Colheita 2016

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ICE WINE PERICÓ - SC

Aqui está, a nova preciosidade de mercado nacional de vinhos.
O Icewine da Vinícola Pericó teve seu pré-lançamento ontem à noite em São Paulo (o lançamento oficial ocorrerá em Santa Catarina no domingo, dia 10.10.2010 às 10h10).
Para os curiosos, segue logo o preço sugerido: R$ 189,00 para o consumidor final.
Para os não tão afoitos, são 200 ml de dulçor e acidez muito bem casadas, em um vinho especial e elegante.
O dono da vinícola Pericó, Wandér Weege, entregou a primeira garrafa do vinho com uma deliciosa declaração de amor à sua esposa Laurita (na foto acima). Os dois estão casados há 33 anos e é possível ver neles que o amor está vivo e doce, como o raro vinho que lançaram.
Corrigindo a informação do post de ontem, o portfolio da Pericó já tem cinco espumantes (um deles um diferenciado Champenoise que provei na festa), dois brancos que estão chegando devagar ao mercado (Chardonnay e Sauvignon Blanc) e um tinto que está sendo lançado agora, que é um varietal da casta Pinot Noir, que também parece gostar do frio e da altitude de São Joaquim.
No evento falaram, além de Wandér Weege, o enólogo Jefferson Sancineto Nunes, que se disse mais feliz com o resultado final do vinho do que esperava, e o sommelier e jornalista italiano Roberto Rabachino, que foi o 'autor' da ideia de um vinho do gelo brasileiro.
Jefferson criou, especialmente para a festa de ontem, uma sobremesa com peras cozidas no Icewine, um pouco de creme e um leve massa (veja a foto abaixo) e o casamento foi perfeito. Foram servidas duas porções, para um tira-teima de verdade.
Perceberam os detalhes na foto acima? Ao chegarmos havia em cada cadeira uma prancheta de acrílico com uma ficha de degustação e uma pequena caneta dourada. Ela servia também como apoio para a taça e para o prato. Mas no prato foi colocada uma peça de silicone criada por Wandér Weege especialmente para segurar as taças durante um coquetel, quando ficamos sem mão livre para comer e cumprimentar as pessoas. Genial não?
Na foto abaixo estão (da esq. para a dir.) Christian Burgos, Wandér Weege, Régis Ghelen (ao fundo) e Adolar Hermann, trocando ideias (provavelmente empresariais, já que essa é a 'praia' de todos eles), momentos após o lançamento. 

O local do evento foi o restaurante Praça São Lourenço, que contou com o excelente serviço dos sommeliers Ney, Roberto e Wellington (na foto de blazer preto com o prof. Rabachino ao fundo), além da atenciosa equipe de garçons, que serviram os espumantes, o Icewine e os aperitivos do coquetel.

A foto abaixo (ruim, admito...) mostra um trio raro, de jornalistas 'de verdade' que dedicam uma boa parte de seu tempo aos vinhos nacionais. Marcos Pivetta, Celso Masson e - chegado especialmente do RS - Maurício Rolloff, brindando com o espumante Pericó.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ice..Ice..Wine...

Vem de uma parcela desses parreirais acima, as uvas Cabernet Sauvignon do primeiro Icewine brasileiro, que será lançado hoje em São Paulo, às 20h pela Vinícola Pericó.
Essa montanha que fica muito (mas muito) fria no começo do outono, está localizada no município de São Joaquim, em Santa Catarina, a mais de 1300 metros acima do nível do mar. O proprietário é o empresário catarinense Wandér Weege (foto abaixo), que buscou o enólogo gaúcho Jefferson Sancineto Nunes  em seu laboratório de Flores da Cunha (o Enolab) para fazer seus vinhos. 

Atualmente o portfolio da empresa é composto de um vinho rosé, o Taipa e por quatro espumantes, dois brut (branco e rosé) e dois demi-sec (branco e rosé). Mas neste ano, além do lançamento do especialíssimo Icewine hoje, ainda está previsto o lançamento do primeiro tinto da vinícola.
 Os rótulos que aparecem aqui não são os atuais. Vou mudá-los assim que possível.

