Colheita 2016

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Vindima 2012 na Pizzato

Tragédias acontecem e mesmo que nos toquem fundo, fazem parte da vida.
Ainda estou triste com o ocorrido de ontem e mais triste ainda por não ter podido estar no sul para prestar minhas homenagens.
Mas a vida continua e a vindima 2012 também.
A Pizzato Vinhas e Vinhos (no Vale dos Vinhedos - RS) me mandou algumas das fotos feitas na semana passada, durante a colheita da Chardonnay (como já contei aqui várias vezes, o Chardonnay da Pizzato, sem passagem por madeira, é um dos meus vinhos preferidos), e me enviou também algumas imagens do evento que eles fazem todos os sábados para os turistas e os enófilos, o "Dia da Colheita Pizzato". Vejam só:

Para quem não sabe, o nome desse pássaro é Melro. Um nome que, muita gente diz aqui e na França, deu origem ao nome da uva tinta Merlot, por ser uma das preferidas dessa ave. Imagino que aqui no Brasil eles também apreciem uma Chardonnay recém-colhida.



Os turistas que chegam para o dia da colheita recebem um charmoso kit e partem para os vinhedos:



Colhem uvas, conversam com Plínio Pizzato sobre a colheita, passeiam na propriedade e retornam para pisar as uvas se desejarem (eu recomendo!!), para refrescar o corpo com uma taça de espumante e depois fazerem uma visita nas instalações internas, que termina com uma degustação e, como ninguém é de ferro, um delicioso almoço preparado pela banqueteira Giovana (foto abaixo), esposa de Flávio Pizzato. Sua compota de cebolas carameladas com aceto balsâmico é inesquecível.




Ficou interessado? Quer participar? Entre no site deles e inscreva-se. Não custa caro e vale cada centavo!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Vindima 2012

Na semana passada vi fotos lindas da colheita na Pizzato, mas infelizmente não tenho ainda as cópias aqui. Isso no Vale dos Vinhedos.
Em Tuiuty, onde está a Salton, e em Bento onde está a Aurora, as notícias são bem animadoras também, dando conta de que as uvas para os vinhos que serão base para espumantes (podem ser Chardonnay, Pinot Noir, Riesling e até um pouco de Merlot) estão com excepcional qualidade e chegando em bom volume.
A Salton (imagem abaixo) espera receber 500 toneladas de uvas até o final da colheita, que deve ser encerrada apenas na segunda quinzena de março e a Aurora estima que esta será uma das 3 melhores safras do século, no mínimo (pois ainda é cedo para falar das uvas tintas).
Lá para os lados de Flores da Cunha, a Viapiana anunciou que as Chardonnay estão chegando com a melhor qualidade que eles poderiam esperar, que eles começam até a classificar como 'safra histórica'. E, como se vê na foto abaixo, são tratadas com o maior cuidado, repousando em câmeras frias até o momento da prensagem.

Hoje, também em Flores da Cunha, mas na vinícola Luiz Argenta, começou também a colheita da Chardonnay, que está nas fotos abaixo, com seu delicado e precioso cacho de bagos doces e sãos. Não se pode pedir nada melhor nesse mundo do vinho e o enólogo responsável, Edegar Scotergagna, está pra lá de satisfeito com o que vê chegar na vinícola!

Boas notícias, não? Pois mesmo com a quebra da safra (este ano a expectativa é colher menos uvas por conta da estiagem prolongada e do granizo que afetou algumas regiões), a qualidade deverá ser superior ao (já bem bom) ano de 2011.
Agora é aguardar para ver se as uvas tintas terão a mesma sorte das brancas e também ver como se comportam outras regiões, como Santa Catarina e Paraná, cujas colheitas iniciam mais tarde.
Boa semana e bons goles!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ensinando e Aprendendo

