Colheita 2016

Colheita 2016
Seja bem-vindo! E que nunca nos falte o pão, o vinho e a saúde e alegria para compartilhar!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Terremoto no Chile (8.8 Richter)

Mis oraciones están con ustedes!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Elegância e Simplicidade

Vocês terão que ver as fotos primeiro para depois ler o motivo pelo qual elas estão aqui:
1-Mesa posta para o almoço (quase 4 da tarde) na Vinícola Ventisquero no Chile, a foto seguinte mostra o enólogo Alejandro (criador da linha Ramirana), durante a degustação dos vinhos antes do almoço.

2)Mesa posta para o almoço nos jardins históricos da vinícola Undurraga e mesa posta para o jantar na vinícola Casa Porta, ambas no Chile. A Casa Porta foi a primeira residência oficial de um presidente chileno.

3) Grupo tomando aperitivos antes do almoço nos jardins da vinícola Villaggio Grando em Santa Catarina e o parreiral histórico da Casa Valduga no Vale dos Vinhedos, onde convidados tomam café-da-manhã e jantam no dia da festa da Vindima.

O que todas essas imagens têm em comum? São bonitas, claro, mas mostram algo que nossos amigos latino-americanos já fazem com razoável facilidade e que no Brasil ainda é raro. 
Eles recebem as pessoas em suas vinícolas mostrando o que há de mais belo, juntando seus vinhos, a natureza, a boa culinária e uma coisa que quanto mais simples, mais difícil é de alcançar: elegância.
Tenho grande respeito por algumas coisas da cultura norte-americana, como sua capacidade de mobilização para catástrofes e festas, seu respeito pelo dinheiro e sua rapidez em transformar fatos em marketing. No entanto, tudo isso tem um 'down side' que se revela na massificação, bem clara nos restaurantes e hotéis de rede, onde se pode dormir na China e no Peru com os mesmos lençois da Sears.
O mundo do vinho vem sofrendo com isso também, já é visível como parte do processo de 'parkerização'. Não tenho nada específico contra o crítico americano, até porque sei o quão difícil é emitir uma opinião pública e manter-se firme em relação à ela (é sempre mais fácil criticar os críticos, sendo que não é a 'sua' opinião que está sendo julgada). Mas observo que algumas vinícolas tendem a abandonar os detalhes que a transformam em algo único em favor de um mercado mais abrangente. É importante fazer com que as duas coisas convivam em harmonia, essa é uma das características da elegância.
O aviso que quero deixar é para que as vinícolas nacionais não se esqueçam de que nós brasileiros somos um povo carinhoso, que gosta de aconchego e atenção. Então, antes de formar imensos grupos de enófilos e jornalistas e colocá-los em uma churrascaria rodízio, pensem - por exemplo - em armar mesinhas no jardim de suas vinícolas (afinal deveria ser o que de mais belo vocês têm para mostrar). 
Antes de transformarem suas lojas de varejo em supermercados, ajeitem alguns lugares na varanda, para aqueles consumidores que já compram seus vinhos em suas residências, mas querem aproveitar aquele clima de vinícola, aquele ar puro por mais alguns instantes.
Cresçam, mas sem perder de vista de onde tudo isso vem: da natureza, das mãos humanas transformadoras, da persistência e do talento.
Bons Goles e bom final de semana! 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ice Ice Wine


Em junho do ano passado, sob um frio de -7,5 graus, mãos corajosas recolheram os cachos acima, de uvas Cabernet Sauvignon com uma concentração de açúcares de 35 brix.
A vinificação desses cachos parcialmente congelados também aconteceu sob baixas temperaturas, para que o gelo se separasse e levasse com ele o excedente de água, deixando um mosto doce e concentrado.
Os cachos colhidos na propriedade da vinícola Pericó em São Joaquim (SC) foram vinificados no RS, sob a supervisão do enólogo Jefferson Sancineto Nunes que, apreensivo, teve que estudar todos os processos conhecidos nos poucos países que têm a chance de elaborar um vinho do gelo, uma das mais raras classes dos VDN (Vinhos Doces Naturais).
Na semana passada, tive o imenso prazer de provar o vinho praticamente pronto. Jefferson e sua esposa Sandra (ela é a responsável pela FISAR no Brasil) me trouxeram as amostras coletadas diretamente das barricas de carvalho francês novo de média tostagem em que os 695 litros de vinho repousavam. Usei a palavra 'amostras' no plural, pois Jefferson se deu ao trabalho de preencher dois pequenos frascos e submetê-los a diferentes temperaturas de serviço (8 e 18 graus centígrados) para afzermos um comparativo.
Jefferson afirma que o vinho está 'quase' pronto e que provavelmente precisa de apenas mais alguns dias de repouso no carvalho. Francamente, acho fantástico isso que fazem os enólogos. Provam um vinho e dizem: "Ah, precisa de mais uns dois ou três dias na madeira". Um entende o outro e nós, pobres mortais de paladar de coxinha e suco de laranja, ficamos nos sentindo o ó do borogodó....
Mas voltemos ao que 'eu' consegui perceber nessa primeira prova. A coloração é linda, ....., quase ..... (para quem não sabe que cor é ....., veja a foto ao lado). Os aromas são delicados, um toque ...... - que Jefferson acha semalhante a ....., mas sua esposa não concorda totalmente - um pouco de ....... e madeira ......
Na boca está muito ......., ......... por conta do açúcar residual e do grau alcoólico (......%), mas principalmente e acima de tudo ........, guarda um certo ......., uma lembrança da ............, boa ......... e até (se possível) certo ........
Confesso que estou muito curiosa para prová-lo assim que estiver pronto e engarrafado, pois sabemos que o vinho ainda evolui muito durante esses processos. Mas o resultado já é .......... e creio, irá surpreender até a enormidade de críticos que disseram que a Pericó estava doida ao tentar fazer isso. Quem viver verá!
Bons e doces goles e meus sinceros agradecimentos ao Jefferson e a Sandra e também aos Sr. Wandér, que me concedeu esse privilégio!