O coquetel de lançamento hoje deve ter muitas surpresas, entre elas a taça especialmente feita para o vinho pela Cristallerie Strauss (que eu já mostrei aqui no blog) e pratos criados pelo enólogo em parceria com os profissionais da Escola de Gastronomia ICIF de Flores da Cunha, para harmonizar com o vinho, entre outras coisas que contarei amanhã para vocês.
Para quem não sabe, os Icewines são vinhos muito especiais e raros.  São classificados como Vinhos Doces Naturais e só são feitos nos anos em que a temperatura cai a uns 6 graus negativos, congelando os grãos super maduros que resistiram no parreiral sem apodrecer durante o verão e começo de outono.
Os países mais conhecidos por esses vinhos são o Canadá, a Alemanha, a Áustria e a Suiça (Eiswein). São vinhos caros, de intensidade profunda e sabor único.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lugar de repórter é na rua!

Quando eu me formei em jornalismo não existia internet - aliás levou muitos anos para que eu sequer tivesse um computador para escrever - e como a 'Wikipédia' não existia nós repórteres e pesquisadores utilizávamos armas antigas como livros, bibliotecas, arquivos de textos e de jornais para nossos artigos.
Mas principalmente, o que utilizávamos naqueles tempos e hoje parece ser artigo raro é a comunicação. Isso mesmo, a troca de mensagens, de opiniões, de perguntas e respostas entre as pessoas, afinal a voz do jornalista não é exatamente a dele, mas sim a das pessoas que ele entrevista, que ele vê, que ele busca e encontra nas mais variadas situações, principalmente em campo, ou seja: na rua.
Repórteres não podem ter medo de gente, precisam gostar de xeretar, de buscar novidades, de caçar 'furos', precisam não ter receio de enfiar o pé na porta, de perguntar para quem quer que seja se está doendo o furo da bala, a perda do marido, o jogo perdido.
Meus professores diziam que não existiam perguntas inconvenientes e sim respostas.
Jornalistas de verdade nada sabem, mas escrevem sobre tudo. Não têm nenhuma resposta, mas têm todas as perguntas. Não gostam particularmente de ninguém, mas apreciam muitas pessoas. Repórteres de verdade estão em  movimento e não imóveis em uma redação por mais tecnológica que ela seja.
Não vou generalizar, mas hoje as coisas são bastante complicadas, seja pelo desprestígio de alguns setores da mídia, seja pela comercialização publicitária disfarçada de informação, pela não necessidade de nenhuma espécie de treinamento ou diploma para exercer a profissão, pela valorização do 'especialista' no lugar do generalista (afinal um bom jornalista não precisa ser especializado em nada, mas tem obrigação de se aprofundar em cada assunto sobre o qual vai falar) e pela crise das mídias em geral que privilegiam o mais barato em detrimento do mais caro.
Qualidade custa caro, em qualquer setor do comércio, dos serviços e do conhecimento.
Mas este preâmbulo todo é para contar uma história que aconteceu hoje.
Tive uma reunião com meus chefes na revista e acabei indo almoçar com meu editor, Arnaldo Grizzo (na foto abaixo) que esteve recentemente a trabalho/passeio nos EUA. Eu disse para ele que nunca havia tomado um vinho do Oregon State e ele gentilmente trouxe uma garrafa que dividimos nesse almoço. Era trabalho? Sim, sempre é, mas era também prazer, óbvio.

Quando estávamos nos servindo no buffet (aliás o almoço da Praça São Lourenço é delicioso) eu encontrei com o enólogo Jefferson Sancineto Nunes, dono do Enolab de Flores da Cunha.
A presença dele alí, embora inusitada, tem uma explicação lógica. Uma das vinícolas para as quais Jefferson trabalha é a Pericó de São Joaquim (SC) que vai lançar em São Paulo na semana que vem o primeiro Icewine do Brasil (já falei disso por aqui).
Assim, Jefferson (que teve uma oportunidade - e o trabalhão - que poucos enólogos tem até mesmo no mundo de desenvolver um produto como esse) e o proprietário da vinícola estavam acertando detalhes da apresentação em uma sala exclusiva do restaurante.
Quando Arnaldo e eu terminamos de almoçar fomos até lá xeretar, como fazem os bons repórteres.
Uma de minhas surpresas só será contada mesmo na semana que vem, depois do lançamento oficial do vinho, mas adianto aqui uma deliciosa foto (abaixo) do enólogo (a esquerda) e do proprietário da vinícola (Sr. Wandér) em um momento descontraído hoje - fotos assim raramente têm qualidade técnica, mas ao meu ver são excelente material.