Dia 15 de outubro é dia do Professor, uma das classes profissionais mais mal cuidadas do país, quando o correto seria que fosse justamente o contrário.
Aliás, acredito que professores, policiais e enfermeiros deveriam ter salários diferenciados, altos, com excelentes benefícios, para que sua dedicação pudesse ser exclusiva ao trabalho.
Claro que no caso desses altos salários serem uma realidade, esses profissionais estariam sujeitos à avaliações constantes e a única forma de ganhar mais ainda seria comprovar mais estudo, maior dedicação e total correção no exercício de suas profissões. Mas é claro que estou falando de países desenvolvidos, e não do Brasil, infelizmente
Por aqui a educação é cara e mesmo assim nem sempre de qualidade (não vou nem falar na educação pública). Muitos pais colocam nas mãos da escola toda a responsabilidade de educação de seus filhos, quando todo mundo sabe que educação começa em casa. Educação no sentido amplo, claro.
Mas estou escrevendo este post por dois motivos. Um deles é uma pequena homenagem aos professores que existem em minha família: Alexandre e Rita, Célia Regina e Camila, Giselle, Ana Silvia e Dario e Ana Laura, cuja dedicação e estudos constantes me fazem sentir orgulho de ser 'um pouquinho' professora também.
O outro motivo é que, na semana passada, tive o prazer de receber Jane Pizzato na aula do curso de Sommelier do Senac de Águas de São Pedro.


A aula era sobre Brasil e eu acredito que a presença de um produtor leva as coisas para outro nível.
Muitos dos alunos, principalmente aqui no sudeste, não têm a oportunidade de conhecer vinícolas (mesmo através da parceria que o SENAC tem com o Ibravin, para que os alunos do curso façam uma visita técnica pagando apenas a passagem aérea e o seguro), pois suas vidas pessoas e profissionais (além de sua situação financeira) podem ser incompatíveis com essa visita.
Assim, a proximidade com um produtor dá à esses alunos a chance de fazerem perguntas diferentes, de olharem nos olhos e não apenas de verem o produtor através da garrafa que ele faz.
A Pizzato é uma vinícola muito querida, da qual já falei várias vezes aqui, e a Jane é uma dessas pessoas especiais, daquelas que se pode dizer que é bonita por fora e por dentro. Ela trouxe para os alunos os dois produtos mais bem conceituados de sua empresa, o espumante Brut feito no método tradicional e o tinto DNA99, cheio de potência e elegância.
Para quem não conhece, a Pizzato Vinhas e Vinhos fica no Vale dos Vinhedos, e também tem terras no município de Guaporé, onde são cultivadas as uvas da linha Fausto.

 A cave de amadurecimento.

 Jane e eu pisando uvas, no começo de 2010.

 Os vinhedos no Vale.

 Flávio Pizzato, enólogo, recebendo um grupo durante a colheita, para almoço preparado por sua esposa, Gisele.

Por fim, como professora do cursod e Formação de Sommelier, acredito que são três os fatores que contribuem para o início de uma boa formação profissional, a teoria mostrada de forma agradável, a prática em sala de aula (degustação e serviço) e a aproximação com a realidade do mercado, que inclui muitos profissionais, como produtores, sommeliers e enófilos.
O conhecimento é a melhor e mais eficaz arma contra o preconceito e todos deveriam ter chance de obtê-lo.
Boa semana e bons brindes!


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um enólogo, uma vinícola, um terroir

Flávio Pizzato, enólogo da Pizzato Vinhas e Vinhos. Inteligência, competência e muita dedicação. Herdadas em boa parte do pai...
...Plínio Pizzato, o homem da 'vinhas', vinicultor de excelência, um gentleman dos parreirais. Na foto com a filha Jane e as taças de um de seus delicados espumantes.

Novos espaços na Pizzato Vinhas e Vinhos, compactos, modernos, discretos.