P.S.: Dia 2 de março, troco minhas palavras da análise preliminar do vinho por pontinhos (.....), por conta de várias pessoas que, incapazes de suportar a espera até o lançamento do vinho, reclamaram que eu estava estragando a surpresa e que não iriam querer provar depois. Sinto por elas (risos) eu mesma que já provei, adorarei provar de novo daqui a alguns meses, para saber como o vinho se transformou. Mas por respeito a algumas pessoas amigas, ocultarei minhas opiniões até lá.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Prosecco Não É Sinônimo de Itália!

Algumas vezes não entendo este país (não que exista alguma novidade aí ou que não sobrem motivos de indignação em muitas áreas de nossa sociedade). Até onde eu sei (talvez tenha que procurar informações em outro lugar), é proibido fazer propaganda de bebidas alcóolicas nos horários diurnos neste país.
Ainda assim, na manhã de hoje, um desses programas que apresentam de tudo (de loja de móveis a carros, cobertores e alimentos) estava em uma famosa importadora de vinhos do país, mostrando as ofertas deles e falando que Prosecco é sinônimo de espumante italiano. A frase era mais ou menos assim: "Então é Cava na Espanha, Champagne na França e Prosecco na Itália, não é?" O vendedor da loja (de forte sotaque estrangeiro) não corrigiu o apresentador em nenhum momento, ao contrário, para mostrar uma de suas ofertas de Cava, ele reforçou a informação errada.
Francamente, por que não ensinar as pessoas a beberem corretamente, a saberem o que estão colocando dentro de seus corpos? Quem ganha com isso? Vão vender uma caixa de garrafas a mais para um consumidor desavisado?
Vejam só, não quero ser de um didatismo pedante mas acredito que o consumidor consciente também tem 'valor agregado' e isso faz a indústria como um todo valer mais. Enquanto continuarem tratando o consumidor como palhaço (por conta disso a fantasia de garrafa de 'Champanha' da imagem acima) ele terá o direito de continuar comprando vinhos de qualidade inferior, por preço baixo só porque está estampado o nome de um país produtor tradicional na prateleira.
Para quem não conhece (pois ninguém tem a obrigação de nascer sabendo), Prosecco é uma uva italiana importante, cultivada originalmente na região do Vêneto, de onde saem elegantes espumantes naturais, principalmente perto da comuna de Valdobbiadene. Aliás, segundo uma legislação nova, do final de 2009, a uva nem pode mais ser chamada de Prosecco, seu nome é Glera (um nome antigo que já era utilizado em algumas regiões) e Prosecco passa a ser o espumante da DOC reconhecida, que tem uma área ainda mais específica e diferenciada, onde são produzidos os 'Prosecco Superiore', com regras rígidas e limitantes.
Mas não podemos esquecer dos Franciacorta, uma DOC do Piemonte, que produz maravilhosos espumantes, alguns de estilo similar aos Champagnes e com preços muitas vezes também similares. Dos adocicados Asti, preparados com a uva Moscato Bianco e de fermentação única, cujo nome 'Asti' é também o nome desse método de produção. Além desses, outro espumante popular na Itália é o feito com as uvas Lambrusco na região central da Emiglia Romagna, eles variam tremendamente em estilo e qualidade, e alguns até não são espumantes naturais (o gás é adicionado depois).
E, para finalizar, existem espumantes em praticamente todas as regiões italianas, mesmo que não tenham um nome demarcado conhecido internacionalmente.
Fica aqui o aviso para importadores, vendedores, distribuidores e consumidores: Prosecco não é sinônimo de espumante italiano e o conhecimento não ocupa espaço, ao contrário, cria massa crítica. Bons e HONESTOS goles para todos!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Para Ler e Pensar

Não costumo colocar mais de um post por dia, tenho lá meus motivos.
Mas abro uma exceção hoje para encaminhá-los para um site no endereço abaixo.
http://www.jornaldovinho.com.br/novo/?p=1127
Ele é feito por meu colega Marcos Pivetta, amigo de jornalismo e de taças.
Fui reler seus posts por um motivo egoísta. Marcos falou deste meu blog em sua página e eu fui lá conferir sua montanha de elogios para os quais vou ter que me redescobrir mais capaz para fazer jus.
Um de seus textos (datado de 9 de fevereiro deste ano) merece ser lido. Embora eu não concorde com alguns de seus pedidos, acho o texto delicioso e então tomo a liberdade de conduzí-los à ele.
Boa leitura e bons goles!

