento Caras, Hola, Contigo, ou como é que vocês queiram chamar. Pois decidi contar que adoro cerimônias de casamento, e me deparei com umas fotos feitas lá em Mônaco hoje que resolvi compartilhar com vocês.
O príncipe Albert II e a ex-nadadora sulafricana Charlene casaram-se neste final de semana (civil ontem e religioso hoje). As notícias dão conta de que o Champagne é do bom, os vinhos tinto, branco e rosé (afinal é verão por lá) são da vizinha Provence, feitos com uvas de vinhedos orgânicos e o vestidinho da noiva era um Giorgio Armani.
Divirtam-se, pois hoje nada aqui é sério!
Começando pela chegada dos convidados e das daminhas. Vocês verão uma porção de personagens que estão em todos os casamentos...


Aquela tia que sempre exagera na roupa (ela só esqueceu que o casório era de dia...),
(o duque Vittorio Emmanuele de Savoia, príncipe de Nápoles e a esposa Marina)


aquela tia gordinha que sempre acha que estampa emagrece,
(a grã-duquesa Maria, da Rússia)


o tio bêbado antes até da festa,


a tia tatuada que tem filhos que parecem mais novos que ela,
(princesa Stephanie de Mônaco, com o filho mais novo Louis)


"aquela" prima,
(a modelo sueca Victoria Silvestedt)



os primos distantes,
(princesa Victória da Suécia e o marido príncipe Daniel)


o tio que sempre reclama de tudo (desta vez ele estacionou longe),
(o estilista Giorgio Armani)


a tia gordinha que é elegante,
(Duque e Duquesa de Luxemburgo)


o tio chapado: "alguém aí viu o Michael Jackson? eu fiquei de encontrar com ele aqui",
(o estilista Karl Lagerfeld)


os primos 'fashion' que vem da capital,
(Emmanuel Filiberto de Savoia, príncipe de Veneza e a esposa Clotilde)



o ex-namorado da noiva que veio só para caçar alguma amiga dela,


o quintal de casa, onde vão fazer a cerimônia,


aquele tio que parece com o 007, como era o nome dele mesmo?
(o ator Roger Moore e a esposa)


o tio que sempre diz para as meninas: "como você cresceu, tá desenvolvida",
(o presidente da França, Nicolas Sarcozy)


as primas fofocando: "eu juro que não acredito que ela teve coragem de por um vestido daquele comprimento, dirfarça e dá uma olhada",


os 'parentes ricos',


os noivos, claro!


as amigas da noiva e o noivo tentando desembaraçar a cauda do vestido,


a noiva: "nooossaa, não acredito que aquela sua ex teve coragem de vir aqui",


o noivo: "escuta, você acha que a comida vai dar para esse mundo de gente que veio?"


Linda!


Não tenho palavras para essas alegorias de cabeça, a não ser que a ex-namorada que veio está na última fileira abaixo, à esquerda.
(a modelo Naomi Campbell)


Que sejam felizes e que reinem em paz!





sexta-feira, 1 de julho de 2011

Boas Novas do Frio!


As baixas temperaturas que tomaram conta do sul e sudeste do Brasil nos últimos dias trouxeram uma boa notícia para o mundo do vinho: a vinícola Pericó, de São Joaquim, conseguiu colher as uvas Cabernet Sauvignon congeladas a -9º para começar o processo do que deverá ser a segunda safra de seu Icewine.
As fotos abaixo foram enviadas pela assessoria de imprensa da vinícola.


Uma parte da colheita começou na madrugada do dia 28 de junho, nos parreirais que ficam a 1300 metros acima do nível do mar.
O tecido que se vê no solo do vinhedo é uma rede que protegia as uvas do apetite dos pássaros, afinal a colheita para os vinhos tradicionais terminou há aproximadamente dois meses, portanto as uvas que ficaram estavam com enorme concentração de açúcar. Um pitel para as aves.
Abaixo, um cacho de uva colhido nesse dia.


O longo processo que teve início nesta semana ainda não tem data para terminar, mas a safra 2011 do Icewine será, com certeza, ainda mais surpreendente do que a anterior, devido às baixas temperaturas e ao expertise adquirido com a primeira safra.
Bons goles e excelente final de semana para todos!