O terroir do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS), no outono.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Merlot Nacional

Antes que pensem em qualquer coisa, eu não vou entrar no mérito de que a Merlot é ou não é a cepa emblemática da Serra Gaúcha ou como gostam de dizer, do Brasil.
Vou dizer duas coisas: o Chile sofre com a ligação emblemática com a Carmenére e a Argentina também com a Malbec. Um simples estudo de caso vai revelar que esse marketing de 'cepa emblemática' tem duas faces e elas não têm necessariamente o mesmo valor, como numa moeda.
Esta postagem, no entanto, tem uma razão. Vocês já perceberam que poucas vezes eu falo de um único vinho e não é somente por não querer privilegiar uma produtor em detrimento de outro. Mas é principalmente porque este blog não tem função comercial. Não é minha pretensão que alguém pense: "A Sílvia falou no blog, então deve ser bom, vou lá comprar".
Este blog tem função informativa e pretende que os leitores conheçam mais sobre vinhos, principalmente os nacionais, é claro. Se vão beber ou não, essa não é uma preocupação minha.
Assim, aqui vai um pouco da história recente do vinho brasileiro.
Vou falar do vinho Merlot Reserva da Pizzato, e é bom que eu diga logo de cara que nem provei essa nova safra (2006) pois ele está sendo lançado agora.
O primeiro Merlot da Pizzato foi lançado em 1999 e, devido a nada mais que sua qualidade, tornou-se um legítimo representante da boa vitivinicultura do Vale dos Vinhedos, em uma época de pesada concorrência estrangeira e muitos lançamentos nacionais.
Não sei se todos sabem (alguns já leram por aqui) que o sr. Plínio Pizzato é um viticultor respeitado, que aprendeu com seu pai e durante anos produziu uvas para outros vinhateiros no sul.
Na década de 1990 os preços da uva caíram e a família decidiu se arriscar a fazer seu próprio vinho. O sucesso veio logo. Por fatores bem racionais como as boas uvas do Sr. Plínio, a dedicação dos filhos (dois enólogos Flávio e Ivo), das filhas (Flávia e Jane) e da esposa, dentro e fora da cantina.
Até hoje todos (à exceção de Ivo que faleceu e atualmente é sua esposa Sílvia quem trabalha na empresa) estão cuidando dos negócios da família.
A Pizzato Vinhas e Vinhos (esse é o nome oficial) é uma dessas pequenas grandes empresas. Pequena em tamanho e volume de produção, mas enorme em cuidado, simpatia e dedicação.
Na foto ao lado, Plínio Pizzato durante a festa da Vindima deste ano leva crianças em seu trator, junto dos turistas que visitam a propriedade e tem o prazer de ouví-lo falar sobre suas uvas.
Os espumantes da Pizzato são deliciosos, o único branco, um Chardonnay sem madeira, é diferenciado e fresco, pois ousa ir contra o estilo do vale de enfiar madeira em tudo. Eles têm também um assemblage, que é a cara da empresa, pois leva o nome de Concentus, o que significa que todos da família tiveram que estar em consenso para aquele corte.
Sim, sou 'um pouco' fã dos Pizzato, mas principalmente tenho um enorme respeito pelo trabalho que fazem.
Sobre o Merlot é essencial dizer que foi a Pizzato quem chamou a atenção para o potencial dessa uva dentro do Vale dos Vinhedos. Se alguém quiser falar de um ícone da Merlot no Vale, com certeza é o Pizzato Reserva 1999.
Recentemente a vinícola fez uma degustação vertical de nove safras e de uma maravilha que eles lançaram na Expovinis deste ano, o DNA99, um Merlot single vineyard super especial, com uvas da mesma parcela de onde veio seu primeiro Merlot, onde tudo começou. Uma degustação histórica, como pouquíssimas vinícolas podem se dar ao luxo de fazer com a mesma qualidade.
Por fim, é importante dizer que a Pizzato tem a Jane, a 'filial' da vinícola em São Paulo. Linda (isso é consenso entre donos de lojas, restaurantes etc.), competente, tranquila e uma companhia sempre agradável, é a filha do Sr. Plínio que desbravou o mercado paulistano.
Eu a conheci faz alguns anos (creio que uns 6 ou 7) e naquela época já pude testemunhar o esforço que ela, seu marido - herdeiro de outra importante vinícola brasileira - e dois outros herdeiros (Márcio Marson e Patrícia Carraro), faziam  nesta cidade que pode ser bem cruel, ao visitar tantos restaurantes, bares, hotéis e lojas tentando receber a atenção dos proprietários para mostrarem seus vinhos - precisamente aqueles que trouxeram o vinho brasileiro para a modernidade. Esse grupo de herdeiros recebeu tantos 'nãos' que nem sei como o sorriso ainda está no rosto de Jane (foto ao lado). Deve ser a persistência de nossos vinicultores diante de um público ignorante.
Imagino que isso explique aos leitores um pouco do respeito que tenho pelo trabalho dessas pessoas, que continuaram tentando, sorrindo, explicando e teimando que nossos vinhos mereciam (e merecem) um lugar de destaque em nossas adegas, em nossas taças, em nossas cartas de vinho.
Assim, fico feliz em contar que a safra 2006 do Pizzato Reserva Merlot já está no mercado, como testemunha de uma boa história que nossos vinhos estão, lentamente, escrevendo.
Bons goles!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pizza! Pizza! Pizza!