E adianto também uma imagem da linda taça que a Cristallerie Strauss fez a pedido do Sr. Wandér especialmente para o Icewine. Ela será utilizada pela primeira vez na semana que vem, pelos convidados paulistanos do coquetel de lançamento do vinho do gelo, uma conquista excepcional para essa vinícola catarinense tão jovem.


Por conta dessas coisas novas e oportunas que aparecem quando a gente 'se joga' no mundo é que repito o jargão de que lugar de repórter é na rua, observando, perguntando, reportando.
Bons goles e até mais.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ice Ice Wine


Em junho do ano passado, sob um frio de -7,5 graus, mãos corajosas recolheram os cachos acima, de uvas Cabernet Sauvignon com uma concentração de açúcares de 35 brix.
A vinificação desses cachos parcialmente congelados também aconteceu sob baixas temperaturas, para que o gelo se separasse e levasse com ele o excedente de água, deixando um mosto doce e concentrado.
Os cachos colhidos na propriedade da vinícola Pericó em São Joaquim (SC) foram vinificados no RS, sob a supervisão do enólogo Jefferson Sancineto Nunes que, apreensivo, teve que estudar todos os processos conhecidos nos poucos países que têm a chance de elaborar um vinho do gelo, uma das mais raras classes dos VDN (Vinhos Doces Naturais).
Na semana passada, tive o imenso prazer de provar o vinho praticamente pronto. Jefferson e sua esposa Sandra (ela é a responsável pela FISAR no Brasil) me trouxeram as amostras coletadas diretamente das barricas de carvalho francês novo de média tostagem em que os 695 litros de vinho repousavam. Usei a palavra 'amostras' no plural, pois Jefferson se deu ao trabalho de preencher dois pequenos frascos e submetê-los a diferentes temperaturas de serviço (8 e 18 graus centígrados) para afzermos um comparativo.
Jefferson afirma que o vinho está 'quase' pronto e que provavelmente precisa de apenas mais alguns dias de repouso no carvalho. Francamente, acho fantástico isso que fazem os enólogos. Provam um vinho e dizem: "Ah, precisa de mais uns dois ou três dias na madeira". Um entende o outro e nós, pobres mortais de paladar de coxinha e suco de laranja, ficamos nos sentindo o ó do borogodó....
Mas voltemos ao que 'eu' consegui perceber nessa primeira prova. A coloração é linda, ....., quase ..... (para quem não sabe que cor é ....., veja a foto ao lado). Os aromas são delicados, um toque ...... - que Jefferson acha semalhante a ....., mas sua esposa não concorda totalmente - um pouco de ....... e madeira ......
Na boca está muito ......., ......... por conta do açúcar residual e do grau alcoólico (......%), mas principalmente e acima de tudo ........, guarda um certo ......., uma lembrança da ............, boa ......... e até (se possível) certo ........
Confesso que estou muito curiosa para prová-lo assim que estiver pronto e engarrafado, pois sabemos que o vinho ainda evolui muito durante esses processos. Mas o resultado já é .......... e creio, irá surpreender até a enormidade de críticos que disseram que a Pericó estava doida ao tentar fazer isso. Quem viver verá!
Bons e doces goles e meus sinceros agradecimentos ao Jefferson e a Sandra e também aos Sr. Wandér, que me concedeu esse privilégio!

P.S.: Dia 2 de março, troco minhas palavras da análise preliminar do vinho por pontinhos (.....), por conta de várias pessoas que, incapazes de suportar a espera até o lançamento do vinho, reclamaram que eu estava estragando a surpresa e que não iriam querer provar depois. Sinto por elas (risos) eu mesma que já provei, adorarei provar de novo daqui a alguns meses, para saber como o vinho se transformou. Mas por respeito a algumas pessoas amigas, ocultarei minhas opiniões até lá.