Terra Natal


Ontem enviei para uma pessoa amiga e parceira de trabalho aquela foto que está aqui no blog, onde eu apareço colhendo uvas de mesa. A resposta que recebi foi: "Até que enfim você voltou para sua terra natal".
Confesso que a resposta me fez pensar. Não porque ela contenha uma certa ironia, mas porque sempre me considerei uma pessoa da cidade grande. Aliás, verdade seja dita, sou tremendamente alérgica aos insetos de qualquer parte, seja rural, litorânea etc. Cada vez que viajo para um lugar desses perco mais tempo passando protetores e repelentes do que maquiagem.
Ou seja, não são lugares nos quais meu corpo esteja confortável. Mas, fato é, que a alma está. Pra lá de confortável, está naquela zona em que a gente faz o que for necessário sem perceber os contratempos, os desconfortos.
Ainda assim, é preciso levar em consideração que, por mais familiar que esses lugares sejam para mim, não são minha casa, minha rotina. Não terei que me ocupar com a continuidade das relações pessoais que, inevitavelmente acabam revelando um lado das pessoas não tão sociável. Não terei que me ocupar com as lides do dia-a-dia, como comida, arrumação, contas.
Essas viagens de trabalho são sempre um momento em que a rotina é suspensa, e se elas propiciam uma aproximação com uma realidade mais bela e diferenciada, é claro que tudo se reflete na face da gente e parecemos estar em algum lugar melhor.
A filosofia budista tem um pensamento tão importante como difícil de seguir: "Esteja onde está e viva o momento". Parece fácil, mas não é. Embora eu esteja ciente de que quando conseguimos isso, tudo fica mais fácil. É mais do que foco, é mais do que concentração, é só se permitir estar lá, naquele momento, pois não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo, então a cabeça e o corpo devem estar em sintonia.
Talvez no momento daquela foto eu tenha conseguido isso. Eu estava lá e embora não fosse e nem nunca será minha terra natal, naquele exato momento minha mente e meu corpo estavam no mesmo lugar. Descansados, felizes, imperturbados, em paz.
Por isso sou grata!

P.S.: E uma vez que hoje finquei o pé na seção 'querido diário' aproveito para dar os parabéns para uma prima muito querida, Dra. Ana Maria, que tem uma lembrança um tanto peculiar de mim em nossa infância, ligada a uma meia-garrafa de vinho suave...
Prima, que bom que aprendemos a beber melhor! Muitos brindes ao longo de sua vida e muitos bons momentos!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Meno Male...

Estou de volta do calor da Serra Gaúcha para o calor, engarrafamento, poluição e sujeira da cidade de São Paulo. Mas ao menos sou portadora de algumas boas notícias.
Recém começou a vindima das uvas tintas por aqueles lados, então é cedo para dizer quais as uvas mais afetadas pelo excesso de chuva em novembro (época da brotação) e em janeiro/fevereiro (época de amadurecimento). Coisa certa é que a safra do RS deve ter uma diminuição de 30%, aproximadamente, dizem vários enólogos e proprietários da região. Grande parte da tintas utilizadas nos vinhos mais especiais da Serra (Storia da Valduga, Lote 43 da Miolo, Tannat da Don Laurindo, entre outras) ainda permanecem no parreiral esperando o ponto certo de maturação, que deverá acontecer somente na primeira semana de março (se as chuvas fortes derem trégua).
"Meno male" que as uvas brancas, principalmente aquelas para espumante e algumas para varietais, foram colhidas em muito bom estado. Acreditem-me, existem alguns espumantes feitos pelo método charmat (as duas fermentações dentro do tanque de inox) que já estão quase prontos.
Abaixo, um dos parreirais de Cabernet Sauvignon da Valduga, que tem recebido atenção redobrada da equipe de agrônomos e enólogos.

E antes que eu deixe passar: agradecimento especial ao pessoal da Valduga, que mais uma vez me recebeu tão bem que só minha família e minha gata para me fazerem voltar.
Meu sincero abraço para João e Juarez Valduga, Jones e Eduardo Valduga, Juciane Casagrande e Fabiano (Comercial e Marketing), os enólogos Daniel e Lucas, o agrônomo Silvano, a enóloga Aline, na pousada minha xará Silvia e a Andréia, o chef Laércio e o garçom Walter e na Casa de Madeira o chef Daian. Meu muito obrigado para todos!