Esta semana voltei a um lugar que adoro, a pizzaria RITTO, no bairro da Vila Hamburguesa.
Gosto do lugar por muitos motivos e um deles é bem pessoal. Trabalhei lá por quase dois anos e aprendi praticamente tudo que sei sobre serviço, organização, atendimento e trabalho em equipe nos longos finais de semana de casa lotada, fila na porta e gente com fome, sede, feliz ou mal humorada...
Mas o que mais gosto de lá, sem dúvida, é mesmo a pizza. Massa média com borda grossa é o estilo da casa. Farinha de trigo finíssima, azeite italiano, fermento e água mineral. Nada mais. Batida, amassada e posta a descansar de um dia para o outro.
O molho, feito todos os dias, leva nada mais do que tomates frescos, batidos com sal e azeite. Nada de tomates em lata, nada de molhos apurados que levam embora o frescor da pizza.
Aprendi, também, que uma casa que é incapaz de fazer uma boa pizza de mussarela, não vai ser capaz de fazer nada direito. Mussarela é coisa séria e para conseguir o fornecedor da RITTO, foi necessário ficar em uma fila. A produção é pequena e só atende as casas mais selecionadas de SP. Se você pedir para viagem e deixar na caixa de papelão de um dia para o outro, não vai ficar um halo de gordura na sua caixa e muito menos aquele desagradável cheiro de pasto. Vou até contar um segredo profissional: mussarela tem safra.
Quando as vacas estão amamentando, o leite é melhor, mais denso. Quando param de amamentar, o leite entra em entresafra e todos os subprodutos ficam com qualidade diferente, principalmente aqueles feitos com maior rigor.
Coberturas? Todas as conhecidas estão lá. Menos as doces (o dono considera uma ofensa e eu concordo - afinal quem consegue comer pizza de quatro queijos, calabresa etc e depois mandar uma massa coberta com chocolate e banana?) pois elas não pertencem à tradição italiana que a casa tanto preza.
A mais famosa do cardápio é a Lapa, que leva molho com pedaços de tomate e folhas de manjericão, calabresa fatiada pré-assada para ficar mais crocante, cubos de mussarela de búfala e mais manjericão.
É um escândalo de tão boa.
Uma coisa que deixa o dono bravo às vezes, é o quão frequentemente suas pizzas são copiadas e apresentadas em outras casas como sendo originais. Verdade seja dita, é chato, mas é também um sinal inequívoco de que se está fazendo algo de bom, até porque poucas casas em SP conseguem se manter com qualidade por mais de dez anos, como é o caso da RITTO.
Os vinhos são tratados com carinho especial, em uma enorme adega que também recebe clientes e algumas festas particulares. A carta é grande, bem explicativa e com bons preços, uma vez que faz todo sentido comer pizza e tomar vinho.
Nessa minha última visita, provei a pizza Imola, que leva champignon paris refogados em vinho branco, azeite e salsa, lâminas de alho, lascas de presunto Parma (Parma mesmo, não 'tipo' parma) e mussarela. Foi servida com uma boa taça de um Nero D'Avola, 2003, o Almanera. Maravilhoso.
Se você não conhece a RITTO, está na hora de ir e de deixar de lado o costume de comer frango com catupiry e quatro queijos, afinal isso é coisa de pizza para viagem, que muitas vezes nem é pizza, é só preguiça de cozinhar.
Bom apetite e bons goles!
Ah! E se você ouviu falar que o dono não é a pessoa mais simpática do mundo, que o serviço às vezes varia um pouco, ainda assim mande tudo isso para o espaço e vá pela pizza, pelo vinho e pelo local que é lindo.
Sim, estou sendo tendenciosa. Sim, sou suspeita para falar disso como deixei claro bem no começo. E sim, você só vai se quiser não?
www.ritto.com.br

quinta-feira, 25 de março de 2010

All Things Porc!

Costumo dizer que uma das razões para eu não virar vegetariana (ainda não, mas um dia com certeza) são os bons porcos. Nada de filhotes, que me perdoem os apreciadores de leitões...
Nessa minha última viagem ao Vale dos Vinhedos tive uma oportunidade muito especial de conhecer um casal mineiro trazido ao vale especialmente para o evento da Pizzato.
Carlos e Lilia Chiari são donos de um buffet em BH, mas isso não é o mais importante. Eles são donos de uma salumeria e panetteria e nos trouxeram alguns de seus produtos para provarmos antes do almoço feito por Giovana, esposa do enólogo Flávio Pizzato.
Na foto ao lado estão duas coisas muito especiais: uma garrafa do vinho Concentus Pizzato de sua primeira safra de 2002 (que Jane Pizzato nos ofereceu por estar ela mesmo impressionada com a longevidade do vinho) e um prato meio cheio meio vazio das delícias dos Chiari.
Prosciuto Crudo, pernil traseiro de porco curado com sal nos melhores moldes da cidade de Parma, Speck, presunto típico do Alto Adige, com muitos condimentos e defumação a frio, Capocolo, a verdadeira copa, preparada com os lados do pescoço do porco e um salame com mais de três meses de cura, firme, denso e marcante.
Para acompanhar, duas outras especialidade de Chiari, servidas por ele mesmo: foccacia e ciabatta, ambos os pães preparados com fermento natural de maçãs.
Nesta semana, naquele almoço do Parigi, me perguntaram do que eu gostava, uma vez que não sou tremendamente fã de doces, praticamente não como queijos e rejeito vários tipos de carnes, incluindo a da moda (o cordeiro). Minha resposta foi: gosto de vinho, de pão, de azeite e de maçãs verdes. Entre tantas outras coisas, claro.
Mas um pouco dessa resposta veio de uma aprecição que tenho tido (e da qual meu marido compartilha felizmente) das coisas mais simples (não simplórias e nem mal feitas). Um vinho honesto, um bom azeite, um pão fresco e perfumado, frutas doces naturalmente, hortaliças e verduras crocantes, água fresca, carnes que não precisam de subterfúgios e massas delicadas, que nada pesam na boca nem na barriga.
É bem mais difícil do que parece.
Felizmente para o pessoal da Chiari não parece ser. Os produtos mineiros me deixaram impressionada, acompanhados de uma conserva de cebolas com aceto balsâmico e uma leve caponata feitas pela chef Giovana, compuseram com os vinhos da Pizzato uma refeição inesquecível.
Na última foto, Carlos Chiari serve sua foccacia, cortada com tesoura diretamente da forma ainda morna. A vida realmente não fica muito melhor do que isso...
O site da família Chiari é: www.chacarachiari.com.br

quinta-feira, 18 de março de 2010

Uma pequena grande vinícola!

Na foto ao lado está o patriarca Plínio Pizzato, pai de Flávio, Flávia e Jane, todos envolvidíssimos com o negócio da família, que é plantar uvas e fazer vinhos. Bons vinhos!
Sábado passado os Pizzato receberam, em sua propriedade no Vale dos Vinhedos, um grupo de turistas que veio participar do último dia de festa da colheita da vinícola.
Na verdade, as uvas finas deles já foram todas colhidas, mas a festa aconteceu assim mesmo, sob um pequeno parreiral de uvas de mesa, conservado por 'seu' Plínio para que as pessoas possam colher uvas na festa e conhecer a diferença entre um parreiral em 'latada' e um parreiral em 'espaldeira'.
Essa parte das terras da família é onde ficam as parreiras da uva Egiodola, com mais de 17 anos, plantadas por Plínio a partir de mudas que ele trouxe do Uruguai há mais de 20 anos.
Plínio é um homem simpaticíssimo, forte, determinado, mas com uma doçura impressionante no olhar, no trato com as pessoas e com as parreiras, sua lida e dedicação diária.
Tanto os parreirais do Vale quanto os da propriedade de Dr. Fausto, estão sob o olhar atento e cuidados dele, uma vez que a família ficou famosa até o começo da década de 1990 somente por vender excelentes uvas. "Era muito mais fácil" conta Plínio com um sorriso maroto. "As pessoas me diziam que eu iria me arrepender de começar a fazer vinho, pois isso sim dava trabalho" lembra ele. E como dá trabalho. Todos os dias do ano, em anos de boa safra e em anos de safra difícil.
Mas nesse dia encontramos um Plínio relaxado, a colheita toda feita, as uvas sendo processadas pela equipe de enólogos chefiada por seu filho Flávio e ele podendo mostrar suas terras para gente que há muito não põe as mãos em uma planta, para gente que jamais comeu uva direto da parreira, para gente que aprecia o produto final, mas sem saber exatamente como ele é feito.
Plínio parece satisfeito quando nos leva até a cave escura, onde repousam algumas garrafas raras e nos mostra o fruto engarrafado da dedicação de sua família. Não se incomoda com as obras que estão acontecendo acima (finalmente a Pizzato está construindo instalações mais elegantes, para combinar com a qualidade de seus vinhos) e nem com as dezenas de perguntas que faço. Sorri levemente, responde tudo e depois pede ajuda para encontrar uma caixa que contêm as primeiras garrafas de Chardonnay que a vinícola fez. "As pessoas vão dizer que vinho branco só se conserva bem se for amadeirado, este não tem madeira. Prove e depois me diga o que achou" pede Plínio.
Pego a garrafa emocionada. Não sei se terei coragem de beber. Mas sei que lhe devo uma resposta, então trago a garrafa para SP em minha bolsa de mão, ao lado de uma outra preciosidade deles sobre a qual falarei no próximo post.
Saúde família Pizzato! Vida longa e bons goles!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dia da Colheita na Pizzato

Amanhã, dia 13 de março, terminam quase todas as festas de colheita no Vale dos Vinhedos.
Terei o prazer de participar do Dia da Colheita na Vinícola Pizzato, ao lado de pessoas que são muito, mas muito queridas para mim, a família Pizzato.
Aqui fica uma confissão: depois da partida prematura de Ivo Pizzato (jovem e promissor enólogo da família, falecido em 2007), eu tive muita dificuldade de voltar a visitar a Vinícola. Ivo foi e continua sendo uma pessoa muito querida, um homem talentoso e discreto, inteligente e dedicado como poucos (na primeira foto abaixo - esquerda-, nos vinhedos da família em 2006).
Mas no ano passado, ao final da Avaliação Nacional de Vinhos, seu irmão e também enólogo, Flávio Pizzato (na segunda foto abaixo), convidou a mim e a mais três amigos participantes para visitarmos com ele a vinícola. Não tive como negar e isso foi muito bom, pois voltei a um lugar especial no Vale, onde são feitos vinhos exemplares e por uma família que consegue fazer de cada dia uma vitória e uma homenagem.
Então, eu também vou fazer isso. Ao participar desse último dia da colheita da safra 2010, ao lado da família Pizzato e desta vez acompanhada de meu marido (que também admira essa família), terei em meu coração a transitoriedade da vida e a verdade de que só há o momento presente para sermos felizes, só existe uma chance para dizer obrigado e parabéns e ela é agora. O 'depois' pode ser tarde demais. Não percamos tempo pois!
Obrigado desde já para TODA família PIZZATO, por esse convite maravilhoso!